
Monday, October 05, 2009
Monday, September 28, 2009

até as lagrimas acabaram
como um rio que secou.
neste momento é como se não existissem alternativas
a minha vida
cruzei os meus limites,
fiz pouco, muito pouco
das minhas leis.
não tenho desculpa por não saber,
foram os meus próprios pés que marcharam sobre a calçada.
memórias tristes de um presente,
os sons, os cheiros, as imagens deste mesmo dia.
e agora, sei
que não há fuga possível,
nem sequer imaginária.
não, não me entrego.
estou, talvez para sempre, em guerra.
pisei as flores do meu caminho.
Tuesday, September 22, 2009
Quando tu me lês
Je me perds dans toi, tout à fait.
Saturday, September 19, 2009
nada de importante...

o meu futuro sou eu.
os meus amigos e familia têm a sua propria vida.é normal!
eu tenho a minha...
a vida é assim mesmo.
tem dias em que o peso da solidão é duro.
outros em que sinto que tenho sorte.
(ainda me lembro do dia no qual disseste que por muita familia e amigos que tivesse
estamos quase sempre sós..hoje dou te razão)

como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem.
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.
Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.
Friday, September 18, 2009
Wednesday, September 16, 2009
Inglourious Basterds

o Tarantino é o maximo!
o filme não tem momentos maus,
a ferida que a 2ªGuerra Mundial
deixou à Humanidade,
não falo só de muito sangue!
adorei simplesmente...
BINGO!
(quem viu o filme percebe ...)
Sunday, September 13, 2009
10 cartões vermelhos
Os meus 10 cartões vermelhos vão para:- a intolerância que se transforma muitas vezes em má educação;
- a todos aqueles que abandonam os animais;
- a estupidez (que não suporto);
- as touradas;
- todos os que julgam os outros por se acharem pessoas normais e superiores e que não passam de lixo humano;
- a violência;
- a este governo e ao "Eng"Socrates;
- a quem não gosta de ler;
- ao meu Sporting que me dá cabo dos nervos;
- quem me magoa a mim e aos meus (familia e amigos).
E gostava que aceitassem o desafio estes meus 10 amigos:
Saturday, September 12, 2009
eu não voto em ditadores!
(e olhem que não digo isto por ser fã da MMG...de quem tb não gosto
mas simplesmente não gosto de ditadores!
O 25 de Abril tem 35 anos ...nunca se esqueçam!)
Thursday, September 10, 2009
será que somos humanos?
uards to soul and romanceOr are we dancers?
My sign is vital
My hands are cold
And I'm on my knees
Looking for the answer
Are we human?
Or are we dancers?
Or are we dancers?
Or are we dancers?
e continuo a perguntar
será que somos humanos?
para mim
continua a fazer sentido a duvida...
Saturday, September 05, 2009
carinhos
Saturday, August 29, 2009
balões

Thursday, August 27, 2009
Simão de Mello Breyner
Se houver, como dizem que há, um Céu dos Cães, é lá que quero ter assento, a ver a luz a minguar no horizonte, com a sua palidez de crepúsculo num retrato da infância. Hei-de então bater à porta e pedir para entrar, e sei que eles virão, contentes e leves, receber-me como se o tempo tivesse ficado quieto nos relógios e houvesse apenas lugar para a ternura, carícia lenta a afagar o pêlo molhado pela chuva. Então poderemos voltar a falar de felicidade e de mim não me importarei que digam: teve vida de cão, por amor aos cães.
Amados Cães-José Jorge Letria
Tuesday, August 25, 2009
sinto me
Thursday, August 20, 2009
O canito não corta a barba_Clara Ferreira Alves

