Monday, May 24, 2010

eu sou assim


eu sou assim...é um desafio do J, e que não ia dizer que não.pois aqui vai...


eu sou assim...

inconstante...

só estou bem onde não estou...

imprevisível...

uns dias sim outros dias não.
inquieta...

ando sempre a mil..até o coração!


insegura...

gosto pouco de mim...a culpa é quase sempre minha!

impaciente...
espero mas desespero!

indecisa...

penso sempre e agora?

inflamável...
o meu stress torna me uma bomba relógio!

impulsiva...

tenho mau feitio e às vezes não penso...digo.

intensa...

sempre...

inigualavelmente...

estranha!


eu sou a cera que se derrete
nesta mente agitada
cúmplice numa ousada caminhada
que arde sempre até ao fim.

Saturday, May 22, 2010


este fim de semana espero que
o cansaço vença até as ondas,
e então o azul do mar fique mais tranquilo.








não há nada como um mergulho no mar!

mesmo que esta esteja gelada...

Thursday, May 20, 2010

quem és tu???


Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher
Sou as mesas e as cadeiras desse cabaré
Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo
Sou a febre que lhe queima mas você não deixa
Sou a sua voz que grita mas você não aceita
O ouvido que lhe escuta quando as vozes se ocultam
Nos bares, nas camas, nos lares, na lama
Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata
Sou o certo, sou o errado, sou o que divide
O que não tem duas partes, na verdade existe
Oferece a outra face, mas não esquece o que lhe fazem

[Ney Matogrosso]

Friday, May 14, 2010

Crónica de muito amor_António Lobo Antunes

Na minha família não se fala de mariquices mas, de vez em quando, há gestos destes, de ternura escondida, como quem não quer a coisa

5:51 Quarta-feira, 31 de Mar de 2010
O João trouxe-me um Santo António pequenino de Pádua: comoveu-me que se tivesse lembrado de mim. Na minha família não se fala de mariquices mas, de vez em quando, há gestos destes, de ternura escondida, como quem não quer a coisa. Deve-se gostar das pessoas sem lhes mostrar. Deve-se gostar das pessoas sem lhes mostrar? Pelo menos entre nós é assim: não há elogios, não há censuras, raramente há perguntas. Para quê? Há um estar ali que é já tanto. Diz-se sem as palavras e percebe-se que se diz e o que se diz porque o clima, não sei explicar de outra maneira, se torna diferente. Não falamos do que cada um faz: a gente sabe. Do que cada um sente: a gente sabe. Não se fala do sofrimento, não se fala da alegria: a gente conhece. É melhor desta forma. Uma única ocasião o meu pai fez-me uma confidência, sacudiu-a logo com a mão
- Chega de pieguices
e alegrou-me que se penitenciasse por transgredir as regras. Não há efusões, não há gestos e, no entanto, as efusões e os gestos estão lá. Quem souber ver que veja, quem não souber é porque não pertence à tribo. Não há lamentos: porque é que hei-de lamentar a minha sorte, interrogava o grego. Não há censuras, não há críticas, salvo em ocasiões muito, mas mesmo muito, especiais. O Zé Cardoso Pires percebia isto
- Vocês estão muito ligados
disse-me um dia, e mudou logo de paleio.
- Nenhum escritor gosta de falar do que escreve
afirmava ele. E, realmente, nunca falámos um ao outro do que escrevíamos. Quase todos os dias conversávamos mas não se tocava nesse assunto. Quando muito
- Estás a trabalhar?
e acabou-se. Ou
- Não estou a trabalhar
e acabou-se. Uma tarde telefonou-me
- É para te dar os parabéns porque ganhei um prémio
desviou logo o assunto e isto é o cúmulo da amizade. Foram os parabéns que, até hoje, mais prazer me deram. Até as nossas dedicatórias mútuas eram secas: Para o António do Zé, Para o Zé do António e um rectângulo à volta, a cercar as palavras, a fechá-las lá dentro. O rectângulo, claro, era o mais importante, e o que estava naqueles quatro riscos, meu Deus. Maior elogio mútuo
- Belo livro
maior crítica mútua: silêncio dentro de um soslaio breve. Não, maior elogio:
- Posso ser amigo de um médico, de um engenheiro, de um pedreiro. Para ser amigo de um artista tenho que admirá-lo.
Passeávamos de braço dado na rua. Com o meu irmão Pedro, por exemplo, darmos o braço é fazermos chichi juntos, no escuro, junto à cascata do jardim dos meus pais, com um comentário sobre o jacto respectivo. Depois sacudirmos os pingos ao mesmo tempo porque a pila não sabe fungar. Então abotoamo-nos e cada um vai para o seu lado, em silêncio. Deve ser difícil as mulheres entenderem isto mas, para os homens, fazer chichi lado a lado, ao ar livre, é sinal de amizade, a olharmos para baixo, cheios de duplos queixos. Tanto che che che nesta frase. Fazer chichi na rua é um dos meus prazeres, devo ter sido cachorro noutra encarnação. Detesto urinóis, retretes: haverá alguma coisa que se compare à exaltação de mijar contra uma parede? Às vezes, a seguir ao jantar, digo ao Pedro
- Já mijaste?
sabendo que ele estava à minha espera para essa celebração da cumplicidade. Nem que sejam três gotas faz-se um esforço. Vemos as árvores, vemos o muro, não nos vemos um ao outro mas estamos ali. Nem quero pensar na ideia de fazer chichi sozinho. No fim pergunta-se
- Como é que estás?
sabendo que o parceiro se cala. Depois cada um no seu carro, sem mais palavras. Um atrás do outro e, a certa altura, separamo-nos, com um sentimentozito de despedida que custa. Quer dizer não custa assim tanto, custa um bocadinho e passa. Eu vou fazer redacções, ele vai fazer não sei o quê: pouco importa. Importa que durante uns momentos estivemos juntos. Agora interrompi esta crónica porque fui lá dentro espreitar o Santo António antes de lhe pôr o ponto final.

