Monday, October 05, 2009

o que é ser belo ?

é com cada fiozinho de dor

fazer ponto cruz!


beleza interior deve ser isto....


Monday, September 28, 2009


estou cansada.
sem forças
até as lagrimas acabaram

como um rio que secou.
neste momento é como se não existissem alternativas
a minha vida
cruzei os meus limites,
fiz pouco, muito pouco
das minhas leis.
não tenho desculpa por não saber,
foram os meus próprios pés que marcharam sobre a calçada.
memórias tristes de um presente,
os sons, os cheiros, as imagens deste mesmo dia.
e agora, sei
que não há fuga possível,
nem sequer imaginária.
não, não me entrego.
estou, talvez para sempre, em guerra.
pisei as flores do meu caminho.

Tuesday, September 22, 2009

Quando tu me lês

Lorsque tu me liras, je te regarderai dans le pare-brise,

Tu viendras à moi, tout entière, comme la route,

Lorsque tu me liras, la maison sera silencieuse, et mon silence à moi te remplira tout entière aussi.

Avec toi, dans toi, je ne suis jamais silencieux, c'est une musique très douce que je t'apporte...

Quant à toi, tu verses au plus profond de ma solitude, cette joie triste d'être, cet amour que, jour aprèsjour, nous bâtissons, en dépit des autres, en dépit de cette prison où nous nous sommes mis, en dépit des larmes que nous pleurons chacun dans notre coin, mais présents l'un à l'autre...

Je te voyais, ces jours ci, dans la lande, là-bas, où tu sais...

Je t'y voyais bouger, à peine te pencher vers cette terre que nous aimons bien tous les deux, et tu te prosternaisà demi, comme une madone, et je n'étais pas là... ni toi...

Ce que je voyais c'était mon rêve...

Ne pas te voir plus que je ne te vois...

Je me demande la dette qu'on me fait ainsi payer.

Pourquoi?

L'amour est triste, bien sûr, mais c'est difficile, au bout du compte, difficile...



Dans mes bras, quand tu t'en vas longtemps vers les étoiles et que tu me demandes de t'y laisser encore... encore...



Je suis bien; c'est le printemps, tout recommence, tout fleurit, et tu fleuriras aussi de moi, je te le promets.



La patience, c'est notre grande vertu, c'est notre drame aussi.



Un jour nous ne serons plus patients.



Alors, tout s'éclairera, et nous dormirons longtemps, et nous jouirons comme des enfants.



Tu m'as refait enfant; j'ai devant moi des tas de projets de bonheur...

Mais maintenant, tout est arrêté dans ma prison.

J'attends que l'heure sonne...

Je me perds dans toi, tout à fait.

Je t'aime, Christie, je t'aime.



(a melhor tradução que consegui fazer...
Quando tu me lês, eu vejo te no pára-brisas,
Tu vens para mim, inteira, como uma estrada
Quando tu me lês, a casa está silenciosa, e meu silêncio é preenchido por ti como um todo.
Contigo, em ti, eu nunca estou em silêncio, há uma música muito suave que trago comigo...
Tu, tu colocas no fundo a minha solidão, a alegria de estar triste, esse amor, dia após dia,que construimos, apesar dos outros, apesar da prisão onde começamos, apesar das lágrimas quando choramos cada um para cada lado, um presente para os outros ...
Eu vi te, por estes dias, a charneca ali, onde tu sabes ...
Tu moveste te, basta olhar para esta terra, nós amamo nos tanto, e tu a cair, como a Madonna, e eu não estava lá ... ou tu ...
O que vi foi o meu sonho ...
Tu não vês que eu não te posso ver...
Pergunto me porque tenho de pagar uma divida tão alta.
Porquê?
O amor é triste, é claro, mas é difícil, afinal, difícil ...
Nos braços, tu estás muito perto das estrelas ...
Eu estou bem, é Primavera mais uma vez, floresce tudo, e tu florescerás como eu, eu prometo.
A paciência é nossa maior virtude mas também a nossa maior tragédia.
Um dia vamos ser mais pacientes.
Então, tudo ficará mais claro,e dormimos muito, e vamos viver como crianças.
Crianças vivendo projectos de felicidade ...
Mas agora tudo parou na minha prisão.
Eu espero até que o relógio ...
Eu perco me em ti, absolutamente.
Amo te Christie, amo te)

Saturday, September 19, 2009

nada de importante...


todos os dias sinto que a minha vida é apenas partilhada comigo....

o meu futuro sou eu.

os meus amigos e familia têm a sua propria vida.é normal!

eu tenho a minha...

a vida é assim mesmo.

tem dias em que o peso da solidão é duro.

outros em que sinto que tenho sorte.


