Sunday, February 07, 2010

Conhecer_Miguel Esteves Cardoso


Nunca vou ao fim das coisas. Tudo começa. Nada acaba. Eu não deixo. No meu sonho, tudo continua, tudo se repete, mesmo que seja preciso interrompê-las de vez em quando. Tenho medo que acabem. Porque é que se hão-de levar as coisas ao fim?

Amo o incompleto, o suspenso, o atravessado, o interrompido. Os fins entristecem-me. Viver as coisas até ao fim é matá-las.

E trocá-las por outras novas é traí-las. Melhor trazê-las sempre, duvidosas e imprevisíveis mas ainda gostadas e presentes.

Se acabo um livro, sinto-me derrotado, fico deprimido, queria que continuasse, e não continua. Reler não é a mesma coisa. Lembrar não é tão bom como viver. Mas é melhor do que matar. Repugna-me a ideia das relações humanas que se «esgotam». Faz lembrar esgotos. Como se um sentimento se pudesse despachar. É preferível abandonar a pessoa que se ama e guardar o amor que se tem por ela a segui-la até à saciedade.

As pessoas namoram e ficam casadas até se odiarem. Os amigos convivem de mais e começam a chatear-se. As famílias passam tempo de mais juntas, até descobrirem todos os defeitos de cada uma. Dir-se-ia que as pessoas não suportam ter o coração dependente e então cansam- -no propositadamente, para se verem livres do sentimento verdadeiro e bom que sentiam.

Porque é que as pessoas que querem ser livres, independentes e tudo o mais, são aquelas que mais mal aguentam a solidão? Porque, para o mal e para o bem, habituaram-se a uma companhia constante. Não percebem que as saudades, os desejos nunca realizados, os sonhos que ficaram suspensos, são a melhor companhia (embora também a mais triste) que se pode ter?

Nunca se deve conhecer nada a fundo. Não falando na pretensão de pensar que se pode conhecer. Quando se diz «Conheço-o como as palmas das minhas mãos», há sempre uma insinuação feia e negativa. As pessoas, quando estão tristes ou mal-dispostas, não deveriam expor- -se. É uma falta de respeito pelos outros.

Deve-se ser turista nas coisas do amor. Conservar o deslumbramento. Fechar os olhos quando desmorona a fachada. A intimidade verdadeira é partilhar a descrença na ilusão. Um navio visto ao longe. A lua. Os microscópios são detestáveis. Quem quer conhecer os segredos da casa das máquinas ou a superfície das estrelas? Não é por se estar mais próximo que se está mais próximo da verdade. A verdade é aquilo em que acreditamos.

Quem acredita ainda na distinção entre conhecimento e fé? Porquê provocar, remexer no passado, fazer perguntas? É como se as pessoas quisessem destruir o que as comove. É esse o sentido da frase de Wilde, que cada pessoa mata aquilo que ama. E tudo o que ele diz sobre a superfície é profundo. Não é só horrendo saber a «verdade» sobre James Dean ou Marilyn Monroe " é um engano arrogante. As coisas também se percebem, também se amam, à distância.

Para mim, as fotografias de Inês Gonçalves é que são Portugal. Não são as reportagens e as notícias. E não admito que me chamem romântico. Eu sei que por trás daquele miúdo ou daquela árvore há não sei quê e não sei que mais. A Inês também sabe. Por isso é que fotografa como fotografa. Entre o que vê e o que fotografa vai a distância que eu admiro e, não só isso, sei que vai ficar. Entre ser esclarecido e ser iluminado, não há diferença. Mas, se houvesse, eu prefiro ser iluminado. Prefiro a revelação ao registo. Não me custa nada dizer que as fotografias da Inês são o «por trás» do «por trás», já que mostram a alma portuguesa fora do tempo e das circunstâncias, mas, ao mesmo tempo, sem mentir, dentro delas.

Gosto de tudo a que chamam «cerimónia» e «boa educação». Odeio-me quando cedo a ler biografias de escritores que admiro. Tenho a certeza que a chamada «face» pública, que é a obra, que é o rosto que mostram, é não só mais bonita como mais verdadeira que as pesquisas arqueológicas que tencionam revelar o lado particular com a ideia de que esta está escondida, é clandestina, e deita luz sobre o que já se sabe. Com o tempo, o que é que fica da vida de Platão ou de Camões? O que é que interessa?

Mas as pessoas não devem aguentar o amor, porque, mal amam, logo procuram destruí-lo com a falsa noção do conhecimento. É a mania dos «bastidores». Que interesse podem ter os bastidores duma pessoa ou de uma peça de teatro? O que é que tem a tecnologia do cd a ver com a música? O sistema de canalização de uma casa? Uma ecografia? Não completam nada. São outras coisas separadas.

Em boa verdade, eu não sei por que é que um pássaro voa, nem quero saber. Voar já é tanto. Explicar o voo morfologicamente é reduzi--lo, é fazê-lo aterrar. O que é banal para o pássaro tem de continuar a ser maravilhoso para nós. Walt Disney é uma coisa. A biologia e as técnicas de animação são outras.

