Sunday, June 17, 2007

Juro que não vou esquecer...

Juro que não vou esquecer...
Nunca vou esquecer o olhar da rapariga que espera o tratamento de radioterapia. Sentada numa das cadeiras de plástico, o homem que a acompanha (o pai?) coloca-lhe uma almofada na nuca para ela encostar a cabeça à parede e assim fica, magra, imóvel, calada, com os olhos a gritarem o que ninguém ouve. O homem tira o lenço do bolso, passa-lho devagarinho na cara e os seus olhos gritam também: na sala onde tanta gente aguarda lá fora, algumas vindas de longe, de terras do Alentejo quase na fronteira, desembarcam pessoas de maca, um senhor idoso de fato completo, botão do colarinho abotoado, sem gravata, a mesma nódoa sempre na manga (a nódoa grita) caminhando devagarinho para o balcão numa dignidade de príncipe. É pobre, vê-se que é pobre, não existe um único osso que não lhe fure a pele, entende-se o sofrimento nos traços impassíveis e não grita com os olhos porque não tem olhos já, tem no lugar deles a mesma pele esverdeada que os ossos furam, a mão esquelética consegue puxar da algibeira o cartãozinho onde lhe marcam as sessões. Mulheres com lenços a cobrirem a ausência de cabelo, outras de perucas patéticas que não ligam com as feições nem aderem ao crânio, lhes flutuam em torno. E a imensa solidão de todos eles. À entrada do corredor, no espaço entre duas portas, uma africana de óculos chora sem ruído, metendo os polegares por baixo das lentes a secar as pálpebras. Chora sem ruído e sem um músculo que estremeça sequer, apagando-se a si mesma com o verniz estalado das unhas. Um sujeito de pé com um saco de plástico. Um outro a arrastar uma das pernas. A chuva incessante contra as janelas enormes. Plantas em vasos. Revistas que as pessoas não lêem. E eu, cheio de vergonha de ser eu, a pensar faltam-me duas sessões, eles morrem e eu fico vivo, graças a Deus sofri de uma coisa sem importância, estou aqui para um tratamento preventivo, dizem-me que me curei, fico vivo, daqui a pouco tudo isto não passou de um pesadelo, uma irrealidade, fico vivo, dentro de mim estas pessoas a doerem-me tanto, fico vivo como, a rapariga de cabeça encostada à parede não vê ninguém, os outros (nós) somos transparentes para ela, toda no interior do seu tormento, o homem poisa-lhe os dedos e ela não sente os dedos, fico vivo de que maneira, como, mudei tanto nestes últimos meses, os meus companheiros dão-me vontade de ajoelhar, não os mereço da mesma forma que eles não merecem isto, que estúpido perguntar
- Porquê ?
que estúpido indignar-me, zango-me com Deus, comigo, com a vida que tive, como pude ser tão desatento, tão arrogante, tão parvo, como pude queixar-me, gostava de ter os joelhos enormes de modo que coubessem no meu colo em vez das cadeiras de plástico
(não são de plástico, outra coisa qualquer, mais confortável, que não tenho tempo agora de pensar no que é)
isto que escrevo sai de mim como um vómito, tão depressa que a esferográfica não acompanha, perco imensas palavras, frases inteiras, emoções que me fogem, isto que escrevo não chega aos calcanhares do senhor idoso de fato completo
(aos quadradinhos, já gasto, já bom para deitar fora)
botão de colarinho abotoado, sem gravata e no entanto a gravata está lá, a gravata está lá, o que interessa a nódoa da manga
(a nódoa grita)
o que interessa que caminhe devagar para o balcão mal podendo consigo, doem-me os dedos da força que faço para escrever, não existe um único osso que não lhe fure a pele, entende-se o sofrimento nos traços impassíveis e não grita com os olhos porque não tem olhos já, tem no lugar deles a mesma pele esverdeada que os ossos furam e me observa por instantes, diga
- António
senhor, por favor diga
- António
chamo-me António, não tem importância nenhuma mas chamo-me António e não posso fazer nada por si, não posso fazer nada por ninguém, chamo-me António e não lhe chego aos calcanhares, sou mais pobre que você, falta-me a sua força e coragem, pegue-me antes você ao colo e garanta-me que não morre, não pode morrer, no caso de você morrer eu
no caso de você e da rapariga da almofada morrerem vou ter vergonha de estar vivo.
António Lobo Antunes - Visão 7/06/07

Juro que não vou esquecer...esta crónica e a reportagem transmitida hoje "O Mundo ao contrário" na Sic.Chamem me o que vos passar pela cabeça mas sou chorona e admito o.Não é hipocrisia mas o sofrimento dos outros faz me sofrer, faz me sentir ridicula perante a vida.