Que pena um ponto final ser tão pequenino.

Wednesday, May 12, 2010


da minha boca não sai a palavra,

que roda e roda na garganta,
já não estou expectante,


mas sim pronta a tragá-la.

só os ouvidos tolos
esperam a palavra sonhada.

mas se me apetecer,

e a palavra continuar a existir,
posso com imaginação
torna la um desenho.


só depois verbalizo.

mais tarde,


ouço a, toco e engulo a,
como louca...
é a palavra de dentro,


da alma, do coração.

chama se
grito,


sincero.
nunca mentira!

Monday, May 10, 2010

Boa semana!



Se cuidas de mim, eu cuido de ti também. [Tiago Bettencourt ]

uma frase simples que se pode aplicar à família, ao planeta, ao vizinho do lado, ao animal de estimação…e tantas outras coisas.

esta semana, dedica te a cuidar de algo ou alguém especial!

fica o convite...

boa semana!

Thursday, May 06, 2010

Monday, May 03, 2010

Só há pedófilos entre os padres?_Inês Pedrosa



Dos políticos pedófilos é proibido falar. Bendita prescrição.

Há uma coisa que eu nunca poderei perdoar aos políticos: é deixarem sistematicamente sem argumentos a minha esperança", Miguel Torga, "Diário", 14 de Novembro de 1985.
De repente, parece que o crime de pedofilia é um exclusivo dos sacerdotes da Igreja Católica. Não haverá pedófilos em nenhuma outra religião? E que dizer das religiões - como o islamismo, em diversos países do Médio Oriente - que não só pactuam como aprovam o casamento forçado de meninas com velhos? Ou o crime de pedofilia, desde que consignado pela lei, deixa de ser crime?
Critica-se o Vaticano por não fazer um acto de contrição suficientemente claro quanto aos crimes dos seus membros. Não entendo porque teria a Igreja de pedir desculpa por crimes que nada têm que ver com a instituição enquanto tal. A religião católica condena a pedofilia, como aliás todos os crimes contra as pessoas, sem olhar a credos ou raças. Nem todas as religiões defendem os direitos humanos em absoluto - mas a Igreja Católica do século XXI defende-os. A história é um longo estendal de crimes imperdoáveis - se nos fixarmos nela, não encontraremos um só período, até ao século XX, em que as pessoas tenham sido consideradas todas igualmente dignas. Ainda hoje, em largas partes do mundo, as mulheres, as crianças ou os pertencentes a etnias diferentes da maioritária são tratados como lixo. A famosa Grécia Antiga era um território de senhores e escravos e uma civilização que oprimia barbaramente as mulheres. Sempre que se fala de pedofilia surgem conversas tão eruditas quanto insidiosas sobre as relações íntimas de aprendizagem entre homens e rapazinhos na Grécia Antiga - como se as iluminações mentais de uma plêiade de filósofos pudessem justificar o injustificável. O brilhantismo de Heidegger não chega para perdoar o nazismo - antes pelo contrário: é importante pensarmos como pode uma cultura subir tão alto e descer tão baixo em simultâneo. A cultura alemã, como a civilização grega, são excelentes campos de análise sociológica, política e filosófica. Como puderam os espíritos criadores da ideia democrática de polis considerar a cidadania como um privilégio dos supostamente mais aptos? De que modos não vigora ainda hoje este entendimento do mundo?
A mensagem de Cristo é precisamente a oposta - e se é verdade que a Igreja Católica tem um modo hierárquico e ostentatório de ser e de viver que em nada se coaduna com o modo de viver de Cristo ou a palavra dos Evangelhos, não é menos verdade que é ela quem hoje está, muitas vezes só, junto dos desvalidos. Se assumisse a culpa pelos crimes de pedofilia de um conjunto dos seus elementos, a Igreja estaria a sujar a imagem desses seus outros milhares de padres que se entregam a tornar felizes os que nada têm.
Entretanto o julgamento da pedofilia na Casa Pia eterniza-se. Esta semana surgiu a notícia de que uma das vítimas, transformada em mera testemunha porque os abusos de que foi alvo já prescreveram, ameaçou fazer justiça pelas suas próprias mãos contra os arguidos. Notícia sem alarde - talvez porque o presumível autor dos crimes de pedofilia já prescritos é, segundo o "Diário de Notícias", uma "figura do Estado", cujo nome o Tribunal impede que se revele. Não entendo porque razão hão-de prescrever estes crimes - nem, aliás, quaisquer outros. A pedofilia é um crime que se exerce sobre crianças, ou seja, seres frágeis e totalmente desprovidos de poder. É um crime de que a vítima muitas vezes acaba por se sentir cúmplice, e que afecta irreversivelmente a sua identidade e a sua vida. A prescrição, em particular neste crime, representa conivência da lei com o criminoso. A mensagem é a de que, passado um tempo, não há sequelas nem razão para se falar de crime. A revolta desta vítima remetida à brutalidade do papel de testemunha é a prova de que assim não é - e o silêncio obrigatório em torno da "figura do Estado" demonstra quem e o quê está a proteger a Lei: o poder e os poderosos. As ameaças da vítima foram relatadas ao procurador pelo próprio psiquiatra, que teve a coragem de enfrentar o paciente e avisá-lo de que o iria fazer (condição necessária para a quebra do sigilo profissional). Se todos os psiquiatras tivessem esta coragem, haveria certamente menos crimes. Mas enquanto se admitir a prescrição deste crime tenebroso, os pedófilos continuarão impunes. E a culpa não é da Igreja - é dos políticos, que fazem leis para proteger, antes de mais, os seus correligionários. Não há pedófilos e pedófilos: todos são criminosos. É mais que tempo de sairmos da Grécia Antiga.

Sunday, May 02, 2010


a todas as mães,
mas em especial à minha
Feliz dia da Mãe!