Gosto das primeiras impressões, sobretudo quando se vão repetindo ao longo dos tempos. Odeio e evito as descobertas, género «Descobri que Fulano era afinal um malandro». Este afinal, com o seu tom peremptório e arrogante, como se fosse possível definir definitivamente um ser humano, irrita-me. É um acto de amizade não estar sempre a vasculhar e a reinterpretar os amigos. Toda a gente sabe que as pessoas são polifacetadas " mas porque não restringirmo-nos à faceta que conhecemos de que mais gostamos?

A vida é muito complicada e o nosso coração precisa de simplificá--la, sem ter medo de se «enganar». É preciso resistir à curiosidade e à arrogância.

Conhecer deveria ser só o primeiro passo.

Friday, February 05, 2010

coisas que gosto

uma musica


um poema

Deixei a luz a um lado e numa beira
da cama em desalinho me sentei,
sombrio, mudo, os olhos imóveis
cravados na parede.
Que tempo estive assim? Não sei; ao deixar-me
a horrível embriaguez da dor
já expirava a luz, e na varanda
ria o sol.
Não sei tão-pouco em tão terríveis horas
em que pensava ou que passou por mim;
recordo só que chorei e blasfemei
e que naquela noite envelheci.

[Gustavo Adolfo Bécquer]

um livro



um texto meu


definitivamente não sei. não encontro os limites entre o meu espaço e eu, estamos longe, parece me que muito longe. afastados nos sentimentos. acho que já não me permito tentar ter compreensão.absoluta. tenho ossos, carne, boca, tenho desejos, medos e alguma coragem.pouco ou nenhum carinho. e porque me sobra alguma coragem, vou.a passagem a escorrer pelos meus dedos. mas não compreendo.
continuo a procurar. tipo subtilmente ou desinteressadamente.eu sou intermitente. sempre com sono dentro do corpo buliçoso. mutação. procuro e nela muitas sensações se afastam de mim como contradições. quero um tecto sobre a minha cabeça.absorver. quero um. mas eles caem à minha passagem.
sinto me essencialmente desconfortável dentro da minha cabeça. uma louca vontade de bater ao murro no mundo que não se cansa de andar à roda na minha cabeça. ainda tenho tanta coragem e, no entanto, que fazer com ela? no dia a dia, uso máscaras como ponto de apoio mas que mal chego a casa deito fora e limpo, não, melhor ainda, esfrego a cara até ficar vermelha e me conseguir ver.a fragilidade em choque com a força.
um dia,serei capaz de colocar a minha coragem bem dobradinha numa mala de viagem ou levo a mesmo na mão. logo vejo quando chegar a hora de partir.ou se calhar, deixo ficar arrumada e não vou a parte nenhuma.porque mexer com as pessoas por dentro é para os fortes.eu não sou forte.a mim, a indefinição.como um compasso de pernas tortas e indefinidas.
talvez não ter caminho é tê-lo concluido. talvez não ter caminho é tê-lo concluido. a repetição da frase conforta me. e eu preciso de conforto. de tortos caminhos sei eu.

um momento


uma frase

Não devemos ser escravos de um padrão, de uma época, de um costume. Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade.

[Luiz Márcio M. Martins]

um filme



Uma cidade portuária no norte da Espanha, que há muito tempo voltou as costas ao campo e que se rodeou de indústrias que a fizeram crescer desproporcionalmente, alimentando a imigração e desenhando um horizonte de chaminés, sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados, à mercê de pequenas ocupações temporárias.Um grupo de homens todos os dias percorre as suas ruas, procurando as saídas de emergência. Entre eles, está Santa, um machão rebelde e auto-suficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a verdade é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna uma espécie de líder, são perdedores completos, mergulhados no alcoolismo e em crises familiares.E como diz no filme, Santa, personagem interpretado por Javier Bardem, "a formiga é uma filha da mãe especuladora".

Wednesday, February 03, 2010

os estupidos somos nós?

