Monday, April 05, 2010

coisas de que gosto

um texto
A fidelidade (...) é a mais integral de todas as virtudes humanas. O homem participa numa batalha e, sem a fidelidade, não conhece a sua luta; apenas usa da violência, interpreta uma vontade, é instrumento de uma opinião. A fidelidade move-o desde a sua origem, é a primeira condição da consciência. Não se efectuam coisas novas sem fidelidade. Não se engrandece a piedade ou se priva com o mais simples sentimento, sem a fidelidade. Uma acção progressiva tem que ter raízes tumulares, raízes naquilo que encerrámos definitivamente - uma era, um conhecimento, uma arte, uma maneira de viver. A fidelidade, disse eu, assegura-nos o tempo de criar e o tempo de destruir o que se tornou inconforme à imagem do homem. Nada é digno de valor, sem fidelidade.[Agustina Bessa-Luis]
um filme

(eu adoro Woody Allen)

uma frase
As grandes tempestades não duram muito assim como as grandes felicidades não são eternas.[proverbio judaico]
um momento
um poema
Não toques nos objectos imediatos.
A harmonia queima.
Por mais leve que seja um bule ou uma chavená,
são loucos todos os objectos.
Uma jarra com um crisântemo transparente
tem um tremor oculto.
É terrível no escuro.
Mesmo o seu nome, só a medo o podes dizer.A boca fica em chaga.
[Herberto Hélder-Não toques nos objectos imediatos]
um livro

uma musica


Sunday, April 04, 2010

Thursday, April 01, 2010

sou filha de Abril

Abril é o meu mês!
Façam o favor de serem felizes....


Tuesday, March 30, 2010


eu sou fragil
mais fragil do que penso.
agarro me ao meu sangue para permanecer aqui.
mergulho
de
cabeça
no
silêncio.
o meu
silêncio
é minha forma de falar.
por isso sei
que tenho um silêncio
para te mostrar.

Monday, March 29, 2010

hard message


devia ser assim tão simples...

Thursday, March 25, 2010

divagações sobre cerejas

a maioria de nós não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
é bom beijar?e na boca?
claro que é!
mas
e lá vem o mas, se não houver compromisso.
e passar o tempo a sair com amigos também é muito bom?
claro que sim. afinal somos independentes.
o pior é que
todas as acções têm uma reacção.
viver amizades coloridas
como tudo na vida é bom e mau.
não há somente a cereja em cima do bolo,
como dizem os tribalistas: beijar de língua, namorar e não ser de ninguém.
continuo a achar que é sempre melhor comer a cereja, mas ter o bolo todo e, nele, os ingredientes como: o famoso telefonema no dia seguinte, o saber que o outro está la quando nós precisamos, o enroscar na cama...
mas como nem sempre temos o que queremos são cada vez mais as amizades coloridas,
relacionamentos, em que ninguém se pode queixar de nada.
se uma das partes desaparece uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não é um namoro.
no fundo, dizemos que existe liberdade, mas o que existem são relações unilaterais. somos livres para optar.
ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. é ter coragem, de se ser autêntico e viver um sentimento...
é arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade.

Tuesday, March 23, 2010

100 anos_ Akira Kurosawa


Um homem é um gênio quando está sonhando.
[Akira Kurosawa]

Sunday, March 21, 2010

Viva a Poesia!Viva os Poetas!

a suavidade do tempo
ou mesmo do contratempo.
mãos que dedilham,
em busca de sonoridade.
acordes da vida,
harmonia.
música...
claves muitas,
mas quantas notas se perdem,
ao toque mais suave,
fazendo descobrir e sentir
tons que arrepiam.
oiço,
sons
sempre em consonância com o tempo...
certo.
compassos, bemóis...
vibratos e sustenidos.
por vezes,
pausas
na dissonância
em que perco o tom.
versos em fios submersos
na ascensão
das notas dadas em tantas noites.
na partitura da saudade
o meu alento
é o ritmo que me embala.
busca diária
da
melodia distante
presente nos sonhos,
na musicalidade de novamente
me encontrar no tom!

Thursday, March 18, 2010

o que eu preciso

preciso da eterna coragem de subir
de descobrir até onde vai o que me move.
que a minha coragem se mostre
de ser e fazer
e que as minhas costas
que me protegem
também me aguentem
e me façam olhar sempre em frente
antes de tudo.
é o que eu preciso!

Tuesday, March 16, 2010

Não sei se volteio
Se rodopio
Se quebro
Se tombo nesta queda
em que passeio
Não sei se a vertigem
em que me afundo
é este precipício em que me enleio
Não sei se cair assim me quebra...
Me esmago ou sobrevivo
em busca deste anseio.
[Maria Teresa Horta]

