Friday, February 05, 2010

coisas que gosto

uma musica


um poema

Deixei a luz a um lado e numa beira
da cama em desalinho me sentei,
sombrio, mudo, os olhos imóveis
cravados na parede.
Que tempo estive assim? Não sei; ao deixar-me
a horrível embriaguez da dor
já expirava a luz, e na varanda
ria o sol.
Não sei tão-pouco em tão terríveis horas
em que pensava ou que passou por mim;
recordo só que chorei e blasfemei
e que naquela noite envelheci.

[Gustavo Adolfo Bécquer]

um livro



um texto meu


definitivamente não sei. não encontro os limites entre o meu espaço e eu, estamos longe, parece me que muito longe. afastados nos sentimentos. acho que já não me permito tentar ter compreensão.absoluta. tenho ossos, carne, boca, tenho desejos, medos e alguma coragem.pouco ou nenhum carinho. e porque me sobra alguma coragem, vou.a passagem a escorrer pelos meus dedos. mas não compreendo.
continuo a procurar. tipo subtilmente ou desinteressadamente.eu sou intermitente. sempre com sono dentro do corpo buliçoso. mutação. procuro e nela muitas sensações se afastam de mim como contradições. quero um tecto sobre a minha cabeça.absorver. quero um. mas eles caem à minha passagem.
sinto me essencialmente desconfortável dentro da minha cabeça. uma louca vontade de bater ao murro no mundo que não se cansa de andar à roda na minha cabeça. ainda tenho tanta coragem e, no entanto, que fazer com ela? no dia a dia, uso máscaras como ponto de apoio mas que mal chego a casa deito fora e limpo, não, melhor ainda, esfrego a cara até ficar vermelha e me conseguir ver.a fragilidade em choque com a força.
um dia,serei capaz de colocar a minha coragem bem dobradinha numa mala de viagem ou levo a mesmo na mão. logo vejo quando chegar a hora de partir.ou se calhar, deixo ficar arrumada e não vou a parte nenhuma.porque mexer com as pessoas por dentro é para os fortes.eu não sou forte.a mim, a indefinição.como um compasso de pernas tortas e indefinidas.
talvez não ter caminho é tê-lo concluido. talvez não ter caminho é tê-lo concluido. a repetição da frase conforta me. e eu preciso de conforto. de tortos caminhos sei eu.

um momento


uma frase

Não devemos ser escravos de um padrão, de uma época, de um costume. Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade.

[Luiz Márcio M. Martins]

um filme



Uma cidade portuária no norte da Espanha, que há muito tempo voltou as costas ao campo e que se rodeou de indústrias que a fizeram crescer desproporcionalmente, alimentando a imigração e desenhando um horizonte de chaminés, sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados, à mercê de pequenas ocupações temporárias.Um grupo de homens todos os dias percorre as suas ruas, procurando as saídas de emergência. Entre eles, está Santa, um machão rebelde e auto-suficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a verdade é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna uma espécie de líder, são perdedores completos, mergulhados no alcoolismo e em crises familiares.E como diz no filme, Santa, personagem interpretado por Javier Bardem, "a formiga é uma filha da mãe especuladora".

7 comments:

Eu Mesma! said...

gostei do teu pensamento :)

Barbara said...

Sabes bem arder nas chamas.

Baila sem peso said...

A música tive dificuldade em ouvir
o poema gostei, é "tudinho que diz"
mas fiquei triste por dor sentir
o livro não conheço mas sei da Inês
tenho dois que gosto de ler muita vez
és forte sim, senão não era texto assim
um momento que te dá alento
a liberdade é estar livre por dentro
e um filme que não vi
mas tem "formiga" desafiadora!

Corri os posts abaixo
e no plano do ser os "encaixo"!

E te desejo bom fim-de-semana
E um beijo meu que sol te manda!

just me, an ordinary girl said...

um beijinho Iara

Lídia Borges said...

São momentos de prazer os que gasto aqui...

L.B.

Sandrine said...

Nem sei do que gostei mais no meio de tanto bom gosto :) beijinho

Paulo Sempre said...

http://www.youtube.com/watch?v=5MdolVfJlyg