O Fim da Linha
Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa
Infelizmente e para não variar o Jornal de Notícias recusou se a publicar a cronica de Mario Crespo.O jornal declarou que não publicou o texto por este não estar conforme com as regras jornalísticas.Depois de ler o texto acreditam???
Mario Crespo , esse sim felizmente, não me surpreendeu, porque a sua dignidade e liberdade está acima de tudo e cessou a sua colaboração com o jornal.
A propósito deixo um artigo do Expresso de dia 3 Fevereiro porque recordar é viver!
Sócrates é uma ameaça à liberdade
Henrique Raposo
O "caso Mário Crespo" é apenas o último episódio de uma longa lista de factos que comprova uma coisa: José Sócrates é um político intolerante, que não sabe lidar com a liberdade.
Esta lista foi feita de memória. Uma outra pesquisa, mais apurada, será capaz de apanhar mais factos. Mas estes, por enquanto, chegam:
1. Se a memória não me falha, José Sócrates já processou nove jornalistas. Nove. Isto dá quase uma média de dois por cada ano de governação. Com estas acções judiciais, José Sócrates pretende intimidar toda a classe jornalística, forçando as pessoas que escrevem a fazer uma auto-censura permanente.
2. José Sócrates liga para as redacções e
berra com jornalistas .
3. Muitos assessores, e até ministros, ligam para as redacções para berrar com jornalistas. Há dois ou três anos, Silva Pereira telefonou a Mário Crespo. Se não me engano, Crespo disse que a discussão com Silva Pereira não foi menos feia do que a célebre discussão com Valentim Loureiro.
4. No trato com os jornalistas, José Sócrates é constantemente mal-educado. A
forma como tratou Judite de Sousa é inacreditável .
5. José Sócrates nunca responde a perguntas. Nem perante os jornalistas, nem perante os deputados. Ou seja, temos um primeiro-ministro que, de facto, nunca foi realmente entrevistado em mais de cinco anos de poder.
6. Numa famosa reunião entre José Sócrates e blogueres, a ligação em directo caiu. Nunca saberemos por que razão a ligação caiu. Mas sabemos que, antes de entrar na dita reunião, José Sócrates deu uma introdução filosófica sobre a
"liberdade respeitosa". Salazar, na tumba, aplaudiu.
7. A
revista "Sábado" fez este estudo . Elucidativo.
8.
José António Saraiva fez estas declarações. Nada aconteceu.
9. O desaparecimento do telejornal de Manuela Moura Guedes. Vamos dar de barato uma coisa: OK, Sócrates não teve nada que ver com o desaparecimento desse telejornal; uma estação de televisão teve apenas um colapso da inteligência e destruiu um dos seus programas mais famosos. Mesmo assim, há várias coisas inadmissíveis neste caso. Pela primeira vez na história da nossa democracia, um político transformou uma jornalista no seu principal adversário político. O PS, de forma "chavista", montou uma guerra a Manuela Moura Guedes. Depois, já com o JN6 encerrado, José Sócrates ainda jogou umas piadinhas sobre o assunto. Essas piadinhas, que revelam toda uma personagem política pouco recomendável, estão gravadas num vídeo que apanhou os minutos de conversa entre José Sócrates, Francisco Louçã e Judite de Sousa (antes da entrevista na RTP). Esse vídeo esteve disponível aqui neste site.
10. José Sócrates montou guerra ao director do jornal "Público", José Manuel Fernandes
Pensava que o tempo do lapis azul ja tinha acabado..afinal descobri que estou numa epoca bem pior!
A idade já me leva a não acreditar em coincidências.
E também não me considero estupida.
O melhor é ir reler o magnifico livro(1984) do George Orwell para me preparar para os tempos que aí vêm!

Tuesday, February 02, 2010


segundos,minutos,horas. mudam o hoje.que estão agora e não estão.um rosto novo.um rosto velho.às vezes nem rosto é. apenas pele.
segundos,minutos,horas.o tempo corre desenfreado.não sabe parar.e vários sonhos não se cumprem.
segundos,minutos,horas.que mudam tudo.companhia, solidão.alegria, tristeza.ilusão.é um acima e abaixo de caos e incertezas.
segundos,minutos,horas.viver e depois morrer.deixa o que nunca foi começado.o que não se disse.ou o que não se sentiu.deixar.
segundos,minutos,horas.em que somos jovens,belos...inteiros e vazios.
segundos,minutos,horas.passam sem que percebamos...
segundos,minutos,horas.já é tarde, já é cedo.já se foi...

Monday, February 01, 2010

estou assim

para a Maria

a vida em palavras simples
não tão simples como a vida
nem é simples procurar
simples palavras para uma vida
tão simples como a amizade
feroz como o sentimento
sem a moléstia de sofrer na dor
humildade no arrependimento
conhecer a simplicidade
no próprio sentido bom
não interessa a idade
de sentir tão sentido dom
na forma de um ser

Friday, January 29, 2010

também eu sou de vidro escurecido

Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro


Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido

Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita

[Sou de vidro_Lidia Jorge]

Wednesday, January 27, 2010

desejo




gostava de me amarrar. viver rodeada de palavras bonitas, de pedidos melosos, de musicas alegres , de versos encantados, de conversas partilhadas e repleto de fantasias.
pronto já disse!

Monday, January 25, 2010

hoje só tenho uma foto do mar



o peito rasga.jorra sangue. eu sinto me sufocar.
nado em mim mesma, preciso de respirar o mar. vou respirar o e no mar.
mas o mar está onde? que eu não consigo ver.
mas o que me traz o mar?paz.
na beira do mar até sol que é lindo consegue ser ainda mais bonito.
na beira do mar o meu mundo sai do balão que o oprime e liberta se.
respirar.preciso de respirar. pisar a areia.molhar a vida.
o mar é uma grande casa .mas não é feita de cimento.
o mar é onde eu respiro.onde me sinto viva.
o mar é onde grito quando não aguento mais os dias.
mas o (a)mar é onde eu não chego.

Friday, January 22, 2010

...
E é preciso ter coragem para ser o que somos
sustentar uma chama no corpo
sem deixar a luz se apagar.

É preciso recomeçar no caminho que vai para dentro,
vencendo o medo imaginado,
assegurar-se no inesperado,
confiando no invisível,
desprezando o perecível na busca de si mesmo.

Ser o capitão da nau no mais terrível vendaval.
Na conquista de um novo mundo
mergulhar bem no fundo
para encontrar nosso ser real.