Sunday, March 14, 2010

Irmãos_José Luís Peixoto

Em 1998, eu ainda morava em Coimbra. Comprava pão na padaria que ficava ao fundo da rua, comprava o jornal num quiosque, debaixo de uma arcada, onde o dono estava sempre a falar de motas. Agora, recordo-me desses anos como uma espécie de série antiga, o Dallas, a Dinastia, com a diferença grande de o Bobby, o J.R. ou a Sue Ellen serem pessoas que existem, que têm a sua própria memória. Num ano, a vida pode mudar radicalmente. Em dez anos, a vida pode transformar-se noutra vida. No entanto, as árvores crescem indiferentes, continuam no Jardim da Sereia, a respirar sobre a Praça da República. Entretanto, a minha sobrinha, criança que nasceu numa noite de sexta-feira, tem 22 anos e termina o curso em Coimbra, numa cidade que, de certeza, é bastante diferente daquela em que vivi durante dois anos. Entretanto, o meu filho, nascido na Maternidade Daniel de Matos em 1997, tem crescido, cruzando-se com as minhas memórias, mas sem as reconhecer.
O meu filho mais pequeno, nascido em Cascais em 2004, quer sempre ir comigo buscar o mano. Primeiro, existem duzentos quilómetros em que vamos sozinhos. Temos conversas longas sobre gormitis ou skates de dedos. Pode também pedir-me para pôr um CD de música assustadora, que é como ele chama ao heavy metal. Entre os seus preferidos, encontram-se os primeiros discos de Obituary. Depois, chega o meu filho mais velho, com a sua mochila do Benfica, a roupa passada e dobrada, e existem duzentos quilómetros em que vou calado a ouvi-los e a espantar-me com as expressões que utilizam.
Eu, que fui filho, sou agora pai. Imagino todo o mistério que eles vêem quando olham para mim e carrego aquilo que eles não sabem, que é melhor que não saibam. E, muitas vezes, quando lhes conto alguma história minha, explico-lhes que aconteceu antes de terem nascido. Eles olham-me desde a sua idade e não estranham que existisse mundo antes de terem nascido. Já eu, que tenho esta idade, estranho quase tudo.
O mais velho joga ténis, faz vela no Mondego e faz parte da única equipa portuguesa de lacrosse. Eu também nunca tinha ouvido falar nesse desporto americano que se joga com um bastão que tem uma rede na ponta. Quero ouvir, quero saber todas as regras para acreditar que também jogo quando ele joga. Misturado com isto, por baixo disto, eu e a mãe dele estivemos na sala em que nasceu, o seu rosto pela primeira vez. Vimos a enfermeira afastar-se com ele para limpá-lo, não desviámos o olhar por um único instante e, depois, vimo-la voltar e pousá-lo nos braços da mãe. Agora, ouve Green Day.
Muito explicado, o mais pequeno conta episódios dos pequenos da escola dele, que têm quatro anos; dos bebés, que têm três anos; e dos grandes, que têm seis anos, respeitinho. Também ele tem as suas actividades extra-curriculares: o judo, a natação. E, às vezes, diz palavras em inglês, que aprende uma a uma, semanalmente: tree, beautiful, cat. Conta também detalhes das explicações do educador, a quem chama “tio”. Eu e a mãe dele chegámos ao hospital antes das seis da manhã. Nasceu doze horas depois. Ao lado dela, eu não sabia o que fazer. Ela, com dores, a fechar os olhos, a respirar, não podia fazer nada. Nasceu muito sério. Agora, ouve e canta Xutos e Pontapés. Por insistência dele, fomos todos, mano incluído, assistir ao concerto do Estádio do Restelo. Dormiu no meu colo durante a maior parte do tempo.
Sou eu que os junto, é essa a minha tarefa. O mais velho defende o mais pequeno. Perde de propósito em jogos de playstation. O mais pequeno tem uma cegueira imensa pelo mais velho. Nada do que ele faça pode estar errado. Eu sou a testemunha disto. Sou o pai. Respondo às perguntas que me fazem, dou autorização para irem lá ao fundo. O pai deixa, diz um deles.
Sou também eu que os separo. Depois de dois dias inteiros juntos, a dormirem na mesma cama, a acordarem ao mesmo tempo, sou eu que guardo a roupa suja na mochila do Benfica. Sou eu que carrego os presentes no carro. Depois de filmes no cinema em que eles decoram cada pormenor, depois do pequeno se divertir a lutar contra a minha sombra, depois de comermos crepes com chantilly, depois de eu reparar que o mais velho está quase da minha altura, chega a hora, fim da tarde de domingo, e peço-lhes para darem um abraço. Eu sou o pai a olhá-los, mas, por dentro, em segredo, sou também um menino de cinco ou doze anos que gostava de ser irmão deles.

eu adoro este texto que me faz cair as lagrimas...sempre e sempre que o leio.

na sorte que é ter um irmão.eu sinto que ao ter o MEU irmão nunca estarei sozinha, não sei se me percebem?
sei que terei alguém que gostará sempre de mim. ok, pensam vocês, também é irmão dela se ele não gostar quem é que gosta?!
este amor, continua a ser o único em que acredito que há almoços de borla, porque existe alguem, o meu irmão, que me quer ver bem se possivel melhor do que ele, e porque o contrario é também verdadeiro.
não trocava o meu irmão por nada nem por ninguém.
pelo meu irmão morria.agora.já.

e porque há coisas que devem ser ditas...em que não devem haver dúvidas...aqui confesso que a pessoa que mais amo no mundo é o meu irmão.

Thursday, March 11, 2010

coisas que gosto

um filme





um texto

Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.[Fernanda Mello]


um momento



uma frase

A verdadeira amizade, assim como a vinha, é uma planta que se desenvolve lentamente, e que e transforma em mais do que uma mera vivencia[George Washington]


um livro


um poema

o céu é aquela clareira
onde deito os olhos com ténues
cambiantes de cor que quase
gasto nas mãos, e como. como
o céu e aguardo uma
digestão convulsa. enquanto
o aguaceiro seca na terra antes que o
possa beber e deus se
vinga de mim ditando
os versos que escondem
a água ao mundo. já as
fogueiras florindo em volta,
murchando o dia que me
persegue. uma intervenção
divina para me resistir
[valter hugo mãe]

uma musica


Sunday, March 07, 2010


dias são dias.

e há dias em que sinto falta das palavras.
nesses dias
o vazio é enorme.
lá vou eu buscar os meus livros,que são a minha casa, o meu porto seguro
sempre repletos de palavras,que me fazem suprir a carência que tenho delas.
procuro em Pessoa, Quintana, Sophia,Mourão Ferreira ou Vinicius.

mas fico sempre entre duas brilhantes mulheres....
é a Cecilia que me diz que morrerei por idades imensas, até que não terei mais medo de morrer e só então serei eterna.
mas também sei que não é o que procuro. medo de morrer não tenho.não quero é a eternidade.
ou é a Clarice que me diz que a única verdade é que vivo.sinceramente, eu vivo.quem sou?bem, isso já é demais....
mas também sei que ainda não é isso que procuro.não sei se vivo, mas sobrevivo aos dias...sei que não sei quem sou e que talvez seja melhor assim...

pois o que eu procuro é apenas uma palavra que ficará para sempre na minha pele.

qual será ela?

a busca deve continuar?

