
Monday, April 25, 2011
Saturday, April 23, 2011
Sunday, April 10, 2011
DO QUE SE NECESSITA PARA A FELICIDADE?[PÉTER KÁNTOR]
Posto assim,
não muito:
dois seres, uma garrafa de vinho,
queijo do país,
sal, pão, um quarto,
uma janela e uma porta,
lá fora, que chova,
chuva de longos fios,
e claro, cigarros.
Mas, ainda assim,
de muitas noites
apenas uma o duas vezes resulta,
como os grandes poemas
de grandes poetas.
O mais é preparatório,
ou epílogo,
dor de cabeça,
ou espasmo de riso,
não se pode,
mas deve-se,
é demasiado,
mas insuficiente.
Friday, April 08, 2011
Wednesday, April 06, 2011
O QUE HÁ EM MIM É SOBRETUDO CANSAÇO [Manuela Costa Ribeiro]
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Sunday, April 03, 2011
caminhar
caminho pelas ruas,
atravesso estradas reconheço trilhos.
no asfalto, passos largos, passos finos.
há sempre um caminho, bom, mau, até o destino.
chegar agora, ir embora daqui a pouco.
registo os caminhos nos rostos expressivos
que na rua encontro.
as pedras rolam pelo chão a cada passo meu.
caminho descalça.
encontro acasos. sem abraços apertados.
olho... vestígios dos caminhos, indos e vindos.
os meus pés sangram...

Monday, March 21, 2011
Saturday, March 19, 2011
vou apanhar o autocarro....
faz parte estar perdida
faz parte começar outra vez a acreditar em mim
faz parte quere sentir na ponta dos pés...
faz parte ir atrás dos sonhos...
vou...pelo menos tentar...

Thursday, March 17, 2011
de Francisco José Viegas, As Jovens
Há um sinal nos seus verdes corpos ao sol
desfolhando trevos, lábios, olhares quase
transparentes através da tarde. Por vezes
nas suas vozes concentram-se todos os sinais
da sede. Silenciosamente fumam e riem,
é quase em silêncio que amadurecem,
estendem os dedos na relva, verdes corpos.
A solidão é terrível diante deles, consentida
a seus olhos na protecção dos cedros. O que
fere nesse momento é conhecer, agora,
a eternidade e a morte, uma dor infinita
que adormece desejos e lábios sobre os gumes
das estações. As hastes da tarde, douradas, morrem
no interior da vida, na solidão do seu riso.
desfolhando trevos, lábios, olhares quase
transparentes através da tarde. Por vezes
nas suas vozes concentram-se todos os sinais
da sede. Silenciosamente fumam e riem,
é quase em silêncio que amadurecem,
estendem os dedos na relva, verdes corpos.
A solidão é terrível diante deles, consentida
a seus olhos na protecção dos cedros. O que
fere nesse momento é conhecer, agora,
a eternidade e a morte, uma dor infinita
que adormece desejos e lábios sobre os gumes
das estações. As hastes da tarde, douradas, morrem
no interior da vida, na solidão do seu riso.
Tuesday, March 15, 2011
Sunday, March 13, 2011
?
Friday, March 11, 2011
be alone
a pior das coisas de morar sozinha é estar doente e não ter ninguém para me dar um copo de água!
Tuesday, March 08, 2011
Sunday, March 06, 2011
carnaval

ando cansada. tão vazia. sem saber para onde ir. ando de lá, para cá. mas também não me importo.ninguem olha por mim.sinto me descrente. não sei o que aconteceu comigo.
cansei me mesmo. nada muda e tudo piora.
já aqui escrevi tanto, hoje em dia escrevo tão pouco, para não estar constantemente a lamentar me. vocês não tem obrigação de me ler. mas ao mesmo tempo penso, porra este espaço é meu, o pouco que tenho, logo escrevo o que me sinto, o que vai cá dentro e se não quiserem ler, sintam se a vontade, e saiam, que eu compreendo.
os meus pecados devem ser enormes. e devo estar a pagá los todos nesta vida.eu sou uma idiota total e completa. se calhar, podia dividir em outras tantas vidas, e resolvi passar tudo nesta.
mas eu quero que venha tudo de uma vez só, percebem? porque todos os dias piorar a prestações, poe me em stress. prefiro que a tempestade caia de uma vez só.. depois seco me, curo a gripe, e com sorte tenho um pouco de sol-bonança.
não são sou forte como alguns pensam, o que eu tenho é uma boa mascara.eu que odeio o carnaval. e somente poucos sabem que não sou nada assim.
será que existe um limite para brincar ao carnaval? se existe eu estou quase a atingi lo.já não tenho vontade de me levantar todos os dias.apetecia me fugir mas não sei para onde.farta de olhar pra as pessoas e as coisas sem as ver.de ter um coração que é um catu...mas ja nem ligo.
eu não consigo ser uma figura carnavalesca , é isso.
Thursday, March 03, 2011
Tuesday, March 01, 2011