Não resisti a transcrever este magnifico texto, porque depois de ver a reportagem fiquei sem palavras, e este Homem desenha com palavras os sentimentos, os deles e os que senti.Todos nós temos, no meu caso felizmente, alguem que venceu a doença mas também alguem que ela levou traiçoeiramente.

Ao reler este texto em voz alta[ leio as sempre assim e rasgo a página para as guardar]as lagrimas saltam e a voz falha."Juro que não vou esquecer", é a pureza da alma a falar, porque todos os dias nos queixamos de tudo e de nada a todo o momento, sem nunca pensar que nesse mesmo momento está alguem com a morte a roçar lhe a pele.

Não me vou esquecer...

43 comments:

borrowing me said...

não és chorona, mas sim humana
há diferenças, ninguém pode passar insensivel a isto...
não vou esquecer

boa semana

Euzinha said...

Não consegui ver o documentário e não consegui ler o texto - também sou "chorona"!Estas coisas fazem-me lembrar que pouco ou nenhum contolo temos sobre o que nos rodeia, o que é uma pena porque seria tudo mais fácil e mais justo.
O caminho é tortuoso mas para tudo há uma luzinha ao fundo do túnel. Haja esperança e optimismo.

Sorriso gde e bjs
J

Miudaaa said...

Um testemunho vivo, minha doce amiga...

Transbordas sensibilidade nas palavras, que acabo de ler.

ViVo o meu dia a dia, não com um, mas com os dois seres, que mais Amo no Mundo... sei-te dizer que nunca, mas nunca vou esquecer o que são salas de radioterapia, o que são salas de quimioterapia, o que são dias e dias sem comer, dias e dias de agonias constantes... mas guadarei para sempre OS MUITOS dias cheios de esperança, dias de sol quando chove tremendamente, em que de mãos dadas ACREDITAMOS, que amanha, amanhã vai ser melhor.

Estou piegas... com bólitas de água a rolar pela face... mas com o coração cheio de esperança pelos meus e por todos, mas todos os que lutam.

Foi uma grande lição de vida que recebi, e quem me estiver a ler o meu unico pedido é: AMEM-SE... AMEM-SE ao Máximo. Deem HOJE tudo o que tiverem para dar.

Um beijo enorme em tu da miudaaa

Miudaaa said...

William Shakespeare... escreveu e eu escolhi, para todos lermos com muita atenção.

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre Dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e OS olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanha e incerto demais para OS planos, e o futuro tem o costume de cair no meio do vão.
Depois de um tempo aprendes que o Sol queima se ficar exposto muito tempo.
E aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te e TU tens de perdoa-la por isso!
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que Tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependeras pelo resto DA vida.
Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
Aprendes que o que importa não e o que tens na vida, mas o que TU es na vida! E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que as circunstancias e OS ambientes tem influência sobre nos próprios.
Começas a aprender que não te deves comparar com OS outros, mas com o melhor que TU mesmo podes ser.
Descobres que levas muito tempo a tornares-te na pessoa que queres e que o tempo e curto.
Aprendes que não importa onde já chegaste, mas onde vais, mas se TU controlas OS teus actos ou else te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprendes que heróis são aqueles que sempre fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprendes que paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te calque quando cais e umas das poucas que te ajudam a levantar.
Aprendes que maturidade tem mais a ver com OS tipos de experiência que tiveste e que aprendeste com elas do que com quantos aniversários celebraste.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar, mas isso não te dá o direito de seres cruel!
Descobres que só porque alguém não te AMA DA maneira que queres que te ame, não significa que essa pessoa não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como demonstrar isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém... Algumas vezes tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo!
Aprendes com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar... Que realmente és forte! E que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais... E que realmente a nossa vida tem valor e que TU tens valor diante DA vida!
As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare

crispipe said...

....sem palavras...

Jokas

Carracinha linda! said...

Bom dia Velas,

Vi a reportagem e também me comovi.
É dificil não chorar...quer com a reportagem quer com este texto.

Como tu muito bem escreveste no fim, queixamo-nos de tudo e de nada e nem pensamos que alguém está a lutar pela vida... E esses, que mais motivos teriam para se queixar, são os que mais força têm para lutar contra a doença e contra a morte.

No meio disto tudo sinto revolta por haver tanta criança afectada por esta doença...A mãe de uma delas disse que se lhe tivesse acontecido a ela, que até compreendia, porque já tinha vivido uma vida, mas ver assim a filha... Mas, no fim de tudo, sejam crianças, sejam pessoas de 30 anos, sejam pessoas de 70 anos, é sempre dificil de suportar a dor. Quer para os que estão doentes, quer para os que os vêem sofrer.

