Tuesday, July 06, 2010

ausência [Carlos Drummond de Andrade ]


Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

Sunday, July 04, 2010

...desabafos...

cada vez escrevo menos e pior. parece que o Velas anda abandonado.... ele próprio me sussurra ao ouvido que se sente só.mas, qual a graça de ter um blog para se ser escravo ele? aqui nunca me senti obrigada a nada.
sinceramente, ando a trabalhar muitooooooooooo.
muito que fazer, planear o trabalho e mais trabalho. acordo como sempre de mau-humor,mas lá me levanto e parto para mais um dia.mas os dias não são todos iguais.nunca dá tudo certo,nunca dá tudo errado. é às vezes quando dá errado até está certo. a vida é assim. o mundo é assim, mas custa me a entender. eu vivo, eu penso, eu escrevo, mas ainda não entendo.
vou arriscando, ganho e perco os jogos. perco tudo e ganho pouco.mas bluff não faço.recuso me. o meu problema são as cartas.nunca tive boas cartas… pelo menos que me lembre.
eu devia era dormir, mais ou menos um ano!

se eu pudesse voltar atrás, fazia tudo igual ou mudaria alguma coisa??
não acredito em ses. acredito nos fins, em atitudes de coragem e no verdadeiro significado da palavra amizade. o resto é fuga.

Wednesday, June 30, 2010

heart


a quem tem um coração de ferro, que o aproveite e faça bom proveito.

porque o meu, fizeram no de carne, e sangra todos os dias....
(adaptação minha de uma frase de Saramago...
que neste momento me diz muito)

Monday, June 28, 2010

actual, muito actual!

Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ... vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal.
[Farpas_Eça de Queirós, em 1872 ]

Friday, June 25, 2010

tontarias




a Pink,veio o desafiar me a textualizar 6 nóias que mais me caracterizam e depois é passar o desafio a quem me lê...sem excepções (leram bem!!!)
seguem as tontarias:
  • medo de uma guerra, de ficar presa em casa ou no trabalho, sei lá eu...só sei que o frigorifico, a despensa e uma gaveta da secretária estão recheadas de comida;
  • só tenho molas da roupa de 2 cores e sempre que tenho que estender roupa para secar nunca coloco molas de cor diferentes na mesma peça de roupa;
  • andar sempre com um caderninho onde aponto frases que me comovem, que considero importantes...
  • ouvir musica deitada no soalho de madeira de minha casa;
  • combino sempre as cores dos sapatos com a mala, a mala com cinto se o estiver a usar nesse dia e se chover a cor do chapeu de chuva com a cor predominante que trago vestida;
  • adoro adormecer no sofá...mas depois quando acordo fico chateada por ter adormecido e doer me o pescoço.

Thursday, June 24, 2010

porque o medo de ser simples?


o mundo é complexo,

talvez porque seja assim o que o vemos.

tenho cá para mim que ele é assim,

dificil,

porque nós somos assim.
a complexidade somos nós que a impomos.

até porque quanto mais me conheço,

mais entendo que complico o que é simples.

e que não admiro a natureza das coisas e das pessoas. na base.
as complicações surgem porque procuro explicações para todos os actos e factos,

que às vezes nem valem o tempo que perco a pensar,

sem entender a causa fundamental dos problemas.

eu.

descontrair.é o que preciso.
invariavelmente, esta forma de ser esta enraizada no meu eu.

preciso de analisar o essencial deste eu e do seu contexto.

porque também sei que quando perco o contexto,

estou a criar raizes,

que só aumentam o sentimento de solidão.

e nestes ultimos dias em que vivo,

rodeada de gente que não conheço e que não falam a minha lingua,

e de alentejanos...simples,

pergunto me:

porque o medo de ser simples?


Tuesday, June 22, 2010

Alentejo


Я ....
и вернуться пятницу!
(Хотя работа)


Sunday, June 20, 2010

Friday, June 18, 2010

José Saramago[16 de Novembro de 1922 _18 de Junho de 2010]


Poema à boca fechada

Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.

