Monday, February 12, 2007

ontem,noite, avenida, liberdade, teatro

Chovia, estacionei o carro mesmo junto onde seria o espectáculo.
Desci e subi a Av. da Liberdade, sempre e cada vez mais bonita, sempre e cada vez mais só.
Triste Lisboa...o que te estão a fazer!

Depois do Terramoto de 1755 o Marquês de Pombal criou o Passeio Público na área ocupada pela parte inferior da Avenida da Liberdade e Praça dos Restauradores. Apesar do nome, era rodeado por muros e portões por onde só passavam os membros da alta sociedade. Em 1821, quando os Liberais subiram ao poder, os muros foram derrubados e o Passeio foi aberto a todos.
A Avenida que hoje se pode ver foi construída em
1879-82 no estilo dos Campos Elísios em Paris. A grande avenida arborizada tornou-se num centro de cortejos, festividades e manifestações. Inclui um monumento aos que morreram na Primeira Guerra Mundial. A Avenida ainda conserva uma certa elegância, com fontes e esplanadas sob as árvores. Outrora majestosa, com 90 metros de largura e pavimentos decorados com padrões abstractos, está agora dividida por dez faixas de trânsito que ligam os Restauradores à Praça do Marquês de Pombal, para o Norte.
Algumas das manções originais foram preservadas, incluindo o
neoclássico cinema Tivoli, com um quiosque dos anos 20 no exterior, infelizmente muitas das fachadas no estilo Arte Nova deram lugar a edifícios ocupados por escritórios, hotéis ou complexos comerciais.

Aproximava se a hora do espéctaculo...entrei nas portas largas do S.Jorge.

Senti saudades desta casa, onde tantos filmes fui ver...recordar momentos bons...




Considerado o mais emblemático dos cinemas de Lisboa, o São Jorge foi inaugurado em 1950. O Projecto da autoria exclusiva de Fernando Silva valeu-lhe o Prémio Municipal de Arquitectura, atribuído em 1951. Com inovações tecnológicas pouco habituais para a época, designadamente o ar condicionado, um sistema central de aspiração interna e um piano eléctrico era, à data de inauguração, a maior sala de cinema do país, com cerca de 2000 lugares e com um palco que acolhia o memorável órgão de cinema elevatório, ainda hoje recordado com carinho por muitos lisboetas.
Em 1982 sofreu obras de remodelação, passando de uma sala única para três salas de cinema – duas no piso térreo (ocupando a área da antiga plateia) e uma no piso 1.
No ano 2000 a Câmara Municipal de Lisboa exerce o direito de compra do imóvel, procedendo de imediato a uma intervenção no edifício, nomeadamente ao nível da fachada e da remodelação do interior, reabrindo ao público em 24 de Novembro de 2001.
Desde essa data o Cinema funciona com uma actividade regular de exibição de filmes (sessões comerciais e ante-estreias), acolhimento de Festivais (de que são exemplo a Festa do Cinema Francês, o Videolisboa e o Festival do RIR) e outros eventos de grande visibilidade, nomeadamente a Experimenta Design.
Em Abril de 2003 a gestão do Cinema S. Jorge foi confiada à EGEAC E.M. .
Infelizmente a C.M.Lisboa com a sua politica cultural deu cabo desta casa, onde hoje em dia passa esporadicamente alguns espectaculos, tantos que não tem calendário definido!
Triste Lisboa...o que te estão a fazer!

O Teatro vai começar ...são 21.30h..último dia da peça.