Friday, April 30, 2010

caminho ZEN_Thich Nhat Hanh


Se você é poeta, vê claramente uma nuvem em um papel em branco. Se não existir a nuvem, a chuva não cai. Se não cair a chuva, a árvore não cresce. Se não cresce a árvore, não se faz papel. Então, podemos dizer que o papel e a nuvem se encontram em interexistência. Se observarmos mais profundamente o papel, veremos nele a luz do sol.
Sem a luz do sol, o mato não cresce. Ou melhor, sem ela, nada no mundo cresce. Por isso, reconhecemos que a luz do sol também existe no papel em branco. O papel e a luz do sol encontram-se em interdependência. Se continuarmos observando profundamente, veremos o lenhador que cortou a árvore posteriormente levada à marcenaria.
Veremos também o trigo no papel. Sabemos que o lenhador não pode existir sem o pão de cada dia. Por isso, o trigo, a matéria-prima do pão, também existe no papel. Pensando desta maneira, reconhecemos que um papel branco não pode existir quando faltar qualquer um destes elementos. Não posso citar nada que não esteja aqui, agora. O tempo, o espaço, a chuva, os minerais contidos no solo, a luz do sol, as nuvens, os rios, o calor... Tudo está aqui, agora. Não podemos existir sozinhos.
Este papel branco é totalmente constituído de "elementos que não são papel". Se devolvermos todos os "elementos que não sejam papel" à sua origem, o papel deixará de existir. O papel não existirá se forem tirados os "elementos que não sejam papel". O papel, em sua espessura fina, contém tudo do universo. Nele, não há nada que não exista em interdependência. A inexistência de elementos independentes significa que tudo é satisfeito por tudo.
Temos que existir em interexistência com os demais, assim como um papel que existe porque todo os demais elementos existem.

Wednesday, April 28, 2010

never give up!


um amigo ofereceu me este selo. E passou me a mensagem de que nunca devo desistir da vida.


O selo vem acompanhado de umas regras, tais como responder a umas perguntinhas.
1-Dois defeitos:
sou muito teimosa.
penso tanto, mas tanto…que sofro muitas vezes por antecipação.
2-Duas qualidades:
a minha teimosia!
gosto sempre de fazer aos outros o que gostava que me fizessem a mim.

3. Uma música que seja( ou esteja a ser) a banda sonora da minha vida:
One dos U2.
é a minha musica nos bons e maus momentos.

4-Por fim, dizer uma frase ou pensamento que uso como lema...

Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te pesa sobre os ombros e te verga ao encontro da terra, deves embriagar-te sem cessar.
Com vinho, com poesia, ou com a virtude.
Escolhe tu, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala; pergunta-lhes que horas são:
São horas de te embriagares.
Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem descanso.
Com vinho, com poesia. Ou com a virtude.
[Charles Baudelaire]
a outra regra é passar o selo....
eu ofereço a quem me lê e o queira levar!

Tuesday, April 27, 2010

e hoje faço 36 anitos!





uma nota de bom humor!
e
a musica da Sinead o'Connor é a minha prenda para quem aqui passa,
obrigada por me lerem!

Sunday, April 25, 2010

Liberdade!






lembrem se que,
A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada.



Friday, April 23, 2010

coisas de que gosto no feminino

um filme








um poema

As mulheres voam
como os anjos
Com as suas asas feitas
de cristal de rocha da memória
Disponiveis
para voar
soltas...
Primeiro
lentamente uma por uma
Depois,
iguais aos passaros
fundas...
Nadando,
juntas
Secreta a rasar o
chão
a rasar a fenda
da lua
no menstruo
por entre a fenda das pernas
Às vezes é o aço
que se prende
na luz
A dobrarmos o espaço?
Bruxas
pomos asas em vassouras
de vento
E voamos
Como as asas
lhe cresciam nas coxas
diziam dela
que era um anjo do mar
Rondo alto,
postas em nudez de ombros
e pernas
perseguindo,
pelos espaços,
lunares
da menstruação
e corpo desavindo
Não somos violencia
mas o voo
quando nadamos
de costas pelo vento
até à foz do tempo
no oceano denso
da nossa própria voz
Sabemos distinguir
a dormir
os anjos das rosas voadoras
pelo tacto?
Somos os anjos
do destino
com a alma
pelo avesso
do utero
Voamos a lua
menstruadas
Os homens gritam
- são as bruxas
As mulheres pensam
- são os anjos
As crianças dizem
- são as fadas
Fadas?
filigrama cintilante
de asas volteando
no fundo da vagina
Nadamos?
De costas,
no espaço deste século
Mudar o rumo
e as pernas mais ao
fundo
portas por trás
dobradas pelos rins
Abrindo o ar
com o corpo num só golpe
Soltas,
viando
até chegar ao fim
Dizem-nos
que nos limitemos ao espaço
Mas nós voamos
também
debaixo de água
Nós somos os anjos
deste tempo
Astronautas,
voando na memória
nas galáxias do vento...
Temos um pacto
com aquilo que
voa
- as aves
da poesia
- os anjos
do sexo
- o orgasmo
dos sonhos
Não há nada
que a nossa voz não abra
Nós somos as bruxas da palavra

[Maria Teresa Horta]





um livro




um texto



alguém roubou uma tecla ao piano, sentiu, de súbito, o seu coração dividido, uma nota que um ladrão roubara dessa carreira ________ ouviu-se um som plangente.
Se não levou toda a carteira, evaporou-se aquela parte da melodia nas mãos de alguém. E o piano perdeu o seu fragmento de potência. Não ergue mais todo o falo, foi o que sentiu o desvario da mulher _________ e desejou que a tromba do elefante se levantasse, e fosse procurar o cavalo derrubado no mar, onde vivia, à tona, um bando de noctívagos que consumiam ansiedade e pobreza. A nota estava com eles. Para que fossem destruídos pela fome ancestral/angélica que traziam no ouvido.
Uma tecla musical desaparecida corresponde a urna pessoa sem vista para quem vê. Essa moeda de olhar cego,
onde brilharia? Onde estava o cego?
À distância a que se encontra a mulher de outrora da mulher da noite obscura. Na esquina de uma rua, a vender doces de solidão.
— Quem quer doces da noite obscura? — apregoava. — Aí estava o cego, à margem das páginas que, à sua volta, se suicidavam.
Apregoava: «Doces da noite obscura. Doces de solidão».