E rir, pois tudo é brincadeira.
Que cada drama é nosso modo de ver.
A vida só está nos mostrando
aquilo que estamos criando
com o nosso poder crer.

[Estou Aqui_Luiz Antônio A. Gasparetto]

Wednesday, January 20, 2010

coisas de que gosto

uma alegria

esta semana nasceu a Madalena
só tem um quilinho...precisa de crescer um bocadinho mais poder ir para casa com a Mamã e o Papá!
mas já é uma Princesa e vai ser uma grande Mulher!


um filme










um poema


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
[Florbela Espanca ]

um sabor


um texto

Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis em que já não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala.
[Ensaio sobre a cegueira_Saramago]


um livro

uma frase


Mulheres e elefantes nunca esquecem.

[Dorothy Parker]



uma musica






Sunday, January 17, 2010

desabrigo de inverno


nesta noite de inverno, sob as cobertas da minha cama confortável e na penumbra do quarto azul aconchegante, os meus olhos são como vidros que estão embaçados, uma espécie de neblina. regressa o vento e a chuva.mas volta também o vento da consciência enfurecida, trazido pela chuva das lágrimas. uma raiva de sangue. que eu tinha certeza que voltaria. e voltou.
este tempo traz consigo um sorriso retorcido e desprezível.um chama de loucura. um corpo endurecido de carnes, músculos e ossos. inflige a pele viçosa sem perdão. em mim, o seu lado mais assustador. o inverno não é humano, por muito que o tente. nunca o espero, nem finjo que tenho saudades deste tempo para mim assustador. não quero ouvir o vento nos meus ouvidos soprar a minha vida perdida.triturar os meus ouvidos com o seus gritos retorcidos dos galhos a cair. não tenho sede de beber a água da chuva. a existência da chuva nojenta, suja o que há de mais limpo em mim. não necessito de noites frias. por muito que goste de chá quente e de mantas felpudas. não quero a cara tapada por um cachecol. e ter deixado de olhar o céu pela insistência de andar sempre de chapéu de chuva. o inverno descortina como oferta as minhas tristes miudezas. desfia um cordão de desgraças velhas. tudo o que eu evito, ou prefiro não saber, ele manda me à cara. a minha alma recebe socos abrindo as portas do que há de mais particular dentro de mim. o eu mais secreto. nestas noites de inverno, quando as árvores dançam lá fora, o pior de mim bate à porta para me visitar.
com tudo isto, sinto um enorme mal-estar. o meu corpo já não se sente em mim mesma. eu e o inverno, definitivamente, não se entendem. aqui estou perante o velho dualismo. algo sobra no meu corpo.o frio invisível, impalpável. estou desconfortável. percebo o ponto de vista do meu corpo. a chuva dá me uma imensa sensação de desamparo, uma necessidade enorme de me fechar em mim. não suporto o inverno.nem aquele em que jazo. o corpo, sente-se fracassar. a minha alma está indeterminada e espessa, perde a consistência da memória e da continuidade. deseja morrer. ou matar o inverno.mas não sabe por onde começar.

Monday, January 11, 2010

um post tão longo mas tão longo que percebo que desistam a meio de o ler!

na 6ª feira, senti que pertencia a um país que ficou mais decente!
em que todos merecemos, pelo menos à partida, o mesmo respeito e temos os mesmos direitos.
a utopia de sermos todos iguais.
no sábado fui ao cinema.
impossível ficar indiferente a um murro no estômago!




"A estrada encontrava-se deserta. Mais abaixo, no pequeno vale, a linha sinuosa de um rio, estagnado e cinzento. Imóvel e de contornos bem precisos. Ao longo da margem, uma amálgama de juncos mortos. Está tudo bem contigo?, perguntou. O rapaz fez que sim com a cabeça. E então puseram-se os dois a caminhar no asfalto sob a luz metálica, cinzento-azulada, a arrastar os pés na cinza, e cada qual era o mundo inteiro do outro."[A Estrada– Cormac McCarthy]

no Domingo à noite li esta crónica na Noticias Sábado e gostei.
fez me rir.
apenas um comentário ...eu tenho 35 anos mas gosto de homens mais velhos,
sei lá !