(ainda me lembro do dia no qual disseste que por muita familia e amigos que tivesse
estamos quase sempre sós..hoje dou te razão)

Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem.
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.


Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.
Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarçe,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.
António Gedeão


Friday, September 18, 2009

Wednesday, September 16, 2009

Inglourious Basterds

“Eu sou o Tem. Aldo Raine e estou a formar uma equipa especial. Preciso de oito soldados. Oito – soldados – judeus – americanos. […] Vamos ser largados em França, vestidos à civil. E quando estivermos em território inimigo, como exército de guerrilheiros e terroristas, vamos fazer apenas uma coisa: MATAR NAZIS. […] Vamos ser cruéis com os alemães e, pela nossa crueldade, eles vão saber quem nós somos.”



Inglourious Basterds é muito bom!
que posso dizer mais deste filme...
o Tarantino é o maximo!
o filme não tem momentos maus,
é bom do principio ao fim...
mas não absurdo,
recorda nos
a ferida que a 2ªGuerra Mundial
deixou à Humanidade,
a todos nós,
e
não falo só de muito sangue!
adorei simplesmente...



BINGO!

(quem viu o filme percebe ...)

Sunday, September 13, 2009

10 cartões vermelhos

Os meus 10 cartões vermelhos vão para:
  • a intolerância que se transforma muitas vezes em má educação;
  • a todos aqueles que abandonam os animais;
  • a estupidez (que não suporto);
  • as touradas;
  • todos os que julgam os outros por se acharem pessoas normais e superiores e que não passam de lixo humano;
  • a violência;
  • a este governo e ao "Eng"Socrates;
  • a quem não gosta de ler;
  • ao meu Sporting que me dá cabo dos nervos;
  • quem me magoa a mim e aos meus (familia e amigos).

E gostava que aceitassem o desafio estes meus 10 amigos:

Saturday, September 12, 2009

eu não voto em ditadores!

(e olhem que não digo isto por ser fã da MMG...de quem tb não gosto

mas simplesmente não gosto de ditadores!

O 25 de Abril tem 35 anos ...nunca se esqueçam!)

Thursday, September 10, 2009

será que somos humanos?

hoje quando conduzia de volta a casa ouvia na radio esta música ...dei por mim a cantar muito alto...e como fazia sentido!


I did my best to notice
When the call came down the line
Up to the platform of surrender
I was brought but I was kind
And sometimes I get nervous
When I see an open door
Close your eyes
Clear your heart...
Cut the cord
Are we human?
Or are we dancers?
My sign is vital
My hands are cold
And I'm on my knees
Looking for the answer
Are we human?
Or are we dancers?
Pay my respects to grace and virtue
Send my condolences to good
Give my regAlinhar à direitauards to soul and romance
They always did the best they could
And so long to devotion
You taught me everything I know
Wave goodbye
Wish me well..
You've got to let me go
Are we human?
Or are we dancers?
My sign is vital
My hands are cold
And I'm on my knees
Looking for the answer
Are we human?
Or are we dancers?

Will your system be alright
When you dream of home tonight?
There is no message we're receiving
Let me know is your heart still beating
Are we human?
Or are we dancers?
My sign is vital
My hands are cold
And I'm on my knees
Looking for the answer
Are we human?
Or are we dancers?
You got to let me know
Are we human?
Or are we dancers?
My sign is vital
My hands are cold
And I'm on my knees
Looking for the answers
Are we human?
Or are we dancers?
Are we human?
Or are we dancers?
Are we human?
Or are we dancers?


The Killers-Human

e continuo a perguntar
será que somos humanos?
para mim
continua a fazer sentido a duvida...

Saturday, September 05, 2009

carinhos


preciso de cuidar de mim,
para mim com ternura,
como cuido dos que amo.
preciso de esperança,
parar de atormentar a minha paz
com propositos tão tristes quanto funestos.
e aprender de vez
que um dia mau
é apenas e tão só isso,
um dia mau.
mesmo que seja um ano,
ou até muitos,
anos maus.
ainda assim é só isso,
e não a vida inteira.
preciso de cuidar de mim,
ler Sophia em voz alta,
e deixar me adormecer no sofá,
e ouvir feliz Caetano,
cantar um verso que fez para mim
onde um carinho às vezes cai bem.