E muitos jantavam unicamente esses doces, sem nenhum gosto, a não ser o da noite que os guiava ________ a alguns, muito poucos.
[maria gabriela llansol]



uma paixão


uma frase



Vontade de mergulhar sem oxigénio no oceano e entrar no colo das ondas.
Andreia- A menina dos olhos de água


uma musica







Wednesday, April 21, 2010

Somos um pequeno e desgraçado país_Clara Ferreira Alves


Temos uma elite sofrível e uma classe política sem cultura política nem histórica.

Somos um pequeno e desgraçado país. Não somos pequenos e desgraçados porque sempre fomos; afinal, não somos o Haiti, não somos a Bolívia, não somos a Serra Leoa, não somos o Uganda, não somos a Moldávia, não somos a Guiné; não somos assim porque nos fizeram assim, não fomos colonizados, não descendemos de escravos, não fomos deportados, explorados, invadidos, vencidos. A União Soviética não nos pisou com bota cardada e a Alemanha não nos ocupou. Tivemos um ditador e tivemos a revolução sem sangue e a criação da democracia e dos partidos. Tivemos os fundos europeus e a absorção de um milhão de retornados. Tivemos colónias, ouro, escravos e uma história que não nos envergonha. Temos uma longa e estabelecida nacionalidade. Temos a coragem e o génio de ter escapado a Castela. Temos a miscigenação, a lírica e a épica. Temos as descobertas e a geração de Aviz. Temos uma identidade e uma cultura, temos uma língua falada por milhões. Temos 800 km de praia e sol.
Temos muitas razões para sermos felizes. E não somos. Somos um pequeno, desgraçado e deprimido país que se queixa por tudo e por nada, que se detesta e detesta o sucesso alheio, que aniquila a qualidade e promove a incompetência, que deixou que a administração pública fosse tomada de assalto por parasitas partidários, por gestores imorais e por políticos corruptos ou que fecham os olhos e promovem a corrupção como forma de manutenção do poder. Somos um país sem esperança onde nada avança e nada acontece, como escrevia o poeta Ruy Belo.
Sai-se da pátria e regressa-se à pátria e as notícias são as mesmas; é como se o mundo girasse e nós parados. À espera do apocalipse. Tudo nos diz que amanhã será pior e toda a gente nos pede mais sacrifícios, mais penúria e mais infelicidade. É impossível levantar um país de vencidos ou convencê-lo a fazer alguma coisa por si. Leio as notícias sobre o extraordinário salário de António Mexia, da EDP, os 3,1 milhões anuais, e penso o que pensa uma pessoa normal: não vale a pena. Os velhos morrem de frio no Inverno porque não têm dinheiro para pagar "a luz" e o senhor energia tem um salário igual ao dos melhores 200 gestores americanos. Numa empresa falsamente privatizada que floresce num regime de monopólio e em que o Estado é o maior accionista. E aquilo é o salário, fora os benefícios e os cartões. Fora as reformas e as pensões. A permanente resignação perante a imoralidade é que nos torna passivos, fracos, assustados, irresolutos e cúmplices da delapidação do nosso dinheiro. E um governo socialista autorizou isto e promoveu isto. E pior do que isto. Não se trata de premiar o mérito, trata-se de premiar a estupidez. Porque deixamos isto passar.
Imagine-se que nos acontecia uma verdadeira desgraça. Quando Wall Street veio por aí abaixo eu estava em NY e fui a Wall Street. Vi banqueiros e financeiros saírem de cabeça coberta por jornais a meterem-se nos buracos do metro, envergonhados. Insultados. O mundo pensou que era o fim do seu mundo. Que o sistema capitalista tinha acabado. Etc. O capitalismo não acabou, nem vai acabar. Regenerou-se no que foi obrigado. A linguagem e a política que Obama adoptou tiveram efeitos. A América sai da crise, com os seus desempregados. A seu modo, brutal, corrige as falhas. Ali, a política ainda conta e o sistema de justiça funciona (com erros e defeitos) e faz funcionar a democracia. Acima de tudo, os americanos acreditam na América e têm o optimismo do copo meio cheio. A América, um grande e engraçado país, não perde tempo em lamúrias. Já se fazem piadas sobre o 11 de Setembro e sobre o crash das bolsas e dos bancos. A América reconstrói-se todos os dias e recomeça. Analisar a vitória política de Obama com o seu Plano de Saúde é uma lição de política, tanto para os republicanos como para os democratas.
A América é um país que corre para a excelência e que rejeita a mediocridade. E a um ciclo de mediocridade segue-se um de excelência porque a rota corrige automaticamente. O sistema autocorrige-se na passagem do tempo. As torres que vão surgir no WTC serão as mais altas do mundo. Esta dose de megalomania é saudável porque toda a gente precisa de símbolos e de modelos. Em Portugal, deixámos de ter símbolos e não temos modelos. O português mais influente é um jogador de futebol. O segundo mais influente é um treinador de futebol. E ponto final. Temos uma elite sofrível e uma classe política sem cultura política nem histórica ludibriada por autodidactas ou por rapazes com cursos tirados no estrangeiro que chegam a Portugal com um objectivo: enriquecer. Enriquecer à sombra do partido, do padrinho na banca e do Estado. De nós. E a justiça trata de si e dos seus privilégios. Somos um pequeno e desgraçado país.

Tuesday, April 20, 2010

Parabéns Avó!

