
Monday, July 27, 2009
Tuesday, July 21, 2009
para mim e para ti
instantes.
nada mais do que instantes.
pequenos momentos esticados .
pessoas jogadas como espantalhos.
com sonhos incompletos a lutarmos
no abismo dos sentidos.
almas loucas e solitarias no meio de tantas mais.
somos instantes.
frágeis e desprovidos de calma e sensatez.
fantasmas
de
mergulhos azuis interrompidos.
vomitando momentos
agarrados a nós próprios.

e quando vomitamos
estamos sós
mesmo escutando as vozes que nos
perturbam
e que
quando vencemos o silêncio
são memórias baldias
que permanecem
e não nos deixam ficar
em paz.
Saturday, July 18, 2009
voo rasante
só
até onde voo.

ninguém pode prever o quanto somos capazes de voar até abrirmos as asas!
Wednesday, July 15, 2009
pensar enlouquece
falo sobre snooker e pokerestou a pensar na vida.
não vou falar de cafés ,cigarros ou de álcool.
porque pensar enlouquece
cheguei a uma conclusão sobre a vida,
talvez despretenciosa
mas que vou diluir nas próximas linhas
e aguardo que vocês destilem nos comentários.
snooker
veludo verde.
ao jogarmos deixamos claro para onde queremos que a bola vá.
ela até pode ganhar "efeito" mas é clara a nossa jogada.
poker
nunca revelamos as nossas cartas e estamos sempre na incerteza de quem é o melhor" bluffer".
uma corda bamba.
prefiro o snooker ao poker
no primeiro podemos ser sinceros e expor nossas apostas,
enquanto no segundo temos que disfarça-las.
mas como disse
pensar enlouquece.
Sunday, July 12, 2009
saudade de ti

muito tempo em casa é no que dá
Spider
Londres, East End, anos 60 e 80. Spider (Bradley Hall), um rapaz muito perturbado, "vê" o pai (Gabriel Byrne) matar brutalmente a sua mãe e substituí-la por uma prostituta, Yvonne (Miranda Richardson). Convencido que eles também o querem matar, Spider elabora um plano diabólico que leva a cabo com trágicos resultados. Anos mais tarde, Spider (Ralph Fiennes) é deixado numa casa de acolhimento para doentes mentais, onde a dona, Mrs. Wilkinson (Lynn Redgrave), lhe dá pouca atenção. Sem vigilância, Spider deixa de tomar os medicamentos e começa a revisitar os fantasmas da sua infância. As suas tentativas para entender o passado, levam Spider a entrar numa espiral irreversível de loucura...
Um filme a ver por tantos daqueles que desprezam os loucos ou doentes mentais, como gostarem mais de lhes chamar, porque pior que não estar bem é não saber pedir ajuda.Pior ainda é, como em Spider, quando as memórias não correspondem necessariamente, ou sempre, à realidade mas as levamos até às ultimas consequências...a loucura.
Vencedor do prémio para melhor realização no Festival Cannes de 1978, FEIOS, PORCOS E MAUS é um dos melhores filmes do realizador Ettore Scola .Giacinto Mazzatella (Nino Manfredi), um ex-operário que recebeu um milhão de liras de indemnização após ter perdido um olho num acidente de trabalho, mora com a esposa, os dez filhos e vários parentes, numa barraca de um bairro degradado da periferia de Roma. Movido pelo egoísmo e pela avareza, esconde o dinheiro que recebeu do seguro e, com medo que alguém o roube, dorme abraçado a uma caçadeira obrigando os outros (mais de 20) a comer, dormir e fazer sexo na mesma divisão da barraca. A situação complica-se quando Giacinto leva para 'casa' uma prostituta e começa a gastar o dinheiro comprando-lhe presentes.
"Feios, Porcos e Maus" releva as condições degradantes da vida humana num retrato de miséria, egoísmo, mentira, promiscuidade, traição, incesto e violência. Começo por sorrir, depois rir e a certa altura dou por mim muito séria a olhar para o écran, cada vez mais séria até ao fim do filme.Tudo aquilo é nojento, desde as refeições ao aspecto da família, degradante, promíscuo, miserável.O título diz tudo, e bem.O filme é excelente.
1 CD

algumas das musicas deste cd estão a tocar aqui no Velas esta semana...
1 poema
Julgava que te tinha dito adeus,
um adeus contundente, ao deitar-me,
quando pude por fim fechar os olhos,
esquecer-me de ti, dessas argúcias,
dessa tua insistência, teu mau génio,
tua capacidade de anular-me.
Julgava que te tinha dito adeus
de todo e para sempre, mas acordo,
encontro-te de novo junto a mim,
dentro de mim, rodeias-me, a meu lado,
invades-me, afogas-me, diante
dos meus olhos, em frente à minha vida,
por sob a minha sombra, nas entranhas,
em cada golpe do meu sangue, entras
por meu nariz quando respiro, vês
pelas minhas pupilas, lanças fogo
nas palavras que minha boca diz.
E agora que faço?, como posso
desterrar-te de mim ou adaptar-me
a conviver contigo? Principie-se
por demonstrar maneiras impecáveis.
Bom dia, tristeza.
amalia bautista

