Wednesday, January 21, 2009

Simplesmente porque Adoro o Pedro Paixão!

Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que o digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que tenho de voltar a tomar os comprimidos e marcar uma consulta com a minha médica. Mas não vou fazer nada disso. Eu minto-lhe e ela mente-me, dizendo que me vai livrar de todos os meus desordenados pensamentos. Por isso nunca lhe digo que deixei de tomar os comprimidos. Se eles me impedem de pensar, prefiro a minha doença.Fui de férias. Viajei para longe para me esquecer de mim. Não deu resultado. Para onde quer que vá a minha cabeça é a mesma. Não consigo tirar férias de mim. Talvez fosse melhor ser uma pessoa normal, com rotinas, família e coisas dessas. O meu azar é ter fé em coisas utópicas, coisas que não existem. Em nada me sinto segura, ninguém me pode convencer, só eu me posso convencer a mim própria. Há muito que me convenci que não tenho cura e os dias passam sem piedade.Vim de férias.[Os corações também se gastam]

Todas as feridas serão material de poemas. Portanto não devem ser evitadas. De preferência mantê-las abertas, até por fim sararem. De outro modo não deixarão outra cicatriz que não seja umas linhas, uma página, no máximo.[Muito, meu amor]
textos de Pedro Paixão
mas que são muito meus

33 comments:

Vekiki said...

Eu também o Amo, de Paixão!!!!
Have a nice day :)

Teresa Durães said...

Não percebi se o texto é da tua autoria ou de Pedro Paixão. Eu já aceitei que há doenças que não têm cura simplesmente e continuo a procurar essa classe irritante chamada de médicos. Claro que estou farta de trocar: se um não resolve os meus problemas talvez outro o faça. Tnho a sensação que estou quase a conhecer todos. Não me importo, tenho de ter a cabeça firme apesar de a maior parte dos últimos tempos não o ter conseguido. Mais de um ano em tentavivas e falhanços. Ou dois, já nem sei. Antes sempre tinha uma folga: por vezes bem, por vezes mal. Não há solução. Por vezes aguentar mais um dia, mais umas horas, talvez resista ao que é mais perigoso. Ou talvez não e a mente com a sua vontade própria ganhe.

Dos amigos, muitos fugiram: tantas asneiras em determinada altura. Provavelmente não eram assim tão amigos como pensava. Há os resistentes que não foram embora. Há os filhos que tentam compreender e vão conseguindo da melhor maneira. Educá-los para a independência para que resistam a mim.

Aceitar disparates feitos, aceitar que por vezes a agresividade transcende-me e sei que mais tarde vou pensar e repensar no que fiz e entender que não há nada que possa emendar. A não compreendão não o deixa mas quem tem o dever de compreender? Ninguém, na realidade. Um mundo só onde sabemos o que aconteceu sem conseguir passar a mensagem.

Beijo

(dos três cães que tinha sido roubados consegui reaver o cocker. Mas esse, meses depois, começou a fugir e a ir para casa de uma família que conheço. Acabei por desistir de o ir buscar. Penso que ele trocou-me por comida em vez de ração. Agora tenho um cão velhinho, o Tejo, que fui buscar a um canil - também)

nat. said...

hoje sinto-me um desstre humano...

Beijo

nuvem said...

Também aprecio imenso a escrita do Pedro Paixão. Gostei da tua escolha nos excertos (principalmente o segundo).

Um beijinho :)

amazing said...

"mas que são muito meus"
e meus e teus e de tanta e tanta gente

vício said...

sendo tu que o dizes... eu acredito! ;)

acho que tens de mudar o penso!

Roderick said...

As feridas de amor doem mas também sabem bem. E ensinam muito...

orquídea said...

Grande Pedro Paixão!!
(gosto muito também)

Bjs.

Noiva Judia said...

Não és a única... Onde achas que fui buscar o meu nick?

I. said...

Esse texto é absolutamente espantoso.

(uso muito o título de um dos livros dele a toda a hora: "viver todos os dias cansa". felizmente, há dias em que cansa menos que noutros ;)

Sandrine said...

Eu passei a gostar dele =)
Muito boas palavras.. amazing =) **beijinho*

T said...

Olá

Também adoro Pedro Paixão e tive o prazer e a sorte de o conhecer e trabalhar para ele. Na altura deu-me todos os livros (que tinha até então publicados) autografados. E eu devorei-os todos em menos de uma semana.