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventuraÀ medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

[Soneto de Aniversário-Vinicius de Moraes]




a minha avó faz 76 anos!
sei que não vai ler isto
nem sequer vai saber da existencia desta pequena homenagem
sei também que não sou muito de dizer o que sinto
mas...
gosto de ti Avó!

Sunday, April 18, 2010

o importante é ser não parecer!

hoje estou acida

o suficiente para me rir.

procuro no dicionário novas palavras já velhas.sem vergonha.

numa conversa para poder dormir.

que interessa a roupa que compramos só para parecer.

ser parecido com aquele/aquela.o estilo deve ser próprio.o nosso.

prefiro ter dinheiro para comer sushi.

luz para ler.

mesmo que texto mais tarde seja para ignorar.

sempre me distrai.
já não tenho paciência para aturar vaidades.

assuntos vazios.

que hoje em dia escorrem e escorrem nas conversas.

haja palavras para criar.

mas não para esconder.

que ainda existam dois seres, ainda que estranhos, sentados à mesa a conversar.

sem medo de pensar.
que temos nós a aprender com estes dois?

que há muito ainda por conhecer de valioso e perene no tempo que já passou e na vida que há para viver.

e que existam muitos momentos assim...sem medos...puros... animados e sem angústias...

em que ser ainda é muito mais importante que parecer!




os teus seios tem um toque estranho....
oh!é pq são naturais.
(Steve Martin e Sarah Jessica Parker in "Viver e amar em LA")

Friday, April 16, 2010

Tuesday, April 13, 2010

in «Penitências de Um Ser no Anonimato» de «Francisco»


Simplesmente

Nascemos.
Nascemos humanos, de carne e osso,
com esta terrível responsabilidade
que é ter de carregar, sobre os ombros, glaciares.

Simplesmente

Carregamos glaciares e vivemos.
Vivemos no meio de tanta solidão,
no meio de tantos, no meio de nós.
Vivemos e, por vezes, não acreditamos.

Simplesmente

Por vezes não acreditamos,
e somos mais do que alguma vez
julgámos ser possível.
Somos muitos.
Somos braços, pernas, olhos,
somos nada.
Somos as canções e o desespero.
E no final somos oceano.

Simplesmente

No final somos oceano.
Estamos por aqui e viajamos
neste mistério.
E temos coragem.
Temos coragem de assumir
as fraquezas e com elas
definir caminhos.
E seguimos em frente.

Simplesmente

Seguimos em frente.

um bjo



não resisti e publico o comentário do Francisco ao meu post anterior.
só lhe posso dizer que sem o conhecer gosto muito dele
e que o meu abraço muito apertado hoje é para Ele.

Sunday, April 11, 2010

simplesmente

gostava de nunca ter nascido.

Saturday, April 10, 2010

Thursday, April 08, 2010

dark hands


palavras,

soltas

ou simplesmente vãs,

palavras

umas dispensáveis,

outras que se acumulam e se tornam banais

tais como eu são as palavras

imprudentes,

inverossímeis

insensatas,

terminais.

eu como elas,

sou palavras caladas

mas que ferem.

mostro o meu sentido

oculto do ser.

falho em muitos acto.

são pequenos instantes,

em que as minhas mãos sujas

fojem do mais puro.

sigo... perante a ausência,

deixando rastros da palavra liberdade.

ao longe percebo,

reflito.

e fico calada.

Wednesday, April 07, 2010

infiel ponto com_Pedro Rolo Duarte

Em Novembro passado, o i publicava a noticia: O site gleeden.com apresenta-se como um “jardim de felicidade” e já são 1500 os portugueses inscritos neste portal dedicado às pessoas casadas que querem ser infiéis, mas de uma forma discreta”. Prometia-se então que, depois de passar a versão beta, “os interessados poderão encontrar parceiros disponíveis para uma aventura extraconjugal. Dos 1500 portugueses já inscritos, 65% são homens e 35% são mulheres. O facto de o site não ser gratuito não parece ser impeditivo para os interessados numa relação fora do casamento”.
A última barreira abateu-se: até para a infidelidade a Internet encontrou facilidade de acesso, rapidez de execução, eficácia na concretização. Podem os conservadores vir falar dos tempos modernos e do fim da ética e da moral, podem as igrejas continuar a pregar no deserto, podem os teóricos construir teses sofisticadas sobre o mundo moderno. Nada ultrapassa a simplicidade dos factos: há um problema? Há uma fronteira para ultrapassar? Há uma dificuldade para vencer? Falta-lhe qualquer coisinha? Alguém, a esta hora, num qualquer canto do globo, está a tratar do assunto. Não tarda e aí estará o site que vai tornar banal o que antes era incomum.
A Internet é o maior facilitador da vida – no que isso tem de deslumbrante e útil, mas também de perigoso e falso. É um pouco como crescer a comer hambúrgueres – não há duvida de que é prático, mas no dia em que um bife nos aparece à frente, não sabemos o que fazer com aquele bocado de carne e é muito provável que tenhamos problemas de resistência nos dentes. Para tudo, na vida, tem havido equilíbrio – excepto para a Internet, avassaladora na sua criatividade, imaginação, no seu caos e felicidade, na sua reinvenção diária.
Foi nisso que pensei quando li aquela notícia – bolas, já nem para ser infiel é preciso trabalho, estratagema, um guião bem afinado, um novelo bem enrolado. Nada disso. Um click, uma password, e navegamos na infidelidade controlada. Por pouco, combinada com o cônjuge, já agora podem enganar-se em dias certos, sempre se poupa qualquer coisa...
Não consigo conceber facilmente a ideia de infidelidade – e nisso parece que sou antigo. Mas consigo menos ainda conceber a traição com “profile” incluído e cartão visa em site devidamente protegido. No meio de tanta felicidade ao alcance de um click e de uma password, onde fica o velho e bom lugar do talento, do saber, da aprendizagem?
Ser infiel dá tanto trabalho como ser fiel - porque ambas as condições exigem dedicação, vontade e às vezes algum esforço. Pedem sabedoria, na verdade e na mentira, na escolha daquilo que queremos para a nossa vida, e na metódica dedicação à causa. Há anos que alimento a ideia simples de que a infidelidade não compensa – bom é estar com quem se gosta enquanto se gosta, e não ter medo de mudar de vida quando se deixa de gostar. É mais fácil de dizer do que de fazer – mas quando se faz e se persiste, tem compensações evidentes. Dorme-se mais tranquilamente. É-se mais feliz. E mesmo na infelicidade consegue-se paz, que é um dos bens mais preciosos da vida. Não me tenho dado mal com o princípio.
Talvez por isso me tenha chamado a atenção a notícia do site que promove a infidelidade de forma prática, discreta e eficaz. Tenho vontade de me inscrever e passar a mensagem aos sócios: em vez de trair a sua mulher (ou o seu marido), já pensou em tentar ser feliz? Sabe que pode divorciar-se e ter o mundo todo pela frente? Não é tão fácil, talvez, mas é muito melhor. E nem precisa de password.