Saturday, August 29, 2009

balões


ar.cansado.

respirar.

cansada de tentar inspirar.

os meus olhos não aguentam.

como que uma culpa.

uma doença no ar.

um vírus

febril

com sintomas de desgaste.
queria criatividade.

a minha inspiração está presa

numa letra.

anda para cá e para lá
sem saber se me ajuda

a pensar

ou a escrever.

que se soltem os balões

para ter forças para criar.

Thursday, August 27, 2009

Simão de Mello Breyner

Parabéns!
O meu Simão faz 4 anos!




Se houver, como dizem que há, um Céu dos Cães, é lá que quero ter assento, a ver a luz a minguar no horizonte, com a sua palidez de crepúsculo num retrato da infância. Hei-de então bater à porta e pedir para entrar, e sei que eles virão, contentes e leves, receber-me como se o tempo tivesse ficado quieto nos relógios e houvesse apenas lugar para a ternura, carícia lenta a afagar o pêlo molhado pela chuva. Então poderemos voltar a falar de felicidade e de mim não me importarei que digam: teve vida de cão, por amor aos cães.

Amados Cães-José Jorge Letria


Tuesday, August 25, 2009

sinto me


de que adianta sonhar, se os sonhos não são reais?
hoje
só me apetece fugir!
quero esvaziar me num precipício
qualquer
com orgulho.
de que me adianta o resto do mundo?
se estou dentro de uma nuvem
onde não chove felicidade
mas reina uma tristeza imensa,
tão imensa.

Thursday, August 20, 2009

O canito não corta a barba_Clara Ferreira Alves


Na aldeia faziam-se ao mar. Quem não gostava cavava a terra. Depois chegaram os "espanhóis".
Todos os dias passo por ele, logo de manhãzinha, quando vou comprar o pão e beber a bica. Está parado numa esquina caiada. A olhar o fio do horizonte. Às vezes tem uma camisa de flanela de xadrez toda abotoada e outras vezes tem um blusão por cima, pardo do uso. O blusão deve ser para os dias em que a nortada quase lhe arranca da cabeça o boné. Pisca os olhos e mexe-se para fazer uma festa no cão: o canito não corta a barba! Um único dia mudou a frase: o canito gosta de água? Eu não sabia se era de beber ou do mar e disse que a do mar o canito não gostava muito. Não gosta de mar? Não nada?, perguntou ele. Nadar, nadava; não era o desporto favorito e fugia da água a sete pés. O velhote deu uma gargalhada e disse que tinha tido uns cães e que todos eles gostavam de água, mais a das barragens e dos rios do que a do mar. Nunca tínhamos tido uma conversa tão longa.
Acompanhou-me ao café da aldeia e pediu o costume. Um copinho de aguardente. Eram nove e meia. Um pouco cedo para aguardente, disse eu. Ainda pensei dizer "álcool" mas a palavra ficava sozinha no cenário. Esta gente diz tinto, branco, bagaço, medronho. As coisas pelos nomes. Atrás do balcão uma mulher enerva-se a servir torradas, meias-de-leite e sumos de laranja aos "espanhóis". Os espanhóis levantam-se cedo e pedem muitas tostas mistas em pão de fatia, com café com leite. Desorientam-na. Querem tudo ao mesmo tempo. Às vezes os "espanhóis" são ingleses, alemães, franceses. Quando peço uma fatia de torta de alfarroba ela aconselha-me a esperar pela torta fresca que virá à tarde e a deixar aquela para os "espanhóis".
O velhote, que tem uma idade entre 60 e 80 anos, a pele curtida pelo sol e umas mãos peludas e enormes que agarram o copo com delicadeza, tira um maço de cigarros do bolso da camisa de xadrez. Pall Mall. É estranho ver o nome Pall Mall no cenário rústico, como se os cigarros pertencessem a outro planeta, onde as pessoas vestem bem e falam "estrangeiro". O café tem uma máquina de venda de cigarros; os "espanhóis" desesperados pelo primeiro cigarro batem no metal quando ela não retribui o pedido. Às vezes a máquina fica sem cigarros e "os espanhóis" olham-na com angústia, coçando os cabelos crespos do mar.
Pergunto ao velhote se ele bebe todas as manhãs um copinho daqueles e se, não bebendo, fica mal disposto como os "espanhóis" que lutam com a máquina e a insultam por estar vazia. Dependência, diriam os peritos do álcool e do fumo. Dependência tóxica. Às vezes bebe uma cerveja. Nos dias de calor. Para matar a sede. A aguardente para matar o bicho. É do tempo em que se calava o choro das crianças de mama com um pano embebido em vinho e açúcar para elas ficarem sossegadinhas. Puxo-lhe pela memória. Como era a aldeia? Era uma aldeia pobre com meia dúzia de casas. Uma escola primária e uma igreja construídas pelo Salazar. Faziam-se ao mar e quem não gostava de mar ia embora ou cavava a terra; a terra ali nunca deu grande coisa por causa das areias e dos ventos. Quando começaram a construir as estradas muitos foram espalhar alcatrão, mais certo do que aguentar ondas e tempestades.
O mar é traiçoeiro, diz o velhote piscando mais os olhos, como se a faísca de mar ao fundo da aldeia o encandeasse. Mais traiçoeiro do que uma mulher. Ele teve uma boa mulher, muitos anos, e depois ficou viúvo. Ninguém para o amortalhar. Há muitos viúvos na aldeia, nem sabe porquê. Falam uns com os outros, não se sabe de quê. E teve dois rapazes, um foi para a Alemanha e o outro foi embora e anda nos barcos, lá por Espanha. Espanha onde? No Norte, lá para cima, para os gelos. Nos barcos de pesca que congelam o peixe ainda ele salta na rede. Vigo, a Biscaia? Longe, não muito certo do que representam estes nomes. Nos gelos. Finisterra, penso eu. A boa pesca era a do atum, aí é que se ganhava dinheiro. Muito atum havia pelos Algarves. Famílias inteiras a viver do atum. Depois vieram as estradas e os hotéis e agora toda a gente anda a vender as casas por bom dinheiro. Ele já quis vender a dele, as sobrinhas não deixaram. Uma casita velha. As sobrinhas têm é medo de que ele fique sem casa. Está rijo e são. A malta hoje só vê televisão, passam o tempo sentados. E muita droga.
Ele trabalhou toda a vida. Dá um golito. O tabaquinho é como se fosse família. Faz companhia. Bate outro cigarro e faz uma festa no cão. Malta fraca, comem torradas. Andam aí com as tábuas todos empoleirados e não sabem nada de mar. O mar é traiçoeiro. Surf, uma palavra tão deslocada como álcool. No Inverno, o mar nem vê-lo. Se o vissem todo atiçado fugiam a sete pés com a tábua. Ele nunca aprendeu a nadar. O canito é que sabe, com aquela barba. Fugir dele. Dá um estalo com a língua depois de escorropichar o copo.
[Expresso-08.08.2009]