O amor e as barragens
DIZEM QUE os rapazes novos gostam de mulheres maduras. E depois sabemos que os homens mais velhos se tomam de amores por raparigas mais novas. Percebi por fim por que há tantas trintonas solteiras…
Eu vejo muito encanto nos 30 – porque as mulheres crescem, lembram nostalgicamente a adolescência e algumas decidem voltar a ela… Outras, talvez pela proximidade dos 40, começam a coleccionar receitas e a descobrir que podem fazer camisolas ou almofadas.
Os homens aos 30 voltam a debruçar-se sobre o umbigo: é a idade da barriga e do ginásio. Traem, são traídos, separam-se, bebem cerveja e começam a gostar mais de vinho. Os homens aos 30 ficam mais tristes, as mulheres mais assanhadas. Deve ser também por isso que não coincidem.
As mulheres querem saber que idade tem o novo namorado da amiga. E se ela diz «31» tendo ela 32, é uma desilusão. Vidas normais sem chama. Nós queremos é que uma margem grossa entre os dois seja discutida ao jantar e que se façam palpites à medida que a garrafa avança: quanto tempo vai durar a relação? Com quem é que ele vai traí-la, como é que ela o vai caçar?...
Os homens talvez não tenham esta maledicência tão imediata. Os homens também querem saber a idade, mas sobretudo se é loira ou das outras (…) e se tem curvas. Já agora, o que é que faz. Porque o poder ou o dinheiro dela podem trazer problemas à camaradagem dos fins-de-semana. A autonomia de uma mulher põe em perigo a animação dos machos.
Nunca me lembro de alguma amiga ter perguntado o que fazia o «namorado» de uma de nós. Querem ver que as mulheres são mesmo românticas?
Eu, se ficasse solteira agora, não sabia muito bem para onde deveria olhar. Porque os mais novos de pele boa sabem menos e dá trabalho explicar-lhes tudo. Por outro lado, têm aquele ar fresco e os dentes brancos e dormem como se não houvesse amanhã. Eu tive alguns namorados que acordavam com um sorriso lindo que fazia esquecer algumas coisas, mas fora de casa podia ser constrangedor. Outros namorados tive que nunca acordaram. Há gente que dorme a vida toda…
Agora que reflicto sobre isto, penso que nunca experimentei devidamente a bancada sénior. Os tipos mais velhos podem ser aborrecidos com as desculpas dos filhos e do trabalho, não percebendo que enquanto estiverem de costas voltadas para a vida nenhuma desculpa os vai satisfazer. Eu acho que todos nós inventamos muitas razões para não nos divertirmos. Temos medo de pagar um preço alto pela diversão fora de tempo. (Como se houvesse idade ou altura para sermos felizes.)
Será que uma octogenária pode dizer que o marido – octogenário também – é imaturo? E o marido dirá que «ela nunca mais aprende»? Porque isto são coisas que dizemos a vida toda e quando estamos perto do fim ainda nos queixamos um do outro? Ainda nos acusamos mutuamente? Ainda nos agredimos com as nossas diferenças?
Não é preciso ir tão longe nas agendas dos dias futuros. A minha amiga de trinta-e-tais dirá que o seu namorado sexagenário é imaturo? E ele alguma vez se queixará de que ela é «chata»? As diferenças, ou pelos menos as acusações, diluem-se com o tempo? É que senão guardo-me para o amor mais tarde…
Sabem, hoje no táxi falava com o motorista sobre as barragens, o tempo e a agricultura. E eu disse ao bom homem que os nossos agricultores arriscam pouco. Ficam de braços cruzados a ver a intempérie levar-lhes o futuro e trazer-lhes os queixumes e a dor. Desconfio que não é só coisa dos agricultores. Desconfio que somos todos assim e no amor também. Ficamos de braços cruzados a assistir à batalha campal da diferença de géneros, arriscando pouco, fazendo pouco contra a ditadura do calendário.
Aceitamos a imaturidade dos homens, eles aceitam-nos a histeria desnecessária e ninguém se mexe muito do sofá.
Excepção para as trintonas, claro, as tais que estão sozinhas e que gostam do rebuliço. A revolução será delas.
Oh God, make me good, but not yet!

e a semana chegou...


dedicada a analisar projectos individuais de Internacionalização de PMES ao programa de Incentivos QREN-deadline 15.01. pelo meio umas reuniões chatas e outras complicadissimas. responder a uns 150 emails diários (alguns com perguntas tão estupidas....).e sonhar com o próximo fim de semana!

amigos [virtuais] de quem gosto muito.

o meu texto de dia 7 é muito sentido, não foi nem é uma brincadeira, são os meus sentimentos.

por isso não posso deixar de partilhar 3 mensagens que me emocionaram 3 amigos.virtuais ou não...não sei.sei que os sinto respirar.



''Olá Velita.
Estas tuas palavras são para ouvir em silêncio. Assim, retirei todas as canções.
A que acompanha o teu blogue e as que me ocupam o pensamento a cada momento.
Desde cedo tivemos as nossas conversas e desde sempre aprendemos a respeitarmos o espaço um do outro. E, vê lá bem, nem nos conhecemos.
Eu posso bem ser o jovem assassino que toca órgão e tu um doido japonês. Mas, as palavras, essas, sempre nos ligaram.
Tu sabes que eu gosto dessa forma crua, como encaras a tua realidade. E eu sei que tu gostas da forma emocional como eu encaro a minha.
Sabes, são assim os nossos dias de solidão. Ainda hoje coloquei uma foto e falei sobre isso mesmo.
Mas o nosso país, o nosso mundo, precisa(m)de vozes como a tua, por isso nem penses em rebentar.
beijo.''