Monday, April 05, 2010

coisas de que gosto

um texto
A fidelidade (...) é a mais integral de todas as virtudes humanas. O homem participa numa batalha e, sem a fidelidade, não conhece a sua luta; apenas usa da violência, interpreta uma vontade, é instrumento de uma opinião. A fidelidade move-o desde a sua origem, é a primeira condição da consciência. Não se efectuam coisas novas sem fidelidade. Não se engrandece a piedade ou se priva com o mais simples sentimento, sem a fidelidade. Uma acção progressiva tem que ter raízes tumulares, raízes naquilo que encerrámos definitivamente - uma era, um conhecimento, uma arte, uma maneira de viver. A fidelidade, disse eu, assegura-nos o tempo de criar e o tempo de destruir o que se tornou inconforme à imagem do homem. Nada é digno de valor, sem fidelidade.[Agustina Bessa-Luis]
um filme

(eu adoro Woody Allen)

uma frase
As grandes tempestades não duram muito assim como as grandes felicidades não são eternas.[proverbio judaico]
um momento
um poema
Não toques nos objectos imediatos.
A harmonia queima.
Por mais leve que seja um bule ou uma chavená,
são loucos todos os objectos.
Uma jarra com um crisântemo transparente
tem um tremor oculto.
É terrível no escuro.
Mesmo o seu nome, só a medo o podes dizer.A boca fica em chaga.
[Herberto Hélder-Não toques nos objectos imediatos]
um livro

uma musica


Sunday, April 04, 2010

Thursday, April 01, 2010

sou filha de Abril

Abril é o meu mês!
Façam o favor de serem felizes....


Tuesday, March 30, 2010


eu sou fragil
mais fragil do que penso.
agarro me ao meu sangue para permanecer aqui.
mergulho
de
cabeça
no
silêncio.
o meu
silêncio
é minha forma de falar.
por isso sei
que tenho um silêncio
para te mostrar.

Monday, March 29, 2010

hard message


devia ser assim tão simples...

Thursday, March 25, 2010

divagações sobre cerejas

a maioria de nós não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
é bom beijar?e na boca?
claro que é!
mas
e lá vem o mas, se não houver compromisso.
e passar o tempo a sair com amigos também é muito bom?
claro que sim. afinal somos independentes.
o pior é que
todas as acções têm uma reacção.
viver amizades coloridas
como tudo na vida é bom e mau.
não há somente a cereja em cima do bolo,
como dizem os tribalistas: beijar de língua, namorar e não ser de ninguém.
continuo a achar que é sempre melhor comer a cereja, mas ter o bolo todo e, nele, os ingredientes como: o famoso telefonema no dia seguinte, o saber que o outro está la quando nós precisamos, o enroscar na cama...
mas como nem sempre temos o que queremos são cada vez mais as amizades coloridas,
relacionamentos, em que ninguém se pode queixar de nada.
se uma das partes desaparece uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não é um namoro.
no fundo, dizemos que existe liberdade, mas o que existem são relações unilaterais. somos livres para optar.
ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. é ter coragem, de se ser autêntico e viver um sentimento...
é arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade.

Tuesday, March 23, 2010

100 anos_ Akira Kurosawa


Um homem é um gênio quando está sonhando.
[Akira Kurosawa]

Sunday, March 21, 2010

Viva a Poesia!Viva os Poetas!

a suavidade do tempo
ou mesmo do contratempo.
mãos que dedilham,
em busca de sonoridade.
acordes da vida,
harmonia.
música...
claves muitas,
mas quantas notas se perdem,
ao toque mais suave,
fazendo descobrir e sentir
tons que arrepiam.
oiço,
sons
sempre em consonância com o tempo...
certo.
compassos, bemóis...
vibratos e sustenidos.
por vezes,
pausas
na dissonância
em que perco o tom.
versos em fios submersos
na ascensão
das notas dadas em tantas noites.
na partitura da saudade
o meu alento
é o ritmo que me embala.
busca diária
da
melodia distante
presente nos sonhos,
na musicalidade de novamente
me encontrar no tom!

Thursday, March 18, 2010

o que eu preciso

preciso da eterna coragem de subir
de descobrir até onde vai o que me move.
que a minha coragem se mostre
de ser e fazer
e que as minhas costas
que me protegem
também me aguentem
e me façam olhar sempre em frente
antes de tudo.
é o que eu preciso!