Calado estou, calado ficarei,

Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,

Ácidas mágoas em limos transformadas,

Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,

Palavras que não digam quanto sei

Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,

Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam

No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,

Que quem se cala quando me calei

Não poderá morrer sem dizer tudo.

a mim resta me dizer:

Obrigada!

Tuesday, June 15, 2010


Tudo é amor.
Até o ódio, o qual julgas
ser a antítese do amor,
nada mais é senão o próprio amor
que adoeceu gravemente.

[Francisco Cândido Xavier]

Sunday, June 13, 2010


estranho

muito estranho!

hoje,

baralhada no meio de tanta coisa

dia de limpeza geral... arrumação das gavetas e da cabeça... senti o cheiro do mar.

estarei louca??!!

o cheiro do mar

muitas vezes o sinto,

que quase sempre passa e muitas vezes não dou atenção.

mas neste momento,

o cheiro que sinto do mar é tão forte

que sinto a água e o sal nos pés.

pressinto

que o mar me avisa que esta com saudades.

de mim.

é sempre assim,

no meio da confusão que é a minha cabeça

a vontades às vezes bate o pé

e faz se gritar.

Friday, June 11, 2010

O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros_Maria do Rosário Pedreira


O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros.

As tardes vão-se repetindo no terraço, onde as palavras

são pequenos lugares de memória.

Estou divorciada dos

outros pelo tempo destas entrelinhas - longe de casa,

tenho sonhos que não conto a ninguém, viro devagar

a primeira página: em fevereiro, eles ainda faziam amor

à sexta-feira. De manhã, ela torrava pão e espremia

laranjas numa cozinha fria. Havia mais toalhas para lavar

ao domingo, cabelos curtos colados teimosamente ao espelho.

Às vezes, chovia e ambos liam o jornal, dentro do carro,

antes de se despedirem.

As vezes, repartiam sofregamente

a infância, postais antigos, o silêncio - nada

aconteceu entretanto.

Regresso, pois, à primeira linha,à verdade que remexe entre as minhas mãos.

Talvez os olhos

estivessem apenas desatentos sobre o livro;

talvez as histórias

se repitam mesmo, como as tardes passadas no terraço, longe

de casa.

Aqui tenho sonhos que não conto a ninguém.

Thursday, June 10, 2010

10 de Junho_Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Portugal é mais,
muito mais do que os 3 F!
Portugal,
somos nós,os que estão cá dentro e os que tiveram que procurar uma vida melhor lá fora,
a nossa lingua,
a nossa historia.
mas também o futuro!

penso que chegou a hora de darmos um murro na mesa e virá la de vez!


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
[Luís de Camões]

Tuesday, June 08, 2010

keyboard

dentro de mim, existem duas teclas.fortes. o delete e archive...
tento usa la com sabedoria.
mas nem sempre é facil.
nem sempre sou bem sucedida.
o delete: para tudo o que não valeu a pena, para quem me mentiu, me destruiu o coração, para quem usa máscaras, para a inveja, quem me magoou por nunca ter se preocupado em saber exatamente quem eu sou ou o que sinto.
o archive: para os amigos reais, ainda que virtuais, que me oferecem carinho, tempo, palavras, conselhos.para quem me dá a mão e o coração.
confesso que gosto mais de usar esta ultima tecla.
porque nelas estão as pessoas que, de uma maneira ou de outra, me ajudaram a ser um pouco melhor, que me fizem crescer todos os dias.que partilham sabedoria e sentimento.
nos quais a vontade e de verdade estão sempre presentes.

Sunday, June 06, 2010

coisas que gosto


um filme


um livro

um poema


Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma vida branca

e limpa à minha espera

[Ana Cristina César]

um momento



uma frase

Podemos passar a vida coleccionando dias, mas sabemos que nenhum vale mais do que aquele que desejamos ter de volta.[ Milch Albon]

uma musica

Saturday, May 29, 2010

Do céu caiu uma estrela!