Já passei de perto por essa situação com uma pessoa chegada e apenas posso dizer que foi muito complicado todo esse processo. E, infelizmente, a história não acabou com um final feliz... Felizmente ficam as boas recordações dessa pessoa...isso ninguém nos tira...

Boa semana!

pn said...

Velinhas:

há na vida uma fase, perante tudo o que vivemos e vemos (pior ou melhor), em que cada dia em que acordamos, sinceros, ao Criador devemos dizer: Obrigado por mais um dia, por ter acordado sem dores, na posse dos meus sentidos, das minhas forças, da minha vitalidade.
e depois, com humildade, percebermos que mais este dia é menos um dia... e que os dias a virem já poderão estar desprovidos de qualquer coisa, até...
bom, o dia está cinza e nós em consonância com ele, ficamos sombrios.
um sorriso, para mim, velinhas, aqui em viseu...
ok, até amanhã!

PintoRibeiro said...

Bom post e que me toca pessoalmente. Volto com mais tempo.
Bjinho.

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras said...

Agora quem chorou fui eu....
Juro que não vou esquecer este teu post.

Um beijo e boa semana

Alf said...

Não vi a reportagem.

O meu pai foi-se há sete anos com a porcaria da doença.

A minha mãe continua a lutar.

É difícil mas não perco a força.

Mina said...

Eu não vi a reportagem, mas não sou insensível, e como tal também me choca o sofrimento alheio.
Obrigado por partilhares connosco.
Bjs!

Lu.a said...

És chorona? Join the club! Não vi a reportagem, mas chorei baba e ranho com o texto que acabei de ler!

tufa tau said...

não vi a reportagem
li o que transcreveste
é duro, muito duro, ver os outros passar e repassar por isto...
e para os próprios, uma tortura.

CNS said...

Cheguei aqui por acaso. Por um mero e feliz acaso. Pois este texto também me causou lágrimas. De comoção. Obrigada.

Irei voltar.

maria josé quintela said...

Passamos distraídos ao lado do sofrimento. E, no entanto, ele existe tão perto de nós que basta olhar para outro...

daniel sant'iago said...

Calo-me à luz da vela...
E beijo.

blackstar said...

Não vi a reportagem... entrei uma vez na sala da quimioterapia (vi pouco porque ia pedir conselhor para alguém que morreu no dia seguinte... olhei muito, mas vi pouco!)

Lembro-me do sorriso da voluntária... de ter olhado para ela com uma admiração tamanha que devia ter transparecido... por isso, ela sorriu-me transmitindo-me calma! Comunicamos pelo olhar...

Senti-me tão pequeninha! Chorei (e choro agora quando me recordo)... Acho que as palavras que mais utilizo desde essa altura são "não é justto"!

veritas said...

Eu também não me vou esquecer, nós também não nos vamos esquecer, bastava mais alguns não se esquecerem para termos um mundo melhor...solidariedade, respeito pelo outro. Hoje eles, amanhã nós, muitos esquecem-se disso.

Bjs. Boa semana.

MH said...

O teu amarelo tb é bem...

Dias... said...

Impressionante porra!! Impressionante ?... Avassalador!

Excelente post

Ana said...

Eu vi. Chorei... e agora enquanto li o texto, os meus olhos encheram.se de lágrimas novamente, a visão ficou turva e por momentos veio.me à memória um passado medonho que também vivenciei. Os problemas existem sempre, porque os problemas tem familia grande... secalhar o que temos de repensar é a preocupação disparatada por coisas minimas que não chegam nem aos calcanhares de ser um problema. Mas que nós achamos que sim.

=)*

Bandida said...

passamos. estamos. vamos vendo. quando queremos. e ... o resto tu sabes... não esquecemos...


beijo V.


B.
_________________________________

serenidade said...

Sem dúvida, também nao me vou esquecer... pois também sou chorana nesta ocasiões como te compreendo. Muitas vezes sofro mais com o sofrimento dos outros do que com o meu próprio, que é um gão de areia perante o deserto de sofrimento de algumas pessoas, que tal como dizes, sentem a morte a roçar-lhes a pele.

Serenos sorrisos

Pink said...