A realidade é coisa delicada
de se pegar com as pontas dos dedos.
Um gesto mais brutal, e pronto: o nada.
A qualquer hora pode advir o fim.
O mais terrível de todos os medos.
Mas, felizmente, não é bem assim.
Há uma saída - falar, falar muito.
São as palavras que suportam o mundo,
não os ombros. Sem o porquê, o sim,
todos os ombros afundavam juntos.
Basta uma boca aberta (ou um rabisco
num papel) para salvar o universo.
Portanto, maus amigos, eu insisto:
falem sem parar.
Mesmo sem assunto.
[Paulo Henriques Britto]
Saturday, February 26, 2011
Thursday, February 24, 2011
dádiva
Um dia tão feliz.
A névoa baixou cedo, eu trabalhava no jardim.
Os colibris se demoravam sobre a flor de
[ madressilva.
Não havia coisa na terra que eu quisesse
[ possuir.
Não conhecia ninguém que valesse a pena
[ invejar.
O que aconteceu de mau, esqueci.
Não tinha vergonha ao pensar que fui quem sou.
Não sentia no corpo nenhuma dor.
Me endireitando, vi o mar azul e velas.
Czeslaw Milosz

Tuesday, February 22, 2011
Sunday, February 20, 2011
os 7 pecados mortais vividos por mim
Já há muito o sol nascera, a manhã corria... quando eu abri os olhos, espreguicei me por alguns minutos, um peso no corpo... dei voltas e voltas na cama e decidi que hoje seria o dia de nada fazer. Que a poeira durma sobre a casa e que a moleza da antevéspera espere no meu corpo pelo amanhã.
Luxúria
Na sala sente-se ainda o cheiro do vinho, as migalhas de pão ainda tocam na toalha de mesa e as marcas de todos os humores que deixaram na minha boca o gosto travado da última noite. Noites passadas, para o bem e para o mal.As ásperas cicatrizes e as marcas das mordidas que ficam para sempre na alma.
Ira
Um calor, entre o laranja e o vermelho, sobe cá de dentro das entranhas e a vontade é partir os vidros das janelas e fazer o mundo todo ouvir aquele sentimento que ontem foi o eco de todos os gritos e hoje, pela manhã, desperta apenas a possibilidade do silêncio. Encher me de frio e escarnecer dos dias.
Inveja
Foi a luz do sol que me revelou as primeiras rugas e a raiz menos castanha dos meus cabelos, os riscos que os dias revelam. Vi muito claro o que a noite tornara opaco. Pensei ser uma mulher de coração duro, que não me preocupava com a aparência, vaidosa sim mas obcecada não, consciente de não ser bonita apenas vulgar... saudades dos dias grandes...inveja de mim ...do meu corpo de miuda...
Orgulho
De ser como sou, com defeitos e virtudes.De me preferir a mim. De estar só e não a remoer numa vida que felicidade não me traria.De saber o que perdera quando se perderam em outros abraços, apenas um não mesmo que me pedissem um sim.Jamais o telefone, a campanhia da porta, o encontro de fim de noite. A vida faz se de opções e só temos que nos sentir felizes por saber leva las até ao fim...conscientemente.
Avareza
Tranquei os sentimentos no fundo da alma. Economizo sorrisos. Capitalizo os abraços. Fecho as mãos a todas as posses que não sinta sinceras em mim mesma. Sou dona de meus quereres, guardei os no cofre da alma atemporal e a ninguém será permitida a chave ou o segredo...se eu não os merecer Imaginem uma equação...a incognita é determinada por todos os que vêem por bem e a entrega é total.
Gula
Sonhei o dia em que desvairada e nua esta devorou a dor.
são estes os 7 pecados mortais...
...a minha forma de os sentir...
..de os viver...
...porque eu peco.
...porque eu peco.
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