Wednesday, March 03, 2010

não, não morri mas também não sei se estou viva

já nem as metáforas são suficientes
e as palavras preferem que eu não as pronuncie.
a concentração não existe....
quando não se sabe porque a dor insiste,
ou pior quando não se sabe porque doi,
tudo é alheio e estéril.
perdi o riso e se calhar o rumo,
uma dor de viver
e a tal tristeza
que não derrama lagrimas,nem de nada,
é uma tristeza enraizada,
que não me larga,
e me rouba a graça.
estou cansada.
muito cansada.

Wednesday, February 24, 2010

coisas de que gosto no feminino

um poema
Não voltei a esse corpo; e não sei
se aqueles que o vestiam antes e depois
de mim souberam nele o verdadeiro calor
e lhe conheceram os perigos, os labirintos,
as pequenas feridas escondidas. Não voltarei
provavelmente a sentir a respiração
palpitante desse corpo, desse lugar onde as ondas
rebentavam sempre crespas junto do peito, do meu peito
também, às vezes.
Uma noite outro corpo virá lembrar essa maresia,
o cheiro do alecrim bruscamente arrancado à falésia.
E eu ficarei de vigília para ter a certeza de quem me
recolheu,
porque os cheiros tornam os lugares parecidos, confundíveis.
Quando a manhã me deixar de novo sozinha no meu quarto
trocarei os lençóis da cama por outros, mais limpos.
[Maria do Rosário Pedreira]
.
um livro

um filme



um sentimento

uma musica

um texto

não respondo aos dias sem alvoroço, aos dias de ninguém. com um ar absorto, deixo o incómodo que consome essas manhãs. tudo acontece num tempo hostil, cheio de movimentos, onde a chuva ácida caminha lado a lado com a minha presença, em sonhos vindos dum fruto, derramando uma luz inconsistente. o cansaço aliado às mil exaltações inquietas, numa aventura de voltar a colher flores, ver de novo os pássaros prometerem dar vida às árvores, que teimam morrer, na clara afirmação extrovertida de promessas de vida.a lucidez do olhar atravessa a distância e espera o bater duma porta. [Lena Maltez]

Monday, February 22, 2010

o "as velas ardem sempre até ao fim" faz 4 anos!


Parabéns a Vocês que aqui passam e me mantêm a arder !
O Velas é um pequeno pedaço da nossa conversa infinita, sem as convenções diárias do adeus ou dos beijos virtuais porque do dicionário da amizade não constam as palavras obrigação ou despedida.

Friday, February 19, 2010



Vestimos camisolas negras para ir ao enterro do outro
e um ano depois já nem nos lembramos da cara do outro.
Vestimos camisolas negras porque, graças a Deus, não vamos ao nosso enterro,
mas simplesmente assistir à cerimónia da lembrança da Morte.
E é assim que se vive, porra. C'est comme ça, merde.
A gente depena-se de preto, solta negritudes penas, de branco fica mal,
de branco nasce-se. De branco fornica-se.
Jamais de noir.
(Não sorrias...não sorrias...és tu o próximo do lado de fora observando
os outros observando-te.)
E é assim que se morre. Que se falece. Fenece. Caindo em túrbido esquecimento.
Quem se lembrará ainda do rosto do outro?, o morto? Ninguém, por Deus, nem eu.

[Lembrança-xangri_lah]

Sunday, February 14, 2010

este texto é resultado da febre que tenho desde ontem

o silêncio está a fazer muito barulho.
ouço o silêncio. estou sozinha.

shiuuuuu....nenhum ruído.

devo esconder me??sim para ele não me apanhar para sempre!

ao longe ouço um telefone que toca ...mas o meu está desligado.

será que é na minha cabeça que passam músicas?

ai, é...é.e muitas. de muitos ritmos.

dor de cabeça.

sendo assim escondo me!

Friday, February 12, 2010

Não nos podermos fechar em redomas com medo do frio da vida, sob pena de não percebermos o que é o calor.
[valter hugo mãe]

(ler a entrevistado escritor toda aqui)

Tuesday, February 09, 2010

let's dance!


para quem não gosta de chuva

até custa dizer...

que vou aproveitar a chuva que cai lá fora!

tentar brincar com a sorte
pode ser a melhor parte de minha vida.

o ser feliz e não sabia

dizer o que tiver que ser dito.

quero ter melhores momentos,

outra vez.

imagino uma dança,

em que tento não errar o passo

para não perder o ritmo...

saltar

transbordar

sentir.

como uma dança boa!

o que tiver que ser...

os sentimentos são engraçados,

as diferenças estão nas intensidades
até mesmo os desejos têm suas peculiaridades.

Sunday, February 07, 2010

Conhecer_Miguel Esteves Cardoso


Nunca vou ao fim das coisas. Tudo começa. Nada acaba. Eu não deixo. No meu sonho, tudo continua, tudo se repete, mesmo que seja preciso interrompê-las de vez em quando. Tenho medo que acabem. Porque é que se hão-de levar as coisas ao fim?

Amo o incompleto, o suspenso, o atravessado, o interrompido. Os fins entristecem-me. Viver as coisas até ao fim é matá-las.

E trocá-las por outras novas é traí-las. Melhor trazê-las sempre, duvidosas e imprevisíveis mas ainda gostadas e presentes.

Se acabo um livro, sinto-me derrotado, fico deprimido, queria que continuasse, e não continua. Reler não é a mesma coisa. Lembrar não é tão bom como viver. Mas é melhor do que matar. Repugna-me a ideia das relações humanas que se «esgotam». Faz lembrar esgotos. Como se um sentimento se pudesse despachar. É preferível abandonar a pessoa que se ama e guardar o amor que se tem por ela a segui-la até à saciedade.