A peça Achadas e Perdidas conta sete histórias distintas que falam de amor, de futebol, da morte, dos homens, de mulheres e de meninas. No desenrolar dos textos, as 2 actrizes fazem todas as personagens. Acontecem ainda 12 trocas de cenário, a exibição de múltiplas imagens com modernas técnicas de vídeo e muita beleza para encher os nossos olhos. Trata-se de uma peça feita para emocionar, para mexer com os sentimentos do público, quando não estamos chorando, estamos a dar uma boas gargalhadas.
Para quem é pouco apreciadora de "brasileiradas", esta peça foi uma boa surpresa do povo verde e amarelo.Eu sinceramente gostei!
No último acto que parecia escrito ou feito para mim, a actriz retrata um pouco da vida...ataques de panico...solidão...desamores...medo...
E acaba, pedindo a todos para seguir em frente, numa só frase, que não me sai da cabeça...
Não tenham medo de ter medo.
[Esta senhora nem sempre teve uma vida fácil, Aos 12 anos, Maitê perde a mãe e, de certa forma, também o pai, uma vez que este matou a mulher, distanciando-se dos filhos. Ela e o irmão vão para um albergue onde ficam por três anos. Nesse período, Maitê também mora na casa de amigos e conhecidos. "Hoje, tenho amigos daquela época, com quem dividi casas e quartos, espalhados pelo mundo todo. Eles vinham ao Brasil, ficavam dois anos e iam embora com os pais. Acho que também por isso aprendi a lidar com as coisas efêmeras, a perder as pessoas queridas, a vê-las partir a todo momento, a mudar e mudar." ]


24 comments:

joaninha said...

"aprendi a lidar com as coisas efêmeras"... olha eu acho que ainda não...

e também não conheco mto a da lisboa que descreves...

*beijinho*

Teresa Durães said...

tento explicar aos meus filhos que não há vergonha nenhuma em ter medo.

vergonha é não ter medo de demonstrá-lo.

(essa Lisboa conheço do que vivi, das histórias da minha avó e da minha mãe. adoro Lisboa mas já não vivo aí, só trabalho)

boa noite para ti

cantabile said...

Teu texto é sublime!
parabéns!

João JR said...

Olá,
Adorei este teu post...curiosamente estive há pouco tempo no Museu da cidade com a minha filha, onde vi imensas coisas com ela desta Lisboa que falas, antes e depois do terramoto, entre muita coisa antiga linda!
Lisboa é uma cidade bonita, pena que tão mal cuidada!!! Concordo ctg! está triste a nossa Lisboa:(
Um beijo

Mina said...

Já tinha lido sobre a peça, fiquei ainda mais curiosa.Gosto muito de teatro :)
Palavras que se sentem...
Bjs!

crispipe said...

Não te escapa nada, pois não???!!!!
A pena maior é que não é só Lisboa que está voltada ao abandono é o pais, constroem-se coisas novas e deixam-se cair as "velhas", uma tristeza!! Enfim....
Gostei da musica, não conhecia.
Jokinhas

inBluesY said...

parabéns, confesso q li na diagonal mas vou reler pq a Avenida é ou deveria ser acarinhada.

inBluesY said...

sorry
e este trabalho está muito bom.

bjs

Carracinha linda! said...

Velinhas...

Tu és uma querida. Sinto o teu gosto pela nossa Lisboa! Adorei este teu post. Lisboa é de facto uma cidade bonita. Pena é que não se faça mais por a preservar. Tantos edíficios deixados ao abandono...bem que podiam ser restaurados ou demolidos e construídos de novo com as fachadas originais. Bem que se podia cultivar a magia que emana de Lisboa.

Em relação à peça...Admito que nunca fui ao Teatro, mas vi uma entrevista da Maitê Proença na tv e fiquei curiosa.

E não tenhas medo de ter medo; aprende antes a viver com ele.

Beijo grande!

TONY, Duque do Mucifal said...

Velinhas,
Curioso, ontem recebi 2 pps do melhor. Um sobre o Aeroporto de Libsoa dos anos 50. Uma delicia de fotos com uns comentários de quem conheceu e conhece a realidade daquela zona envolvente.
O outro pps era sobre o Marques, Baixa, Chiado, Lisboa de tempos idos.E tu colocaste aqui algumas das fotos. Olha so de olhar para o MARQUES com aquele lago...que INVEJA!
Não é bonito ser-se invejoso mas que me sinto com inveja...
E olha não falaste de outro flagelo dos nossos tempos. Os cinemas que agora sao "templos de fé". que mágoa!

sea said...