Todos os dias passo por ele, logo de manhãzinha, quando vou comprar o pão e beber a bica. Está parado numa esquina caiada. A olhar o fio do horizonte. Às vezes tem uma camisa de flanela de xadrez toda abotoada e outras vezes tem um blusão por cima, pardo do uso. O blusão deve ser para os dias em que a nortada quase lhe arranca da cabeça o boné. Pisca os olhos e mexe-se para fazer uma festa no cão: o canito não corta a barba! Um único dia mudou a frase: o canito gosta de água? Eu não sabia se era de beber ou do mar e disse que a do mar o canito não gostava muito. Não gosta de mar? Não nada?, perguntou ele. Nadar, nadava; não era o desporto favorito e fugia da água a sete pés. O velhote deu uma gargalhada e disse que tinha tido uns cães e que todos eles gostavam de água, mais a das barragens e dos rios do que a do mar. Nunca tínhamos tido uma conversa tão longa.
Acompanhou-me ao café da aldeia e pediu o costume. Um copinho de aguardente. Eram nove e meia. Um pouco cedo para aguardente, disse eu. Ainda pensei dizer "álcool" mas a palavra ficava sozinha no cenário. Esta gente diz tinto, branco, bagaço, medronho. As coisas pelos nomes. Atrás do balcão uma mulher enerva-se a servir torradas, meias-de-leite e sumos de laranja aos "espanhóis". Os espanhóis levantam-se cedo e pedem muitas tostas mistas em pão de fatia, com café com leite. Desorientam-na. Querem tudo ao mesmo tempo. Às vezes os "espanhóis" são ingleses, alemães, franceses. Quando peço uma fatia de torta de alfarroba ela aconselha-me a esperar pela torta fresca que virá à tarde e a deixar aquela para os "espanhóis".
O velhote, que tem uma idade entre 60 e 80 anos, a pele curtida pelo sol e umas mãos peludas e enormes que agarram o copo com delicadeza, tira um maço de cigarros do bolso da camisa de xadrez. Pall Mall. É estranho ver o nome Pall Mall no cenário rústico, como se os cigarros pertencessem a outro planeta, onde as pessoas vestem bem e falam "estrangeiro". O café tem uma máquina de venda de cigarros; os "espanhóis" desesperados pelo primeiro cigarro batem no metal quando ela não retribui o pedido. Às vezes a máquina fica sem cigarros e "os espanhóis" olham-na com angústia, coçando os cabelos crespos do mar.
Pergunto ao velhote se ele bebe todas as manhãs um copinho daqueles e se, não bebendo, fica mal disposto como os "espanhóis" que lutam com a máquina e a insultam por estar vazia. Dependência, diriam os peritos do álcool e do fumo. Dependência tóxica. Às vezes bebe uma cerveja. Nos dias de calor. Para matar a sede. A aguardente para matar o bicho. É do tempo em que se calava o choro das crianças de mama com um pano embebido em vinho e açúcar para elas ficarem sossegadinhas. Puxo-lhe pela memória. Como era a aldeia? Era uma aldeia pobre com meia dúzia de casas. Uma escola primária e uma igreja construídas pelo Salazar. Faziam-se ao mar e quem não gostava de mar ia embora ou cavava a terra; a terra ali nunca deu grande coisa por causa das areias e dos ventos. Quando começaram a construir as estradas muitos foram espalhar alcatrão, mais certo do que aguentar ondas e tempestades.
O mar é traiçoeiro, diz o velhote piscando mais os olhos, como se a faísca de mar ao fundo da aldeia o encandeasse. Mais traiçoeiro do que uma mulher. Ele teve uma boa mulher, muitos anos, e depois ficou viúvo. Ninguém para o amortalhar. Há muitos viúvos na aldeia, nem sabe porquê. Falam uns com os outros, não se sabe de quê. E teve dois rapazes, um foi para a Alemanha e o outro foi embora e anda nos barcos, lá por Espanha. Espanha onde? No Norte, lá para cima, para os gelos. Nos barcos de pesca que congelam o peixe ainda ele salta na rede. Vigo, a Biscaia? Longe, não muito certo do que representam estes nomes. Nos gelos. Finisterra, penso eu. A boa pesca era a do atum, aí é que se ganhava dinheiro. Muito atum havia pelos Algarves. Famílias inteiras a viver do atum. Depois vieram as estradas e os hotéis e agora toda a gente anda a vender as casas por bom dinheiro. Ele já quis vender a dele, as sobrinhas não deixaram. Uma casita velha. As sobrinhas têm é medo de que ele fique sem casa. Está rijo e são. A malta hoje só vê televisão, passam o tempo sentados. E muita droga.
Ele trabalhou toda a vida. Dá um golito. O tabaquinho é como se fosse família. Faz companhia. Bate outro cigarro e faz uma festa no cão. Malta fraca, comem torradas. Andam aí com as tábuas todos empoleirados e não sabem nada de mar. O mar é traiçoeiro. Surf, uma palavra tão deslocada como álcool. No Inverno, o mar nem vê-lo. Se o vissem todo atiçado fugiam a sete pés com a tábua. Ele nunca aprendeu a nadar. O canito é que sabe, com aquela barba. Fugir dele. Dá um estalo com a língua depois de escorropichar o copo.
Tuesday, August 11, 2009
Saturday, August 08, 2009

Thursday, August 06, 2009
são dias menos felizes

Monday, August 03, 2009
coisas de que gosto
um poema
No lugar dos palácios desertos e em ruínas
À beira do mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos das sinais
De quem sabe amar.
Qualquer que ele seja, o destino daqueles
Que o amor levou
Para a sombra, ou na luz se fez a sombra deles,
Qualquer fosse o vôo.
Por certo eles foram mais reais e felizes.
Fernando Pessoa
um filme
uma frase
O presente é a grande folha onde escrevemos.
José Luís Peixoto
um momento




