Wednesday, January 11, 2012



muitas vezes, escolho o pôr-do-sol como refúgio e fico ali, ao pé do rio, a ver os barcos passarem enquanto o poente avança, e vão aparecendo novas cores no céu outrora apenas azul. ao ver o sol, já quase mergulhado no horizonte, invade me um silêncio, que me revira dos pés à cabeça, para então, levar me para longe, tão longe.


é aí que me apercebo que já não faço parte do meu próprio mundo e acabo por sentir um imenso vazio – um vazio de mim. nesses momentos, não há poesia.estou só, afagada por uma solidão faminta, atenciosa, paciente, meticulosa e fiel. doi a alma. a respiração concentra-se num só ponto. os ossos estalam em desespero. é penoso estar desnudada de mim mesma.


....ainda assustada, aparece me a lucidez. infalível! e os olhos voltam à velha clareza.a tranquilidade retoma o seu lugar.com atenção olho os carros, as pessoas,os cães e os gatos, os prédios, as antenas, o mundo.... com alívio, volto ao que resta da tarde. digo olá à rotina. os próximos passos. escolho o destino. sempre. Ah! bom mesmo seria na loucura mergulhar antes do sol. e trazer do fundo do rio, estrelas cintilantes na palma das mãos.

3 comments:

mfc said...

Nessas alturas acontece-me exactamente o contrário.
Sinto-me preeenchido e animado para enfrentar a monotonia da vida!

A. said...

triste mas belo!
bjinho

À Margem said...

Ola Vela.
Acompanho regularmente o teu blog, hà mais ou menos três anos. Descobri-o um dia por acaso e como gosto muito de poesia, fiquei agradavelmente surpreendida com a qualidade dos teus textos.
Tens muito talento para escrever. Gosto imenso dos teus posts. Nunca fiz comentario nenhum ao que tenho lido, e nao sei porque escolhi o dia de hoje... apenas li, como sempre, mais um post teu, e mais uma vez gostei imenso. Consigo enquadrar-me nas imagens, nas emocoes, nos sentimentos. Talvez porque tenhamos coisas em comum. Seja como for, quero dar-te os parabens e encorajar-te a nunca deixares de escrever porque tens poesia na alma e cada vez que partilhas com o mundo a tua poesia, das-lhe o valor devido e enriqueces um pouco mais quem te lê. Quando escreveres um livro, serei das primeiras a comprar! :-) Bjinhos.