As pessoas namoram e ficam casadas até se odiarem. Os amigos convivem de mais e começam a chatear-se. As famílias passam tempo de mais juntas, até descobrirem todos os defeitos de cada uma. Dir-se-ia que as pessoas não suportam ter o coração dependente e então cansam- -no propositadamente, para se verem livres do sentimento verdadeiro e bom que sentiam.

Porque é que as pessoas que querem ser livres, independentes e tudo o mais, são aquelas que mais mal aguentam a solidão? Porque, para o mal e para o bem, habituaram-se a uma companhia constante. Não percebem que as saudades, os desejos nunca realizados, os sonhos que ficaram suspensos, são a melhor companhia (embora também a mais triste) que se pode ter?

Nunca se deve conhecer nada a fundo. Não falando na pretensão de pensar que se pode conhecer. Quando se diz «Conheço-o como as palmas das minhas mãos», há sempre uma insinuação feia e negativa. As pessoas, quando estão tristes ou mal-dispostas, não deveriam expor- -se. É uma falta de respeito pelos outros.

Deve-se ser turista nas coisas do amor. Conservar o deslumbramento. Fechar os olhos quando desmorona a fachada. A intimidade verdadeira é partilhar a descrença na ilusão. Um navio visto ao longe. A lua. Os microscópios são detestáveis. Quem quer conhecer os segredos da casa das máquinas ou a superfície das estrelas? Não é por se estar mais próximo que se está mais próximo da verdade. A verdade é aquilo em que acreditamos.

Quem acredita ainda na distinção entre conhecimento e fé? Porquê provocar, remexer no passado, fazer perguntas? É como se as pessoas quisessem destruir o que as comove. É esse o sentido da frase de Wilde, que cada pessoa mata aquilo que ama. E tudo o que ele diz sobre a superfície é profundo. Não é só horrendo saber a «verdade» sobre James Dean ou Marilyn Monroe " é um engano arrogante. As coisas também se percebem, também se amam, à distância.

Para mim, as fotografias de Inês Gonçalves é que são Portugal. Não são as reportagens e as notícias. E não admito que me chamem romântico. Eu sei que por trás daquele miúdo ou daquela árvore há não sei quê e não sei que mais. A Inês também sabe. Por isso é que fotografa como fotografa. Entre o que vê e o que fotografa vai a distância que eu admiro e, não só isso, sei que vai ficar. Entre ser esclarecido e ser iluminado, não há diferença. Mas, se houvesse, eu prefiro ser iluminado. Prefiro a revelação ao registo. Não me custa nada dizer que as fotografias da Inês são o «por trás» do «por trás», já que mostram a alma portuguesa fora do tempo e das circunstâncias, mas, ao mesmo tempo, sem mentir, dentro delas.

Gosto de tudo a que chamam «cerimónia» e «boa educação». Odeio-me quando cedo a ler biografias de escritores que admiro. Tenho a certeza que a chamada «face» pública, que é a obra, que é o rosto que mostram, é não só mais bonita como mais verdadeira que as pesquisas arqueológicas que tencionam revelar o lado particular com a ideia de que esta está escondida, é clandestina, e deita luz sobre o que já se sabe. Com o tempo, o que é que fica da vida de Platão ou de Camões? O que é que interessa?

Mas as pessoas não devem aguentar o amor, porque, mal amam, logo procuram destruí-lo com a falsa noção do conhecimento. É a mania dos «bastidores». Que interesse podem ter os bastidores duma pessoa ou de uma peça de teatro? O que é que tem a tecnologia do cd a ver com a música? O sistema de canalização de uma casa? Uma ecografia? Não completam nada. São outras coisas separadas.

Em boa verdade, eu não sei por que é que um pássaro voa, nem quero saber. Voar já é tanto. Explicar o voo morfologicamente é reduzi--lo, é fazê-lo aterrar. O que é banal para o pássaro tem de continuar a ser maravilhoso para nós. Walt Disney é uma coisa. A biologia e as técnicas de animação são outras.

Gosto das primeiras impressões, sobretudo quando se vão repetindo ao longo dos tempos. Odeio e evito as descobertas, género «Descobri que Fulano era afinal um malandro». Este afinal, com o seu tom peremptório e arrogante, como se fosse possível definir definitivamente um ser humano, irrita-me. É um acto de amizade não estar sempre a vasculhar e a reinterpretar os amigos. Toda a gente sabe que as pessoas são polifacetadas " mas porque não restringirmo-nos à faceta que conhecemos de que mais gostamos?

A vida é muito complicada e o nosso coração precisa de simplificá--la, sem ter medo de se «enganar». É preciso resistir à curiosidade e à arrogância.

Conhecer deveria ser só o primeiro passo.

Friday, February 05, 2010

coisas que gosto

uma musica


um poema

Deixei a luz a um lado e numa beira
da cama em desalinho me sentei,
sombrio, mudo, os olhos imóveis
cravados na parede.
Que tempo estive assim? Não sei; ao deixar-me
a horrível embriaguez da dor
já expirava a luz, e na varanda
ria o sol.
Não sei tão-pouco em tão terríveis horas
em que pensava ou que passou por mim;
recordo só que chorei e blasfemei
e que naquela noite envelheci.