Sunday, August 16, 2009

improviso.
vago é
vago.

mas

o que é poesia?
uma________________ pode ser o mar
ou chão.

se não for chão
é um quase algo
onde se encaminha.

o importante
é não deixar que as palavras
envelheçam dentro de mim
.

Saturday, August 08, 2009


Assim que eu abrir de novo os meus olhos,


Meus pensamentos já não serão mais livres,


E minha alma, vencida,


Errará novamente pelas estradas abandonadas.


Neste instante, porém,


Tudo me aproxima de mim mesmo.


Há uma solidão imensa aqui dentro.


Há janelas abertas recebendo a noite.


Nunca me pertenci tanto como neste momento.


Nunca te pertenci tanto como neste momento.


um dia muito triste na vida de homem alegre...Portugal de luto



Thursday, August 06, 2009

são dias menos felizes


há dias que nada acontece, ou que acontece tudo.são neles que encontro as respostas [e mais perguntas]para os meus desesperados medos.
hoje acordei assim.com uma louca vontade de me fazer arder como uma vela. queimar me com um café ou com nicotina .uma passa no cigarro, que desceria a queimar a garganta, sairia numa baforada redonda pelo nariz e explodiria com gozo quando o calor forte me queimasse em mim.
são demasiadas notícias más por estes dias.
vivo por vício rabiscando espaços vazios.

Monday, August 03, 2009

coisas de que gosto

uma musica






um poema

No lugar dos palácios desertos e em ruínas
À beira do mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos das sinais
De quem sabe amar.
Qualquer que ele seja, o destino daqueles
Que o amor levou
Para a sombra, ou na luz se fez a sombra deles,
Qualquer fosse o vôo.
Por certo eles foram mais reais e felizes.

Fernando Pessoa

um filme






uma frase

O presente é a grande folha onde escrevemos.

José Luís Peixoto



um momento