Tuesday, March 16, 2010

Não sei se volteio
Se rodopio
Se quebro
Se tombo nesta queda
em que passeio
Não sei se a vertigem
em que me afundo
é este precipício em que me enleio
Não sei se cair assim me quebra...
Me esmago ou sobrevivo
em busca deste anseio.
[Maria Teresa Horta]

Sunday, March 14, 2010

Irmãos_José Luís Peixoto

Em 1998, eu ainda morava em Coimbra. Comprava pão na padaria que ficava ao fundo da rua, comprava o jornal num quiosque, debaixo de uma arcada, onde o dono estava sempre a falar de motas. Agora, recordo-me desses anos como uma espécie de série antiga, o Dallas, a Dinastia, com a diferença grande de o Bobby, o J.R. ou a Sue Ellen serem pessoas que existem, que têm a sua própria memória. Num ano, a vida pode mudar radicalmente. Em dez anos, a vida pode transformar-se noutra vida. No entanto, as árvores crescem indiferentes, continuam no Jardim da Sereia, a respirar sobre a Praça da República. Entretanto, a minha sobrinha, criança que nasceu numa noite de sexta-feira, tem 22 anos e termina o curso em Coimbra, numa cidade que, de certeza, é bastante diferente daquela em que vivi durante dois anos. Entretanto, o meu filho, nascido na Maternidade Daniel de Matos em 1997, tem crescido, cruzando-se com as minhas memórias, mas sem as reconhecer.
O meu filho mais pequeno, nascido em Cascais em 2004, quer sempre ir comigo buscar o mano. Primeiro, existem duzentos quilómetros em que vamos sozinhos. Temos conversas longas sobre gormitis ou skates de dedos. Pode também pedir-me para pôr um CD de música assustadora, que é como ele chama ao heavy metal. Entre os seus preferidos, encontram-se os primeiros discos de Obituary. Depois, chega o meu filho mais velho, com a sua mochila do Benfica, a roupa passada e dobrada, e existem duzentos quilómetros em que vou calado a ouvi-los e a espantar-me com as expressões que utilizam.
Eu, que fui filho, sou agora pai. Imagino todo o mistério que eles vêem quando olham para mim e carrego aquilo que eles não sabem, que é melhor que não saibam. E, muitas vezes, quando lhes conto alguma história minha, explico-lhes que aconteceu antes de terem nascido. Eles olham-me desde a sua idade e não estranham que existisse mundo antes de terem nascido. Já eu, que tenho esta idade, estranho quase tudo.
O mais velho joga ténis, faz vela no Mondego e faz parte da única equipa portuguesa de lacrosse. Eu também nunca tinha ouvido falar nesse desporto americano que se joga com um bastão que tem uma rede na ponta. Quero ouvir, quero saber todas as regras para acreditar que também jogo quando ele joga. Misturado com isto, por baixo disto, eu e a mãe dele estivemos na sala em que nasceu, o seu rosto pela primeira vez. Vimos a enfermeira afastar-se com ele para limpá-lo, não desviámos o olhar por um único instante e, depois, vimo-la voltar e pousá-lo nos braços da mãe. Agora, ouve Green Day.
Muito explicado, o mais pequeno conta episódios dos pequenos da escola dele, que têm quatro anos; dos bebés, que têm três anos; e dos grandes, que têm seis anos, respeitinho. Também ele tem as suas actividades extra-curriculares: o judo, a natação. E, às vezes, diz palavras em inglês, que aprende uma a uma, semanalmente: tree, beautiful, cat. Conta também detalhes das explicações do educador, a quem chama “tio”. Eu e a mãe dele chegámos ao hospital antes das seis da manhã. Nasceu doze horas depois. Ao lado dela, eu não sabia o que fazer. Ela, com dores, a fechar os olhos, a respirar, não podia fazer nada. Nasceu muito sério. Agora, ouve e canta Xutos e Pontapés. Por insistência dele, fomos todos, mano incluído, assistir ao concerto do Estádio do Restelo. Dormiu no meu colo durante a maior parte do tempo.
Sou eu que os junto, é essa a minha tarefa. O mais velho defende o mais pequeno. Perde de propósito em jogos de playstation. O mais pequeno tem uma cegueira imensa pelo mais velho. Nada do que ele faça pode estar errado. Eu sou a testemunha disto. Sou o pai. Respondo às perguntas que me fazem, dou autorização para irem lá ao fundo. O pai deixa, diz um deles.
Sou também eu que os separo. Depois de dois dias inteiros juntos, a dormirem na mesma cama, a acordarem ao mesmo tempo, sou eu que guardo a roupa suja na mochila do Benfica. Sou eu que carrego os presentes no carro. Depois de filmes no cinema em que eles decoram cada pormenor, depois do pequeno se divertir a lutar contra a minha sombra, depois de comermos crepes com chantilly, depois de eu reparar que o mais velho está quase da minha altura, chega a hora, fim da tarde de domingo, e peço-lhes para darem um abraço. Eu sou o pai a olhá-los, mas, por dentro, em segredo, sou também um menino de cinco ou doze anos que gostava de ser irmão deles.

eu adoro este texto que me faz cair as lagrimas...sempre e sempre que o leio.

na sorte que é ter um irmão.eu sinto que ao ter o MEU irmão nunca estarei sozinha, não sei se me percebem?
sei que terei alguém que gostará sempre de mim. ok, pensam vocês, também é irmão dela se ele não gostar quem é que gosta?!
este amor, continua a ser o único em que acredito que há almoços de borla, porque existe alguem, o meu irmão, que me quer ver bem se possivel melhor do que ele, e porque o contrario é também verdadeiro.
não trocava o meu irmão por nada nem por ninguém.
pelo meu irmão morria.agora.já.

e porque há coisas que devem ser ditas...em que não devem haver dúvidas...aqui confesso que a pessoa que mais amo no mundo é o meu irmão.