George: Que desejo pediste Mary?

Mary: se te contar, pode não se realizar.

George:Diz me o que queres, Mary.Queres a Lua?Basta pedires que eu atiro um laço em volta dela e puxa a para ti..eu dar te ei a Lua, mary.

Mary:Eu aceito.E depois?

George:Depois, podes engoli la, e ela dissolver se á na tua boca.Os raios de luar irradiarão dos teus dedos, pelos fios do teu cabelo....

uma delicia,

o filme e este diálogo!!!!

Wednesday, May 26, 2010

Estou num dia em que me pesa, como uma entrada no cárcere, a monotonia de tudo.


A monotonia de tudo não é, porém, senão a monotonia de mim.

Cada dia é o dia que é, e nunca houve outro igual no mundo.

O meu desejo é fugir.

Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que amo.

Desejo partir - não para as Índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para o lugar qualquer - aldeia ou ermo - que tenha em si o não ser este lugar.

Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias.

Quero repousar.

Quero sentir o sono chegar como vida, e não como repouso.

Uma cabana à beira-mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de uma serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha vontade mo não pode dar.

A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem de cumprir-se, sem revolta possível nem refúgio que achar.

Uns nascem escravos, outros tornam-se escravos, e a outros a escravidão é dada.

O amor cobarde que todos temos à liberdade - que, se a tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a - é o verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão.

Eu mesmo, que acabo de dizer que desejaria a cabana ou caverna onde estivesse livre da monotonia de tudo, que é a de mim, ousaria eu partir para essa cabana ou caverna, sabendo, por conhecimento, que, pois que a monotonia é de mim, a haveria sempre de ter comigo?

Eu mesmo, que sufoco onde estou e porque estou, onde respiraria melhor, se a doença é dos meus pulmões e não das coisas que me cercam?

Eu mesmo, que anseio alto pelo sol puro e os campos livres, pelo mar visível e o horizonte inteiro, quem me diz que não estranharia a cama, ou a comida, ou não ter que descer os oito lanços de escada até à rua, ou não entrar na tabacaria da esquina, ou não trocar os bons-dias com o barbeiro ocioso?

Tudo que nos cerca se torna parte de nós, se nos infiltra na sensação da carne e da vida, e, nos liga subtilmente ao que está perto, enleando-nos num leito leve de morte lenta, onde baloiçamos ao vento.

Tudo é nós, e nós somos tudo -, mas de que serve isto, se tudo é nada?

Um raio de sol, uma nuvem que a sombra súbita diz que passa, uma brisa que se ergue, o silêncio que se segue quando ela cessa, um rosto ou outro, algumas vozes, o riso casual entre elas que falam, e depois a noite onde emergem sem sentido os hieróglifos quebrados das estrelas.

[O Livro do Desassossego_Bernardo Soares]

Monday, May 24, 2010

eu sou assim


eu sou assim...é um desafio do J, e que não ia dizer que não.pois aqui vai...


eu sou assim...

inconstante...

só estou bem onde não estou...

imprevisível...

uns dias sim outros dias não.
inquieta...

ando sempre a mil..até o coração!


insegura...

gosto pouco de mim...a culpa é quase sempre minha!

impaciente...
espero mas desespero!

indecisa...

penso sempre e agora?

inflamável...
o meu stress torna me uma bomba relógio!

impulsiva...

tenho mau feitio e às vezes não penso...digo.

intensa...

sempre...

inigualavelmente...

estranha!


eu sou a cera que se derrete
nesta mente agitada
cúmplice numa ousada caminhada
que arde sempre até ao fim.

Saturday, May 22, 2010


este fim de semana espero que
o cansaço vença até as ondas,
e então o azul do mar fique mais tranquilo.








não há nada como um mergulho no mar!

mesmo que esta esteja gelada...