''Não te sei comentar, hoje.
Mas convido-te a beber um copo de um bom vinho tinto. Sei que gostas. Marca na tua agenda, sem direito a 'uma nega'...Beijinho
No sábado, dia 9, vou jantar à Taverna e ouvir a Ana Lains - canta fado. Queres vir?
Tens, em alternativa, o dia 15 - sexta feira - vou lá jantar, e a seguir ouvir a Real Companhia.
Num dia ou noutro acho que podias vir. Sinto que não estás bem e quero muito beber um copo de tinto contigo.
Se preferires noutro sítio calmo, ou mais calmo, diz.
Deixo-te um abraço, mas responde-me, please!
''

''A vida é redigida por nós, somos nós que a direccionamos! As escolhas são nossas independentemente de serem as melhores ou as piores. Mas temos de arriscar, temos de adoptar caminhos que na altura nos parecem ser os melhores, independentemente de mais tarde se virem a revelar errados. Viver é fazer escolhas, é tirar partido das oportunidades que nos surgem, sejam elas eternas ou momentâneas… é viver, não se deixando morrer, dia após dia, aproveitando e saboreando todos os pequenos e maravilhosos momentos que nos vão despontando, contrariando assim aqueles que nos atiram abaixo.
Não compreendo como podes tratar esse pensamento com uma paixão, quando para mim se trata de uma fraqueza, de um desespero… por vezes tentar compreender o que não tem compreensão, só nos faz afundar mais. Por isso não tenhas medo de falar, pois falar faz bem, ajuda a “limpar” a alma… fala para quem te escuta, não só para quem te ouve. Pois quem te escutar ajudar-te-á, sem pedir explicações, sem te julgar… simplesmente te dará o seu apoio, te dará o ombro para chorares e se tu o permitires te fará rir, te fará ter prazer e farás cara de espanto quando perceberes que não estas na terra só para descansar, mas sim para viver.
E viver não é sobreviver! Pois o pouco que tens representa tudo e não nada como fazes questão de afirmar, pois é esse pouco, que tens de amar e te entregar de paixão. Esse pouco és tu, e se tu acreditares em ti, tudo o que dizes não ter e te representa tanto, despertará de ti que por alguma razão, que não sei qual, um dia adormeceu.
Puro conteúdo que já se encontra dentro de ti, tu é que não acreditas nele. Talvez por isso não o gozes, nem nada seja consumado.
Enganas-te quando dizes que ninguém te vê e ninguém te escuta. Mostra-te e deixa-te ouvir!
Não necessitas de deixar de ser uma menina pequenina, mas sê-o com jeito de mulher e de coração enorme que eu tenho a certeza que o és.
Nunca desistas!''
e ainda que nunca vos tenha visto, queria dizer...
gosto de ti Francisco
gosto de ti Maria
gosto de ti Jorge
[peço dsc por publicar sem a vossa autorização]

Thursday, January 07, 2010

sim, onde fico?onde fica Portugal?

penso na vida, e na falta de vida.
vivo não deixando de morrer aos poucos todos os dias.
ultimamente a vontade de desaparecer por completo tem me parecido sublime.
acho que é a primeira vez que escrevo sobre esta atracção.talvez porque tenha vergonha de tal afeição.
será algum dia possivel esquecer esta velha paixão?
se falasse menos e compreendesse mais...
ter prazer...fazer cara de espanto...
quanto na terra apenas tento descansar.
mas o tudo que tenho, parece que não representa nada
e tudo que se não tenho, às vezes representa tanto.
puro conteúdo é consideração.
e não gozo.
mas enquanto nenhum facto é consumado,
escrevo sobre essa minha solidão.
eu sou apenas o que ninguém vê.
o que ninguém escuta.
sou uma menina pequenina.


Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte. Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível no bolso do kispo. Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata… São estatísticas, tudo em números. Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca órgão. O space-shuttle leva cortiça do Alentejo para o Espaço. O Bispo viu o maior massacre da guerra de África e calou-se. Mas hoje vai responder. Os factos verdadeiros são os piores. O amor do rapaz rebentou. Que responsabilidades temos quando nada fizemos? Em que fado parámos, onde fica Portugal.[Rui Cardoso Martins_E se Eu Gostasse Muito de Morrer]

Tuesday, January 05, 2010

lixo e girassois

hoje andei ao lixo.
procurei algo que ainda pudesse aproveitar,
destrui com uma força voraz os sacos,
forla essa que só os esfomeados conhecem.
exatamente como eu:
mendiga.
faminta.
mexer no lixo,
fez me rasgar lembranças,
aproveitar algumas palavras e silêncios,
apagar erros
e
encontrar algumas verdades.
hoje andei ao lixo
em busca de migalhas
que talvez
me dêem uma porção de esperança.

i can't sleep, it's very heavy ... i can't sleep and i can't believe ... please, take the weight off my shoulders!

Sunday, January 03, 2010

manias de Vela!


eu sou a cera que se derrete
nesta mente agitada
cúmplice numa ousada caminhada
que arde sempre até ao fim.

a Teresa quer que exponha em público, 5 das minhas manias. desafio dificil este para quem marada como eu! só 5....ok!escrevo algumas particularidades confessáveis.

gostar de quem não gosta de mim;


só tenho molas da roupa de 2 cores e sempre que tenho que estender roupa para secar nunca coloco molas de cor diferentes na mesma peça de roupa;


ouvir musica deitada no meu soalho de madeira;


ler livros/revistas/jornais compulsivamente, ver sempre o telejornal das 20h na SIC e o jornal das 21h na SIC Noticias com o Mario Crespo;

adorar vinho tinto.



e vocês têm manias?