[Gustavo Adolfo Bécquer]

um livro



um texto meu


definitivamente não sei. não encontro os limites entre o meu espaço e eu, estamos longe, parece me que muito longe. afastados nos sentimentos. acho que já não me permito tentar ter compreensão.absoluta. tenho ossos, carne, boca, tenho desejos, medos e alguma coragem.pouco ou nenhum carinho. e porque me sobra alguma coragem, vou.a passagem a escorrer pelos meus dedos. mas não compreendo.
continuo a procurar. tipo subtilmente ou desinteressadamente.eu sou intermitente. sempre com sono dentro do corpo buliçoso. mutação. procuro e nela muitas sensações se afastam de mim como contradições. quero um tecto sobre a minha cabeça.absorver. quero um. mas eles caem à minha passagem.
sinto me essencialmente desconfortável dentro da minha cabeça. uma louca vontade de bater ao murro no mundo que não se cansa de andar à roda na minha cabeça. ainda tenho tanta coragem e, no entanto, que fazer com ela? no dia a dia, uso máscaras como ponto de apoio mas que mal chego a casa deito fora e limpo, não, melhor ainda, esfrego a cara até ficar vermelha e me conseguir ver.a fragilidade em choque com a força.
um dia,serei capaz de colocar a minha coragem bem dobradinha numa mala de viagem ou levo a mesmo na mão. logo vejo quando chegar a hora de partir.ou se calhar, deixo ficar arrumada e não vou a parte nenhuma.porque mexer com as pessoas por dentro é para os fortes.eu não sou forte.a mim, a indefinição.como um compasso de pernas tortas e indefinidas.
talvez não ter caminho é tê-lo concluido. talvez não ter caminho é tê-lo concluido. a repetição da frase conforta me. e eu preciso de conforto. de tortos caminhos sei eu.

um momento


uma frase

Não devemos ser escravos de um padrão, de uma época, de um costume. Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade.

[Luiz Márcio M. Martins]

um filme



Uma cidade portuária no norte da Espanha, que há muito tempo voltou as costas ao campo e que se rodeou de indústrias que a fizeram crescer desproporcionalmente, alimentando a imigração e desenhando um horizonte de chaminés, sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados, à mercê de pequenas ocupações temporárias.Um grupo de homens todos os dias percorre as suas ruas, procurando as saídas de emergência. Entre eles, está Santa, um machão rebelde e auto-suficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a verdade é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna uma espécie de líder, são perdedores completos, mergulhados no alcoolismo e em crises familiares.E como diz no filme, Santa, personagem interpretado por Javier Bardem, "a formiga é uma filha da mãe especuladora".

Wednesday, February 03, 2010

os estupidos somos nós?

O Fim da Linha
Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa
Infelizmente e para não variar o Jornal de Notícias recusou se a publicar a cronica de Mario Crespo.O jornal declarou que não publicou o texto por este não estar conforme com as regras jornalísticas.Depois de ler o texto acreditam???
Mario Crespo , esse sim felizmente, não me surpreendeu, porque a sua dignidade e liberdade está acima de tudo e cessou a sua colaboração com o jornal.
A propósito deixo um artigo do Expresso de dia 3 Fevereiro porque recordar é viver!
Sócrates é uma ameaça à liberdade
Henrique Raposo
O "caso Mário Crespo" é apenas o último episódio de uma longa lista de factos que comprova uma coisa: José Sócrates é um político intolerante, que não sabe lidar com a liberdade.
Esta lista foi feita de memória. Uma outra pesquisa, mais apurada, será capaz de apanhar mais factos. Mas estes, por enquanto, chegam:
1. Se a memória não me falha, José Sócrates já processou nove jornalistas. Nove. Isto dá quase uma média de dois por cada ano de governação. Com estas acções judiciais, José Sócrates pretende intimidar toda a classe jornalística, forçando as pessoas que escrevem a fazer uma auto-censura permanente.
2. José Sócrates liga para as redacções e
berra com jornalistas .
3. Muitos assessores, e até ministros, ligam para as redacções para berrar com jornalistas. Há dois ou três anos, Silva Pereira telefonou a Mário Crespo. Se não me engano, Crespo disse que a discussão com Silva Pereira não foi menos feia do que a célebre discussão com Valentim Loureiro.
4. No trato com os jornalistas, José Sócrates é constantemente mal-educado. A
forma como tratou Judite de Sousa é inacreditável .
5. José Sócrates nunca responde a perguntas. Nem perante os jornalistas, nem perante os deputados. Ou seja, temos um primeiro-ministro que, de facto, nunca foi realmente entrevistado em mais de cinco anos de poder.
6. Numa famosa reunião entre José Sócrates e blogueres, a ligação em directo caiu. Nunca saberemos por que razão a ligação caiu. Mas sabemos que, antes de entrar na dita reunião, José Sócrates deu uma introdução filosófica sobre a
"liberdade respeitosa". Salazar, na tumba, aplaudiu.
7. A
revista "Sábado" fez este estudo . Elucidativo.
8.
José António Saraiva fez estas declarações. Nada aconteceu.
9. O desaparecimento do telejornal de Manuela Moura Guedes. Vamos dar de barato uma coisa: OK, Sócrates não teve nada que ver com o desaparecimento desse telejornal; uma estação de televisão teve apenas um colapso da inteligência e destruiu um dos seus programas mais famosos. Mesmo assim, há várias coisas inadmissíveis neste caso. Pela primeira vez na história da nossa democracia, um político transformou uma jornalista no seu principal adversário político. O PS, de forma "chavista", montou uma guerra a Manuela Moura Guedes. Depois, já com o JN6 encerrado, José Sócrates ainda jogou umas piadinhas sobre o assunto. Essas piadinhas, que revelam toda uma personagem política pouco recomendável, estão gravadas num vídeo que apanhou os minutos de conversa entre José Sócrates, Francisco Louçã e Judite de Sousa (antes da entrevista na RTP). Esse vídeo esteve disponível aqui neste site.
10. José Sócrates montou guerra ao director do jornal "Público", José Manuel Fernandes
Pensava que o tempo do lapis azul ja tinha acabado..afinal descobri que estou numa epoca bem pior!
A idade já me leva a não acreditar em coincidências.
E também não me considero estupida.
O melhor é ir reler o magnifico livro(1984) do George Orwell para me preparar para os tempos que aí vêm!

Tuesday, February 02, 2010


segundos,minutos,horas. mudam o hoje.que estão agora e não estão.um rosto novo.um rosto velho.às vezes nem rosto é. apenas pele.
segundos,minutos,horas.o tempo corre desenfreado.não sabe parar.e vários sonhos não se cumprem.
segundos,minutos,horas.que mudam tudo.companhia, solidão.alegria, tristeza.ilusão.é um acima e abaixo de caos e incertezas.
segundos,minutos,horas.viver e depois morrer.deixa o que nunca foi começado.o que não se disse.ou o que não se sentiu.deixar.
segundos,minutos,horas.em que somos jovens,belos...inteiros e vazios.
segundos,minutos,horas.passam sem que percebamos...
segundos,minutos,horas.já é tarde, já é cedo.já se foi...

