Friday, February 19, 2010



Vestimos camisolas negras para ir ao enterro do outro
e um ano depois já nem nos lembramos da cara do outro.
Vestimos camisolas negras porque, graças a Deus, não vamos ao nosso enterro,
mas simplesmente assistir à cerimónia da lembrança da Morte.
E é assim que se vive, porra. C'est comme ça, merde.
A gente depena-se de preto, solta negritudes penas, de branco fica mal,
de branco nasce-se. De branco fornica-se.
Jamais de noir.
(Não sorrias...não sorrias...és tu o próximo do lado de fora observando
os outros observando-te.)
E é assim que se morre. Que se falece. Fenece. Caindo em túrbido esquecimento.
Quem se lembrará ainda do rosto do outro?, o morto? Ninguém, por Deus, nem eu.

[Lembrança-xangri_lah]

13 comments:

Eu Mesma! said...

ai credo...
eu visto preto porque adoro!

D. R. said...

Eu gosto bastante de me vestir de preto.

Mas esta reflexão está muito bonita.... :)

Beijinho*

joão said...

ufffffff.... still alive.

Teresa Durães said...

entendia o funeral cmo o descreves. hoje percebo que o fazemos pelos vivos que sofrem

pink poison said...

Como socióloga, venho expor uma coisa que acho que devemos ter em conta: temos medo da morte dos outros e nunca da nossa, porque temos medo de sofrer...
Sociologicamente falando, claro...
Eu gosto de falar de morte, senti a morte bem perto e nem por isso morri, talvez devesse, não sei... Mas senti e a paz é enorme!
Fui fria? fui realista.

Hannanur said...

Vim desejar-te um bfs e reparei que andas a ler Nómada.A Melanie e o seu grande amor Jared. Boas leituras.


Beijinho

Seastar_ Hannanur said...

Vim desejar-te um bfs e reparei que andas a ler Nómada.A Melanie e o seu grande amor Jared. Boas leituras.


Beijinho

Maria said...

E se falarmos de uma tarde de sol à beira-rio?

Beijinho, Vela.

Pedrasnuas said...

ESTOU BEM E TODA A FAMÍLIA.MUITO OBRIGADA PELO CUIDADO...MAS ESTOU NERVOSA POR VER ESTE CENÁRIO DESOLADOR NA MINHA CIDADE E EM TODA A ILHA...BEIJO

Lídia said...

... gosto de preto e quanto à morte... costumo mostrar-lhe cores claras.

Mar Arável said...

A morte não existe

se os vivos

não deixarem morrer

os seus mortos

Valéria Gomes said...

Nunca compreendi a morte como o fim, mas também não saberia responder se é o começo ou a continuidade. A sombra da morte apenas nos apavora, porque desconhecemos o que vem depois. Eu prefiro acreditar que ficaremos vivos para sempre, com ou, sem nossos corpos físicos. Estamos muito fúnebres hoje.

Um abraço, cheio de vida e calor!!!

soggyscheme said...

percebo a tua visão, tens razão no que dizes. as pessoas têm comportamentos robotizados o que nos impede de sentir e viver realmente o que somos para passarmos a ser mais uns que nascem, vivem e morrem e a vida supostamente continua.... o que me deixa triste ter que ver tal situação diariamente. mas assim é a "sociedade".