Thursday, July 09, 2009
a girafa,o galo e a cabra
um pouco
Tenório nasceu duma ninhada que a Senhora Maria Puga deitou amorosamente debaixo das asas da Pedrês, no dia doze de Janeiro, pelas três da tarde. À primeira vista quando a sua cabecita saiu da casca do ovo a senhora Maria achou logo que seria um frango.Aquela sua amostra de crista poucas semanas depois já parecia uma mitra.
Por altura da Ascensão, Tenório viu os seus irmãos serem degolados para darem umas belas dumas refeições caseiras. Mas a sua dona preferiu mantê-lo para a semente. A certeza de continuar vivo e saber da sorte que teve, enchiam a alma de Tenório duma confiança cega e só mais tarde lhe foi revelado o seu destino.
Num certo dia de Outubro ao amanhecer, sentiu uma ânsia enorme de abrir o peito e cantar ao mundo não sabia muito bem o quê. Sentia-se febril, mas não doente; uma estranha sensação percorria-lhe o corpo; aterrado, tolhido de medo e de pudor não conseguiu refrear aquela sensação e cantou:
Cá-que-rá-cá-cá....!
Cá-que-rá-cá-cá....!
Acordou toda a gente como se um raio tivesse caído no galinheiro, despertando a mãe, as primas e os irmãos. Tenório já não era nenhum frango era um galo. O peito almofadado de penas, os esporões que cresciam dia após dia nas pernas lisas e musculadas faziam dele um belíssimo galo. Durante muito tempo Tenório foi o rei da galinheira e o orgulho de todos. No entanto os seus cantos já não se faziam apenas pela madrugada para acordar todo o pessoal e chamar para as tarefas diárias. Começou também a cantar à meia-noite, às tantas da manhã, e várias vezes pelo dia fora.
Mas um dia, outro galo mais jovem preparou-se para suceder a Tenório, que era agora considerado como o velho galo. Para cúmulo tratava-se do seu próprio filho e três anos depois de cantar pela primeira vez, Tenório ouviu o seu filho substituí-lo no cantar do amanhecer, acabando por ter o mesmo fim que os seus irmãos.
A cabra é negra. Sunday, July 05, 2009
parvas nos outros.
valter hugo mãe
para vos engordar a alma
útero
GOVERNO - Meio Bicho e Fogo from 8 e Meio on Vimeo.
[«meio bicho e fogo» é o primeiro tema do projecto musical governo.composto por miguel pedro (fundador de bandas como mão morta e mundo cão) com letra de valter hugo mãe.o projecto governo é composto por antónio rafael (também dos mãos morta) nas teclas, henrique fernandes no contrabaixo, miguel pedro na percussão e programações e valter hugo mãe na voz.]
Thursday, July 02, 2009
senhoras e senhores
como um rio,
memórias do agora sem forma de amanhã.
a tristeza é sempre funda.
o tempo dirá.
a tempo. será?
Tuesday, June 30, 2009
momentos eternos
Monday, June 29, 2009
...destinos...
sem mapa mas com muita inquietude
a cabeça não para.solta de palavras e ideias.
o porto do agora

Eis a nossa sina:esquecer para ter passado
mentir para ter destino.
Mia Couto
Saturday, June 27, 2009
Tuesday, June 23, 2009
jogo do meme
[As regras iniciais eram escolher um(a) cantor(a) ou um grupo; para cada pergunta, dar como resposta um título ou um trecho de suas músicas.Com estas regras o jogo já foi cumprido aqui no Velas!]
…fundas.
Maria Teresa Horta- Anjos mulheres
Gonçalo M. Tavares-Investigações. Novalis
O que as pessoas acham de ti?
Descreve o momento actual de tua relação:
Aproximo-me da noite
cantam todo o inverno
como se o frio fosse
o maior aconchego
nos parques arrancados
ao trânsito automóvel
nas ruas da neve negra
sob um céu sempre duro
os pássaros de Londres
falam de esplendor
com que se ergue o estio
e a lua se derrama
por praças tão sem cor
que parecem de pano
em jardins germinando
sob mantos de gelo
como se gelo fora
o linho mais bordado
ou em casas como aquela
onde Rimbaud comeu
e dormiu e estendeu
a vida desesperada
estreita faixa amarela
espécie de paralela
entre o tudo e o nada
os pássaros de Londres
quando termina o dia
e o sol consegue um pouco
abraçar a cidade
à luz razante e forte
que dura dois minutos
nas árvores que surgem
subitamente imensas
no ouro verde e negro
que é sua densidade
ou nos muros sem fim
dos bairros deserdados
onde não sabes não
se vida rogo amor
algum dia erguerão
do pavimento cínzeo
algum claro limite
os pássaros de Londres
cumprem o seu dever
de cidadãos britânicos
que nunca viram
os céus mediterrânicos
Mário Cesariny-Poemas de Londres
O que pensas a respeito do amor?
Qual o lema da tua vida?
Devemos andar sempre bêbados.
O que pedias como único desejo?
e entrar no colo das ondas.
Andreia- A menina dos olhos de água
Sunday, June 21, 2009
a minha alma

que se deita ao meu lado,
e que cruamente lança verdades dentro de mim.
posso viver assim?
como se a alma estivesse gravada na palma de minha mão.
a minha alma faz me desprender as coisas que eu quero esquecer...
era bom ter um camarim, cheio de pós e purpurinas, para disfarçar esta alma.
tão dividida,
sinto como se constantemente lhe estivesse a acenar um adeus
a minha alma não sabe quando partir,
Monday, June 15, 2009
Sunday, June 14, 2009
de regresso

Wednesday, June 10, 2009
Lagos III_Sophia de Mello Breyner Andresen
[texto escrito por Sophia que retrata a forma como ensinou a sua empregada como ir a pé da casa de férias em Lagos até ao mercado na mesma cidade. enunciou-lhe o caminho, mostrando lhe o que veria a cada passo.belissimo este texto...digo eu!]Monday, June 08, 2009
Lagos I e II_Sophia de Mello Breyner Andresen

O dia inicial inteiro e limpo