Não vou esquecer...não posso esquecer!
Também vi a reportagem na TV, e comoveu-me ver o q aquelas pequeninas criaturas, com tão poucos anos de vida já têm passado.
Não posso ver uma criança sofrer, qu me despedaça o coração.
Felizmente, este tipo de doença (aquela doença q poucos dizem o nome)ainda não atingiu a minha família...no entanto já atacou o meu avô (q devido à idade o probl. estagnou); a minha tia paterna q com 42 anos foi operada de urgência...e ao fim d 6 anos disseram-lhe q estava curada; a irmã da minha mãe, q não sabe mas tem cancr... no esófago; a esposa do meu tio, q há 2 anos lhe diagnosticaram crancr...da mama (esta, após tanta quimioterapia, radioterapia e sei lá mais o quê...eu pensava q a coisa estava estagnada, mas soube pela minha mãe q há poucas hipóteses p ela).
Como vês...não consigo fugir deste maldito mal...
Esquecer?! Como?!
-Já agora falo d 1 livro q me aconselharam a ler, e que adorei! Aborda o tema de um modo bem suave, mas q a mensagem é bem explicita: Aproveitar a vida ao segundo!
"ÓSCAR E A SENHORA COR DE ROSA" - da editora Ambar.
Até!

brisa de palavras said...

Às vezes a vida é tão injusta que não dá mesmo para esquecer....

um abraço
brisa de palavras

Existe uma estrela no céu que ninguem vê senão eu! said...

O importante é mm não esquecer ... bjs :)

Crystal said...

Perdoa-me...Fiquei sem palavras

Um bj

starfish said...

obrigada pela partilha, também eu choro c estas palavras e entendo o q dizes sentir, identifico-me.

http://whispering-wishes.blogspot.com/2007/05/
quoting-9.html

Sea said...

lutar contra um cancro e tentar vencê-lo, é das tarefas mais tristes, degradantes, sofridas, angustiantes, penosas e todos os adjectivos que aqui se enquadram.

incomoda-me o facto de pensar o porquê das pessoas sofrerem. essa é a minha grande questão e o meu sofrimento. não consigo perceber porque se sofre tanto para morrer.

e não vou esquecer todos os que me são queridos, que partiram desta forma, em especial, a minha querida tia que nos deixou em Maio.
e sim, é muito difícil conter as lágrimas.
como te disse, é um sofrimento que não consigo perceber.

um beijo

Dawa said...

Juro que tb n m vou esquecer. :S
Foi a primeira vez que li esse texto, aqui, e fiquei c as lagrimas nos olhos e aquele nó na garganta... Como te entendo...
Beijos!

Miss Alcor said...

As palavras que só um homem das letras consegue transmitir!
Simplesmente maravilhoso!
Também não me vou esquecer, isso é certo!

amazing said...

Viver as coisas de perto é muito mais difícil que qualquer reportagem, garanto-te!

Mas nas crianças é sempre mais complicado!

impulsos said...

Depois do que li... também não vou esquecer!
Jamais em tempo algum!!

Beijinho

Zélia said...

Fiquei com as lágrimas nos olhos...

é uma realidade horrível.. nem kero imaginar... quanto mais sentir...

Eu tb n vou esquecer...

Hands of Time said...

Eu tmbém choro com este tipo de situações e então doenças... felizmente não tenho nenhum caso desses mas deve ser desesperante.

vida de vidro said...

E quem consegue ler isto e não chorar? Sobretudo visualizando lembranças de horas passadas nessas salas de espera, a acompanhar outras pessoas... e os rostos... não, não se esquece. **

Moura ao Luar said...

Há um par de anos morreu um tio meu com cancro no pulmão, o ano passado um primo de 34 anos com leucemia, e este ano tenho uma prima com 40 e poucos anos internada com cancro na bechiga, volta e meia falham-lhe os rins... o sofrimento é muito. Beijo para ti

whispers said...

Hello!!

Me afasto em silencio, talvez o post me diga demais..............
beijos mil
Whispers

un dress said...

toda a escrita de lobo antunes me atravessa viva ardendo a alma...

e o sofrimento e a morte sim...que poucas as palavras...!!




beijO

Cusco said...

Olá! Adoro Lobo Antunes...Também li essa crónica, como aliás todas as outras dele..! Hoje estou desejando de chegar a casa para abrir a revista e na página 19 (acho) passar mais um bom bocado!
Também deves ter gostado da anterior em que ele fala muito da situação dele..
Um beijo!

(Já ressuscitei)

eremita said...

Arrepiante..

Stranger à la carte said...

...pq isto acontece a todos, uma vez que seja, na vida. Só alguns é q dão conta da sua importancia...outros nem reparam no senhor, na criança ou na senhora.
São as pessoas que temos pertencentes à mesma,nossa,especie.

:)

Cometa 2000 said...

ando com este post na cabeça há pelo menos uma semana. hesitante entre comentar ou não. bolas, aqui vai.

há quase 2 meses o mundo ficou ao contrário por causa da "i".

é bom não esquecer. para mim será impossível deixar de o fazer.