Thursday, March 11, 2010

coisas que gosto

um filme





um texto

Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.[Fernanda Mello]


um momento



uma frase

A verdadeira amizade, assim como a vinha, é uma planta que se desenvolve lentamente, e que e transforma em mais do que uma mera vivencia[George Washington]


um livro


um poema

o céu é aquela clareira
onde deito os olhos com ténues
cambiantes de cor que quase
gasto nas mãos, e como. como
o céu e aguardo uma
digestão convulsa. enquanto
o aguaceiro seca na terra antes que o
possa beber e deus se
vinga de mim ditando
os versos que escondem
a água ao mundo. já as
fogueiras florindo em volta,
murchando o dia que me
persegue. uma intervenção
divina para me resistir
[valter hugo mãe]

uma musica


Sunday, March 07, 2010


dias são dias.

e há dias em que sinto falta das palavras.
nesses dias
o vazio é enorme.
lá vou eu buscar os meus livros,que são a minha casa, o meu porto seguro
sempre repletos de palavras,que me fazem suprir a carência que tenho delas.
procuro em Pessoa, Quintana, Sophia,Mourão Ferreira ou Vinicius.

mas fico sempre entre duas brilhantes mulheres....
é a Cecilia que me diz que morrerei por idades imensas, até que não terei mais medo de morrer e só então serei eterna.
mas também sei que não é o que procuro. medo de morrer não tenho.não quero é a eternidade.
ou é a Clarice que me diz que a única verdade é que vivo.sinceramente, eu vivo.quem sou?bem, isso já é demais....
mas também sei que ainda não é isso que procuro.não sei se vivo, mas sobrevivo aos dias...sei que não sei quem sou e que talvez seja melhor assim...

pois o que eu procuro é apenas uma palavra que ficará para sempre na minha pele.

qual será ela?

a busca deve continuar?

Wednesday, March 03, 2010

não, não morri mas também não sei se estou viva

já nem as metáforas são suficientes
e as palavras preferem que eu não as pronuncie.
a concentração não existe....
quando não se sabe porque a dor insiste,
ou pior quando não se sabe porque doi,
tudo é alheio e estéril.
perdi o riso e se calhar o rumo,
uma dor de viver
e a tal tristeza
que não derrama lagrimas,nem de nada,
é uma tristeza enraizada,
que não me larga,
e me rouba a graça.
estou cansada.
muito cansada.

Wednesday, February 24, 2010

coisas de que gosto no feminino

um poema
Não voltei a esse corpo; e não sei
se aqueles que o vestiam antes e depois
de mim souberam nele o verdadeiro calor
e lhe conheceram os perigos, os labirintos,
as pequenas feridas escondidas. Não voltarei
provavelmente a sentir a respiração
palpitante desse corpo, desse lugar onde as ondas
rebentavam sempre crespas junto do peito, do meu peito
também, às vezes.
Uma noite outro corpo virá lembrar essa maresia,
o cheiro do alecrim bruscamente arrancado à falésia.
E eu ficarei de vigília para ter a certeza de quem me
recolheu,
porque os cheiros tornam os lugares parecidos, confundíveis.
Quando a manhã me deixar de novo sozinha no meu quarto
trocarei os lençóis da cama por outros, mais limpos.
[Maria do Rosário Pedreira]
.
um livro

um filme



um sentimento

uma musica

um texto

não respondo aos dias sem alvoroço, aos dias de ninguém. com um ar absorto, deixo o incómodo que consome essas manhãs. tudo acontece num tempo hostil, cheio de movimentos, onde a chuva ácida caminha lado a lado com a minha presença, em sonhos vindos dum fruto, derramando uma luz inconsistente. o cansaço aliado às mil exaltações inquietas, numa aventura de voltar a colher flores, ver de novo os pássaros prometerem dar vida às árvores, que teimam morrer, na clara afirmação extrovertida de promessas de vida.a lucidez do olhar atravessa a distância e espera o bater duma porta. [Lena Maltez]

Monday, February 22, 2010

o "as velas ardem sempre até ao fim" faz 4 anos!


Parabéns a Vocês que aqui passam e me mantêm a arder !
O Velas é um pequeno pedaço da nossa conversa infinita, sem as convenções diárias do adeus ou dos beijos virtuais porque do dicionário da amizade não constam as palavras obrigação ou despedida.

Friday, February 19, 2010



Vestimos camisolas negras para ir ao enterro do outro
e um ano depois já nem nos lembramos da cara do outro.
Vestimos camisolas negras porque, graças a Deus, não vamos ao nosso enterro,
mas simplesmente assistir à cerimónia da lembrança da Morte.
E é assim que se vive, porra. C'est comme ça, merde.
A gente depena-se de preto, solta negritudes penas, de branco fica mal,
de branco nasce-se. De branco fornica-se.
Jamais de noir.
(Não sorrias...não sorrias...és tu o próximo do lado de fora observando
os outros observando-te.)
E é assim que se morre. Que se falece. Fenece. Caindo em túrbido esquecimento.
Quem se lembrará ainda do rosto do outro?, o morto? Ninguém, por Deus, nem eu.

[Lembrança-xangri_lah]

Sunday, February 14, 2010

este texto é resultado da febre que tenho desde ontem

o silêncio está a fazer muito barulho.
ouço o silêncio. estou sozinha.

shiuuuuu....nenhum ruído.

devo esconder me??sim para ele não me apanhar para sempre!

ao longe ouço um telefone que toca ...mas o meu está desligado.

será que é na minha cabeça que passam músicas?

ai, é...é.e muitas. de muitos ritmos.

dor de cabeça.

sendo assim escondo me!

Friday, February 12, 2010

Não nos podermos fechar em redomas com medo do frio da vida, sob pena de não percebermos o que é o calor.
[valter hugo mãe]

(ler a entrevistado escritor toda aqui)

Tuesday, February 09, 2010

let's dance!


para quem não gosta de chuva

até custa dizer...

que vou aproveitar a chuva que cai lá fora!

tentar brincar com a sorte
pode ser a melhor parte de minha vida.

o ser feliz e não sabia

dizer o que tiver que ser dito.

quero ter melhores momentos,

outra vez.

imagino uma dança,

em que tento não errar o passo

para não perder o ritmo...

saltar

transbordar

sentir.

como uma dança boa!

o que tiver que ser...

os sentimentos são engraçados,

as diferenças estão nas intensidades
até mesmo os desejos têm suas peculiaridades.