Monday, February 01, 2010

estou assim

para a Maria

a vida em palavras simples
não tão simples como a vida
nem é simples procurar
simples palavras para uma vida
tão simples como a amizade
feroz como o sentimento
sem a moléstia de sofrer na dor
humildade no arrependimento
conhecer a simplicidade
no próprio sentido bom
não interessa a idade
de sentir tão sentido dom
na forma de um ser

Friday, January 29, 2010

também eu sou de vidro escurecido

Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro


Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido

Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita

[Sou de vidro_Lidia Jorge]

Wednesday, January 27, 2010

desejo




gostava de me amarrar. viver rodeada de palavras bonitas, de pedidos melosos, de musicas alegres , de versos encantados, de conversas partilhadas e repleto de fantasias.
pronto já disse!

Monday, January 25, 2010

hoje só tenho uma foto do mar



o peito rasga.jorra sangue. eu sinto me sufocar.
nado em mim mesma, preciso de respirar o mar. vou respirar o e no mar.
mas o mar está onde? que eu não consigo ver.
mas o que me traz o mar?paz.
na beira do mar até sol que é lindo consegue ser ainda mais bonito.
na beira do mar o meu mundo sai do balão que o oprime e liberta se.
respirar.preciso de respirar. pisar a areia.molhar a vida.
o mar é uma grande casa .mas não é feita de cimento.
o mar é onde eu respiro.onde me sinto viva.
o mar é onde grito quando não aguento mais os dias.
mas o (a)mar é onde eu não chego.

Friday, January 22, 2010

...
E é preciso ter coragem para ser o que somos
sustentar uma chama no corpo
sem deixar a luz se apagar.

É preciso recomeçar no caminho que vai para dentro,
vencendo o medo imaginado,
assegurar-se no inesperado,
confiando no invisível,
desprezando o perecível na busca de si mesmo.

Ser o capitão da nau no mais terrível vendaval.
Na conquista de um novo mundo
mergulhar bem no fundo
para encontrar nosso ser real.

E rir, pois tudo é brincadeira.
Que cada drama é nosso modo de ver.
A vida só está nos mostrando
aquilo que estamos criando
com o nosso poder crer.

[Estou Aqui_Luiz Antônio A. Gasparetto]

Wednesday, January 20, 2010

coisas de que gosto

uma alegria

esta semana nasceu a Madalena
só tem um quilinho...precisa de crescer um bocadinho mais poder ir para casa com a Mamã e o Papá!
mas já é uma Princesa e vai ser uma grande Mulher!


um filme










um poema


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
[Florbela Espanca ]

um sabor


um texto

Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis em que já não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala.
[Ensaio sobre a cegueira_Saramago]


um livro

uma frase


Mulheres e elefantes nunca esquecem.

[Dorothy Parker]



uma musica






Sunday, January 17, 2010

desabrigo de inverno


nesta noite de inverno, sob as cobertas da minha cama confortável e na penumbra do quarto azul aconchegante, os meus olhos são como vidros que estão embaçados, uma espécie de neblina. regressa o vento e a chuva.mas volta também o vento da consciência enfurecida, trazido pela chuva das lágrimas. uma raiva de sangue. que eu tinha certeza que voltaria. e voltou.
este tempo traz consigo um sorriso retorcido e desprezível.um chama de loucura. um corpo endurecido de carnes, músculos e ossos. inflige a pele viçosa sem perdão. em mim, o seu lado mais assustador. o inverno não é humano, por muito que o tente. nunca o espero, nem finjo que tenho saudades deste tempo para mim assustador. não quero ouvir o vento nos meus ouvidos soprar a minha vida perdida.triturar os meus ouvidos com o seus gritos retorcidos dos galhos a cair. não tenho sede de beber a água da chuva. a existência da chuva nojenta, suja o que há de mais limpo em mim. não necessito de noites frias. por muito que goste de chá quente e de mantas felpudas. não quero a cara tapada por um cachecol. e ter deixado de olhar o céu pela insistência de andar sempre de chapéu de chuva. o inverno descortina como oferta as minhas tristes miudezas. desfia um cordão de desgraças velhas. tudo o que eu evito, ou prefiro não saber, ele manda me à cara. a minha alma recebe socos abrindo as portas do que há de mais particular dentro de mim. o eu mais secreto. nestas noites de inverno, quando as árvores dançam lá fora, o pior de mim bate à porta para me visitar.
com tudo isto, sinto um enorme mal-estar. o meu corpo já não se sente em mim mesma. eu e o inverno, definitivamente, não se entendem. aqui estou perante o velho dualismo. algo sobra no meu corpo.o frio invisível, impalpável. estou desconfortável. percebo o ponto de vista do meu corpo. a chuva dá me uma imensa sensação de desamparo, uma necessidade enorme de me fechar em mim. não suporto o inverno.nem aquele em que jazo. o corpo, sente-se fracassar. a minha alma está indeterminada e espessa, perde a consistência da memória e da continuidade. deseja morrer. ou matar o inverno.mas não sabe por onde começar.

Monday, January 11, 2010

um post tão longo mas tão longo que percebo que desistam a meio de o ler!

na 6ª feira, senti que pertencia a um país que ficou mais decente!
em que todos merecemos, pelo menos à partida, o mesmo respeito e temos os mesmos direitos.
a utopia de sermos todos iguais.
no sábado fui ao cinema.
impossível ficar indiferente a um murro no estômago!