Curioso... :) Este fds, estive a ler uma entrevista com a Maitê. Tive pena de ter deixado escapar a peça. Há algum tempo que não vou ao teatro, última que vi foi “Todos os que Caem”, de Samuel Beckett, com a Maria do Céu Guerra (quase um ano!). Shame on me!

Curioso, também, a referência que fazes ao São Jorge. Uma grande sala de cinema, onde havia sempre intervalos nos filmes. Acho que a última coisa que por lá vi, foi “Entrevista com o Vampiro” (como o tempo passa!!!)
Lisboa, será sempre a minha cidade. Ainda que cada vez mais seja esventrada e mal tratada.
O Marquês de Pombal, foi demasiado visonário para a altura dele. Pena é que, alguns séculos depois, com tanto progresso e avanço, os que cá estão sejam tão limitados.

Curioso, ainda, é que é nos grandes aglomerados que nos sentimos mais sós. E é na imensidão de Lisboa que, por vezes, somos atacados pelo sentimento de estarmos realmente sozinhos: a olhar o Tejo, a vaguear pelas ruas, palmilhando as calçadas.

Bjo

susana gomes said...

adorei a tua escrita! =)
vou ler mais =D

Pierrot said...

Bonito roteiro turistico, urbano e cultural de Lx.
Fiquei a conhecer um pouco melhor essa "tua" terra.
Bjos daqui se prá cá vier a peça, darei uma olhada...
Bjos daqui
Eugénio

asdrubal tudo bem said...

Gostei muito deste teu post. Por tudo e por me rever nessa tristeza pelo que estão a fazer à avenida da Liberdade. Cada vez que lá passo dou por mim a pensar na velha avenida tão bem descrita pelos livros do Eça.

Opintas/Bernardo said...

Isto já é mais que um post. Boa tarde e um abraço.

isabel mendes ferreira said...

POST DE PAIXÂO!!!!!!!!!!!!!!



(HÁ-AS ASSIM...)


e ainda bem.


__________________.

Dark-me said...

Ainda bem que gostaste da peça!
Qto a nossa bela cidade de Lisboa, partilho da mesma opinião!
Ter medo e enfrentá-lo é a melhor forma de seguir e progredir...

Jinhos

Jotabê said...

fizeste-me viajar ao passado da Lisboa que explorei, das noites preenchidas às voltas, o hot club, o Pé Sujo, a esplanada da avenida em frente ao Guerin, e os teatros desde a Barraca até ao Castelo, efim…
que saudades…
e nem a música que está aqui a tocar neste momento me aquieta esta nostalgia,… Jorge Palma

:|

Beijoca

Bandida said...

associamos prepotências. a vida é outra coisa.

feita de tudo isso. tu sabes.





B.
__________________________________

poca said...

lisboa e o resto do país tb... o que te estão a fazer... e a nós também!
haja público para ir ao teatro... e haja salas onde as companhias se possam apresentar... só quem o faz é que sabe...

saudades de lisboa... de ir ao teatro no trindade ou ao são luis, de me passear pelo bairro e no chiado...

Estranha pessoa esta said...

Velinhas...
Estou a gostar muito destes teus últimos post's!
Mesmo!

E olha...
É isso..
Não ter medo do medo..
**

Luis Eme said...

As tuas velas têm cores bonitas...

tal como as palavras, nesta revisitação a outra Lisboa...

anrasaxa said...

BONITO :)

Madeline said...

Olha olha.. curiosamente, eu fui ver a peça no dia 11 também. E vim de lá também como tu.. com as frases da Maitê a ecoarem na cabeça.

Comprei o livro.. e o sentimento continua. Amo, mesmo. :)

Eu trabalho a 2 minutos da Av. da Liberdade. Não sou de Lisboa, mas sempre foi o meu sítio favorito. Tenho pena que as coisas e vão infiltrando e "estragando" o que podia ser das melhores coisas.

Espero que esteja tudo bem contigo. :)

Beijinhos