Friday, January 01, 2010

01.01.2010




Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

[Carlos Drummond de Andrade]

Wednesday, December 30, 2009

Happy New Year!


resta nos esperar pelo novo ano, falta pouco, muito pouco...
2010 é o Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social.
façam o favor de não se esquecer de olhar para quem mais precisa...
O mundo não foi feito para os números mas para as pessoas!



acendo uma vela
e formulo os desejos para este ano


que a solidão seja menor


que sejamos nós proprios todos os dias

que haja partilha


que se encontre o caminho


apesar das razões para festejar não serem muitas,
brindo contigo!
e espero pelo novo ano! estamos quase lá...





Feliz
!!!!!!

Monday, December 28, 2009


Estou mesmo a precisar
de uma injecção
de essência de rosas.

[Jorge de Sousa Braga]



Saturday, December 26, 2009

partilhar arrepios

hoje vou discutir a solidão.dificil, muito dificil.ainda mais para quem tão pequeno como eu.1m53cm.50kg.e o peso brutal da solidão todos os dias nos bolsos das calças de ganga ou do casaco...que me torna os pés pesados...como se os meus all stars tivessem cheios de pedras.
começo,com uma garrafa de vinho tinto,um Poeira 2004.e um bom livro. Florbela Espanca. tem que ser ela. ou Fernando Pessoa. pode ser ele.por momentos. não sei. usufruir....
o vinho é fundamental. não pode ser qualquer um. gosto de degusta lo com prazer. é a minha companhia esta noite.uma noite em que estou novamente só. como todas as outras,afinal.
sou só. entre muros, medos, toques e formas. a partir de hoje,digo o em voz alta...sou um ser sozinho. não deixei de ter cor ou nome mas sou só.
a minha delicada relação corpo e alma, tenta, desesperadamente, acordar com vontade de gritar descobertas com quem me cruzo. no meu caminho. sentir a delicia de ter os olhos a brilhar. brincar com o fogo.dançar uma espécie de dança...que não se ensaiei.
andar sem saber onde vou parar. e não querer saber. sentir força e delicadeza: mas sem me ferir mais.
sabem que mais... tenho deveres. mesmo sendo só. devo a mim própria encontrar me em alguém...sempre. chamem lhe amor se quiserem! construir rumos e tempos. eu chamo lhe partilha de arrepios!
pele.
andar nua.
nudez de mim.
sonhar ser
apenas eu
em ti.


O medo é uma força que não me deixa andar. Tenho medo de exigir. Tenho medo de deixar. O medo é uma sombra que o temor não desvia. O medo é uma chave que apagou a vida. Medo circulando nas veias. Medo de pedir arrego. O medo é a medida da indecisão. Medo de se arrepender. Medo que dá medo do medo que dá.[Lenine]

Thursday, December 24, 2009


Blessed is the season which engages the whole world in a conspiracy of love.

Merry Christmas!

Tuesday, December 22, 2009

prendas minhas...

um filme





um ditado popular

Os prazeres são como os alimentos: os mais simples são os que menos enjoam.

um livro

um texto

Não é um vício, não, é uma vingança. Acontece quando acordo a meio da noite e estico os braços à procura e não sei que estou só. A cama é grande e só do meu lado está desfeita. Acordo à procura do corpo que faz falta e só tenho o meu que está a mais. Fecho os olhos, como se já não estivessem fechados, e o que está dentro de mim é uma ânsia. Então chegam imagens de um corpo antes de saber que é o dele. Um corpo não, pedaços de um corpo, pequenas alucinações. Duas mãos começam a agarrar-me as ancas e uma boca a bafejar-me a cara. É ele que fala. Ouço dizer-me as coisas que me diz e calo-me. Ouço-o chamar os nomes que me chamam e eu vou. Começo a desfazer-me para que me faça. O corpo que eu toco não é de ninguém. Quando não basta, repete, quando não basta repito. E depois há uma coisa que vem de muito longe e não quer acabar de vir. Vem a mim e eu não consigo ir a ela. Estou comigo. Não é um corpo, não. É um fugir. Um barulho. Qualquer coisa assim que vem, que agarra e passa. Um bicho. Não é um corpo não, porque os não há. Às vezes ouço-me gritar, ou julgar que grito e depois fico quieta como se corresse perigo.
Começo a pensar nele e acabo a pensar em mim, os cabelos desfeitos, uma ânsia sem fim.
[Pedro Paixão_ Vida de adulto]

eu

uma frase

Hay que endurecer-se pero sin perder la ternura jamas! [ Ernesto Che Guevara]

um momento

um poema

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
[Clarice Lispector]


uma música

estas são as minhas prendas para quem me lê,

com muito gosto.

escolham a que preferirem...

ou se quiserem fiquem com todas!

Saturday, December 19, 2009

outros vôos

o silêncio
cala a alma.
sobre a mesa
o passado amarrota o dia.
o som do saudosismo
desafina o presente.
na janela
olho...


talvez amanhã
vá dar um passeio de balão.
quem sabe...
o silêncio
cala a alma.