"A estrada encontrava-se deserta. Mais abaixo, no pequeno vale, a linha sinuosa de um rio, estagnado e cinzento. Imóvel e de contornos bem precisos. Ao longo da margem, uma amálgama de juncos mortos. Está tudo bem contigo?, perguntou. O rapaz fez que sim com a cabeça. E então puseram-se os dois a caminhar no asfalto sob a luz metálica, cinzento-azulada, a arrastar os pés na cinza, e cada qual era o mundo inteiro do outro."[A Estrada– Cormac McCarthy]

no Domingo à noite li esta crónica na Noticias Sábado e gostei.
fez me rir.
apenas um comentário ...eu tenho 35 anos mas gosto de homens mais velhos,
sei lá !


O amor e as barragens
DIZEM QUE os rapazes novos gostam de mulheres maduras. E depois sabemos que os homens mais velhos se tomam de amores por raparigas mais novas. Percebi por fim por que há tantas trintonas solteiras…
Eu vejo muito encanto nos 30 – porque as mulheres crescem, lembram nostalgicamente a adolescência e algumas decidem voltar a ela… Outras, talvez pela proximidade dos 40, começam a coleccionar receitas e a descobrir que podem fazer camisolas ou almofadas.
Os homens aos 30 voltam a debruçar-se sobre o umbigo: é a idade da barriga e do ginásio. Traem, são traídos, separam-se, bebem cerveja e começam a gostar mais de vinho. Os homens aos 30 ficam mais tristes, as mulheres mais assanhadas. Deve ser também por isso que não coincidem.
As mulheres querem saber que idade tem o novo namorado da amiga. E se ela diz «31» tendo ela 32, é uma desilusão. Vidas normais sem chama. Nós queremos é que uma margem grossa entre os dois seja discutida ao jantar e que se façam palpites à medida que a garrafa avança: quanto tempo vai durar a relação? Com quem é que ele vai traí-la, como é que ela o vai caçar?...
Os homens talvez não tenham esta maledicência tão imediata. Os homens também querem saber a idade, mas sobretudo se é loira ou das outras (…) e se tem curvas. Já agora, o que é que faz. Porque o poder ou o dinheiro dela podem trazer problemas à camaradagem dos fins-de-semana. A autonomia de uma mulher põe em perigo a animação dos machos.
Nunca me lembro de alguma amiga ter perguntado o que fazia o «namorado» de uma de nós. Querem ver que as mulheres são mesmo românticas?
Eu, se ficasse solteira agora, não sabia muito bem para onde deveria olhar. Porque os mais novos de pele boa sabem menos e dá trabalho explicar-lhes tudo. Por outro lado, têm aquele ar fresco e os dentes brancos e dormem como se não houvesse amanhã. Eu tive alguns namorados que acordavam com um sorriso lindo que fazia esquecer algumas coisas, mas fora de casa podia ser constrangedor. Outros namorados tive que nunca acordaram. Há gente que dorme a vida toda…
Agora que reflicto sobre isto, penso que nunca experimentei devidamente a bancada sénior. Os tipos mais velhos podem ser aborrecidos com as desculpas dos filhos e do trabalho, não percebendo que enquanto estiverem de costas voltadas para a vida nenhuma desculpa os vai satisfazer. Eu acho que todos nós inventamos muitas razões para não nos divertirmos. Temos medo de pagar um preço alto pela diversão fora de tempo. (Como se houvesse idade ou altura para sermos felizes.)
Será que uma octogenária pode dizer que o marido – octogenário também – é imaturo? E o marido dirá que «ela nunca mais aprende»? Porque isto são coisas que dizemos a vida toda e quando estamos perto do fim ainda nos queixamos um do outro? Ainda nos acusamos mutuamente? Ainda nos agredimos com as nossas diferenças?
Não é preciso ir tão longe nas agendas dos dias futuros. A minha amiga de trinta-e-tais dirá que o seu namorado sexagenário é imaturo? E ele alguma vez se queixará de que ela é «chata»? As diferenças, ou pelos menos as acusações, diluem-se com o tempo? É que senão guardo-me para o amor mais tarde…
Sabem, hoje no táxi falava com o motorista sobre as barragens, o tempo e a agricultura. E eu disse ao bom homem que os nossos agricultores arriscam pouco. Ficam de braços cruzados a ver a intempérie levar-lhes o futuro e trazer-lhes os queixumes e a dor. Desconfio que não é só coisa dos agricultores. Desconfio que somos todos assim e no amor também. Ficamos de braços cruzados a assistir à batalha campal da diferença de géneros, arriscando pouco, fazendo pouco contra a ditadura do calendário.
Aceitamos a imaturidade dos homens, eles aceitam-nos a histeria desnecessária e ninguém se mexe muito do sofá.
Excepção para as trintonas, claro, as tais que estão sozinhas e que gostam do rebuliço. A revolução será delas.
Oh God, make me good, but not yet!

e a semana chegou...


dedicada a analisar projectos individuais de Internacionalização de PMES ao programa de Incentivos QREN-deadline 15.01. pelo meio umas reuniões chatas e outras complicadissimas. responder a uns 150 emails diários (alguns com perguntas tão estupidas....).e sonhar com o próximo fim de semana!

amigos [virtuais] de quem gosto muito.

o meu texto de dia 7 é muito sentido, não foi nem é uma brincadeira, são os meus sentimentos.

por isso não posso deixar de partilhar 3 mensagens que me emocionaram 3 amigos.virtuais ou não...não sei.sei que os sinto respirar.



''Olá Velita.
Estas tuas palavras são para ouvir em silêncio. Assim, retirei todas as canções.
A que acompanha o teu blogue e as que me ocupam o pensamento a cada momento.
Desde cedo tivemos as nossas conversas e desde sempre aprendemos a respeitarmos o espaço um do outro. E, vê lá bem, nem nos conhecemos.
Eu posso bem ser o jovem assassino que toca órgão e tu um doido japonês. Mas, as palavras, essas, sempre nos ligaram.
Tu sabes que eu gosto dessa forma crua, como encaras a tua realidade. E eu sei que tu gostas da forma emocional como eu encaro a minha.
Sabes, são assim os nossos dias de solidão. Ainda hoje coloquei uma foto e falei sobre isso mesmo.
Mas o nosso país, o nosso mundo, precisa(m)de vozes como a tua, por isso nem penses em rebentar.
beijo.''