E também gostei de vir aqui.
Até logo.

T

Apenas eu said...

O Pedro Paixão tem textos excelentes. Este é um deles.
Não vale a pena irmos de férias para fugirmos de nós mesmas, fazemos férias a três, nós, a nossa "doença" e as férias...

Acredito que sejam muito teus, porque são próprios, intensos, com personalidade, meigos e ferem...

sem feridas não há poemas.
sem sentir não se ama.

e tomar comprimidos para dormir ás vezes dá cá um jeitaço! mas não é solução.

Adorei ler este texto e ver-te.

Beijo Grande

(por isso tal como eu as frases de clarice lispector te assentam como uma luva, não é?)

Su said...

gostei em demasia da tua escolha...........


estou certa que não tenho cura----

poissssssss


jocas maradas de tempo

Lita said...

Um abraço!...

Maria said...

Toda a dor é material de poema. Quanto mais rasgada mais profundo o poema. Não as evito, às dores, porque não posso. Antes não tivesse que as escrever...

Um beijo

Apenas eu said...

Olá :)
Vim aqui deixar-te mais um xi-coração bem apertadinho.
sabes onde eu estou. dás um grito e eu venho a correr.

beijinho e boa noite :)

A. said...

Olá vela,
Também eu adoro ler o Pedro Paixão.
Tenho aqui ao meu lado esquerdo dois que ainda não comecei a ler.
Um beijo

inBluesY said...

...ela estava a pintar os olhos quase colada ao spelho, como se estivesse à procura de alguma coisa dentro dos olhos, com um lápis de carvão. ...

Pedro Paixão é muito muito mas mesmo muito bom. e a ti agradeço

OnlyMe said...

Eu não conheço muito bem Pedro Paixão confesso, mas depois de te ler fiquei curiosa em aprofundar a sua escrita, porque os exemplos que deste são excelentes e com os quais me identifiquei logo à primeira.
Gostei do teu blog que não conhecia e voltarei.
Jinhos :)

Maria said...

Foi criado um selo para as mulheres que, de diferentes modos, constroem um mundo diferente.

Eu considero que TU fazes parte deste grupo, pelo que conheço do teu blogue. Portanto, atribuí-te o prémio. Podes ir lá buscá-lo…

Obrigada, Vela.

via said...

o pedro paixão sofre de bipolaridade, apesar de mesmo sem bipolaridade diagnosticada se poder sentir o mesmo.

Mlee said...

É grande, o Pedro Paixão, não há nada que o Homem escreva que não toque um ponto qualquer.

beijo

Teresa Durães said...

(não sabia que Pedro Paixão é bipolar. Mas realmente lê-se na escrita dele)

just me, an ordinary girl said...

Ainda nao li nada de Pedr Paixão, por acaso. Mas vou ler, um dia destes.

Um beijo grande, para ti. espero que nao deixes que o cinza lá de fora fique a morar em ti, por dentro...
:)

maripoza said...

Gosto! :)

beijo esvoaçante

mfc said...

Uma grande escolha... mas discordo da mensagem do autor.
Podemos mentir a todos, menos a nós próprios.

Pedrasnuas said...

Olá.
Citas Pedro Paixão ...ora bem!
Entre paciente e médico deve existir muita cumplicidade !
Caso contrário nada pode resultar! Pode-se mentir a qualquer médico!Menos a um psicoterapeuta!!!
Uma análise só pode ter por base a Verdade!
Viajar para fora é óptimo mas viajar para dentro é ainda melhor! Só vence quem se conhece a fundo !

Espero sinceramente que te encontres. Só assim terás Paz!

´Desculpa ser tão directa.

Antes Prefiro said...

gosto especialmente da última. há que ter coragem p'ra assumir as feridas, força p'ra as sarar, e dignidade p'ra suportar a cicatriz...

pin gente said...

por isso escrever dói... tantas vezes!

deixo um beijo

Black Angel said...

tás a ver no que eu te falava ;)

Ivan Mota said...

Pedro Paixão, para mim .. «O Maradona» dos autores. Bravo, que génio.

pink poison said...

Sou incondicionalmente fã de Pedro Piaxão e cheguei a falar com ele ao telefone... Todo o meu blog, o meu livro, que um dia será publicado se tudo correr bem, é inspirado neste génio excêntrico, mágico e especial!!!