Wednesday, December 16, 2009

sem tempo...

viver é muito duro.
não me digam que não.porque não acredito.
acumulo erros, fotografias distorcidas escondidas na memória.
dentro de mim, o saldo de duras batalhas, nas quais não me era permitido ceder, mesmo que elas diariamente voltem.
viver é muito duro.
mas viver é também nunca desistir de mim mesma, mesmo que na maior parte dos dias não saiba para onde vou.
tudo o que devia ser simples apresenta se complicado. é preciso tanto...
é preciso saber escolher, não magoar ninguém, não magoar me a mim, não cair em tentação, saber dizer não diante do sim inevitável.
viver é muito duro.
porque viver é partilha.
é ser sensível, sem melindrar ninguém, tudo isto no meio de um dia complicado, entre reuniões urgentes e complicadas.
é gostar do verde. e de abraços apertados.
viver é muito duro.
por ter que se ser o melhor.
ser profissional, sem me tornar vaidosa, e não envelhecer, apesar da idade, pelo menos o espírito. e se possível, não me deixar ir abaixo, já que o mundo só gosta dos vencedores e dos perdedores ninguém se lembra.
viver é muito duro.
é lutar.constantemente.
corro contra o relógio, corro contra o desencanto, corro contras as contas.
e tento não perder a poesia.
viver é muito duro.
e às vezes cansa.
eu sei que nem sempre é assim
mas há dias que só queria ter tempo...
mesmo que fosse
para pendurar flores no meu estendal,
sem preconceitos...
sem qualquer esforço...

tinha saudades de estar aqui.

voltei.

Monday, December 07, 2009

Saturday, December 05, 2009

coração


Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...


[Mário Quintana]

Thursday, December 03, 2009

falling star


está uma bela manhã para voar.

lancei me .

sem medos, sem querer voltar.

o primeiro contacto com o vento.

ai!o vento... fez me sentir bem,

tão perto de mim.

mostrou me quanto à vida é frágil.

quis voar para sempre

e tentei segurar me aos cometas ou às estrelas.

eu bem quis segurar me...

mas de repente

estatelei me no chão.

porque a estrela à qual me agarrei,

era uma estrela cadente.

Monday, November 30, 2009

Saturday, November 28, 2009

dúvidas



sozinha


sou eu que me sinto só


ou é o mundo que me passa?


parada


sou eu que não caminho


ou é o caminho que me foge?

Thursday, November 26, 2009


nenhum deserto me incendeia o olhar. nenhuma raiz me amarra o coração. quem recolheu o que em lugares assim deixei?
[gil t. sousa]

Tuesday, November 24, 2009

acontece


acontece
sim acontece
estou
sempre por um fio.
ou são as vésperas de um não,
a um triz do fim.
ou estou noutro começo
e não era nada daquilo que queria
ou era exatamente o que procurava.
acontece
sim acontece
que só me dou conta depois de tudo terminado.
uma espécie
de palco vazio e
luzes apagadas.
na barriga
aquela sensação de estranha
de dor.
na cabeça a sensação de
inadequada.
acontece
sim acontece
nuncas e nãos escritos nos meus muros.
portas fechadas.
caminhos sem saída.
atrás ou ao lado de mim
só mesmo a minha sombra
e mais ninguém.

Wednesday, November 18, 2009

historias de espantalhos...

ou de todos nós!


nem todos os espantalhos são maus e em memória deste todos os corvos vestiram luto. por isso são negros.

Sunday, November 15, 2009

cansada da vida

chove
lá fora e
dentro de mim.
estou oca,
como louca
e sinto me pouca.
estou farta de tudo,
das minhas semanas, dos fins de semana,
dos dias,
da vida.
canso me comigo,
da minha fraqueza e
das sombras, das mágoas, dos horrores, dos gritos,
das vozes malditas e dores não ditas.
queria ser decidida e não abafada.
gostava de conseguir
embrenhar me na escuridão e no silêncio
final.
tantas vezes
tantas
tanto.
a alma? anda muda.

Tuesday, November 10, 2009

viva a loucura!

Num mundo louco, só os loucos são equilibrados.
[ Akira Kurosawa ]

Sunday, November 08, 2009

Monday, November 02, 2009

coisas que gosto

Filme





José Costa é um ghost-writer, escritor especialista em escrever livros para terceiros sob a condição de permanecer anônimo. Na volta de um congresso, Costa é obrigado a fazer uma escala imprevista na cidade de Budapeste, o que desencadeará uma série de eventos envolvendo-o em uma surpreendente história. Casado com Vanda, uma famosa apresentadora de telejornais, Costa conhece Kriska em Budapeste. Com ela aprende húngaro, que segundo dizem, "é a única língua que o diabo respeita". Durante as diversas idas e vindas entre o Rio de Janeiro e Budapeste, Costa se alterna entre o seu enfeitiçamento pela língua húngara transformada em paixão por Kriska e suas raízes pessoais ancoradas no seu amor por Vanda. Baseado no famoso livro de Chico Buarque, Budapeste nos leva a uma fascinante viagem de um homem separado entre dois continentes e dividido por duas mulheres.
Gostei da mensagem…Devemos assumir quem somos e não viver atrás de personagens por nós criadas.


Frase

Eu trocaria todos os meus amanhãs por um único ontem.
[ Janis Joplin ]


Poema

visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado

tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores

ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos

antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro

perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água

com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
[Al Berto]


Momento
Musica