''Não te sei comentar, hoje.
Mas convido-te a beber um copo de um bom vinho tinto. Sei que gostas. Marca na tua agenda, sem direito a 'uma nega'...Beijinho
No sábado, dia 9, vou jantar à Taverna e ouvir a Ana Lains - canta fado. Queres vir?
Tens, em alternativa, o dia 15 - sexta feira - vou lá jantar, e a seguir ouvir a Real Companhia.
Num dia ou noutro acho que podias vir. Sinto que não estás bem e quero muito beber um copo de tinto contigo.
Se preferires noutro sítio calmo, ou mais calmo, diz.
Deixo-te um abraço, mas responde-me, please!
''

''A vida é redigida por nós, somos nós que a direccionamos! As escolhas são nossas independentemente de serem as melhores ou as piores. Mas temos de arriscar, temos de adoptar caminhos que na altura nos parecem ser os melhores, independentemente de mais tarde se virem a revelar errados. Viver é fazer escolhas, é tirar partido das oportunidades que nos surgem, sejam elas eternas ou momentâneas… é viver, não se deixando morrer, dia após dia, aproveitando e saboreando todos os pequenos e maravilhosos momentos que nos vão despontando, contrariando assim aqueles que nos atiram abaixo.
Não compreendo como podes tratar esse pensamento com uma paixão, quando para mim se trata de uma fraqueza, de um desespero… por vezes tentar compreender o que não tem compreensão, só nos faz afundar mais. Por isso não tenhas medo de falar, pois falar faz bem, ajuda a “limpar” a alma… fala para quem te escuta, não só para quem te ouve. Pois quem te escutar ajudar-te-á, sem pedir explicações, sem te julgar… simplesmente te dará o seu apoio, te dará o ombro para chorares e se tu o permitires te fará rir, te fará ter prazer e farás cara de espanto quando perceberes que não estas na terra só para descansar, mas sim para viver.
E viver não é sobreviver! Pois o pouco que tens representa tudo e não nada como fazes questão de afirmar, pois é esse pouco, que tens de amar e te entregar de paixão. Esse pouco és tu, e se tu acreditares em ti, tudo o que dizes não ter e te representa tanto, despertará de ti que por alguma razão, que não sei qual, um dia adormeceu.
Puro conteúdo que já se encontra dentro de ti, tu é que não acreditas nele. Talvez por isso não o gozes, nem nada seja consumado.
Enganas-te quando dizes que ninguém te vê e ninguém te escuta. Mostra-te e deixa-te ouvir!
Não necessitas de deixar de ser uma menina pequenina, mas sê-o com jeito de mulher e de coração enorme que eu tenho a certeza que o és.
Nunca desistas!''
e ainda que nunca vos tenha visto, queria dizer...
gosto de ti Francisco
gosto de ti Maria
gosto de ti Jorge
[peço dsc por publicar sem a vossa autorização]

Thursday, January 07, 2010

sim, onde fico?onde fica Portugal?

penso na vida, e na falta de vida.
vivo não deixando de morrer aos poucos todos os dias.
ultimamente a vontade de desaparecer por completo tem me parecido sublime.
acho que é a primeira vez que escrevo sobre esta atracção.talvez porque tenha vergonha de tal afeição.
será algum dia possivel esquecer esta velha paixão?
se falasse menos e compreendesse mais...
ter prazer...fazer cara de espanto...
quanto na terra apenas tento descansar.
mas o tudo que tenho, parece que não representa nada
e tudo que se não tenho, às vezes representa tanto.
puro conteúdo é consideração.
e não gozo.
mas enquanto nenhum facto é consumado,
escrevo sobre essa minha solidão.
eu sou apenas o que ninguém vê.
o que ninguém escuta.
sou uma menina pequenina.


Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte. Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível no bolso do kispo. Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata… São estatísticas, tudo em números. Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca órgão. O space-shuttle leva cortiça do Alentejo para o Espaço. O Bispo viu o maior massacre da guerra de África e calou-se. Mas hoje vai responder. Os factos verdadeiros são os piores. O amor do rapaz rebentou. Que responsabilidades temos quando nada fizemos? Em que fado parámos, onde fica Portugal.[Rui Cardoso Martins_E se Eu Gostasse Muito de Morrer]

Tuesday, January 05, 2010

lixo e girassois

hoje andei ao lixo.
procurei algo que ainda pudesse aproveitar,
destrui com uma força voraz os sacos,
forla essa que só os esfomeados conhecem.
exatamente como eu:
mendiga.
faminta.
mexer no lixo,
fez me rasgar lembranças,
aproveitar algumas palavras e silêncios,
apagar erros
e
encontrar algumas verdades.
hoje andei ao lixo
em busca de migalhas
que talvez
me dêem uma porção de esperança.

i can't sleep, it's very heavy ... i can't sleep and i can't believe ... please, take the weight off my shoulders!

Sunday, January 03, 2010

manias de Vela!


eu sou a cera que se derrete
nesta mente agitada
cúmplice numa ousada caminhada
que arde sempre até ao fim.

a Teresa quer que exponha em público, 5 das minhas manias. desafio dificil este para quem marada como eu! só 5....ok!escrevo algumas particularidades confessáveis.

gostar de quem não gosta de mim;


só tenho molas da roupa de 2 cores e sempre que tenho que estender roupa para secar nunca coloco molas de cor diferentes na mesma peça de roupa;


ouvir musica deitada no meu soalho de madeira;


ler livros/revistas/jornais compulsivamente, ver sempre o telejornal das 20h na SIC e o jornal das 21h na SIC Noticias com o Mario Crespo;

adorar vinho tinto.



e vocês têm manias?

Friday, January 01, 2010

01.01.2010




Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

[Carlos Drummond de Andrade]