Friday, February 27, 2009

a lagartixa e a menina

a casa amarela vivia no meio do bairro vermelho.todos os dias a menina de vestido liso cor de terra, se sentava junto à sua casa amarela para observar a lagartixa.nos dias de vento, os fios do cabelo preto esvoaçavam passando pelo seu rosto e fazendo com que a menina afastasse o cabelo dos olhos sem nunca deixar de continuar a analisar os passos da lagartixa.
a lagartixa passeava pelas folhas das arvores alimentando se em cada uma delas.as folhas, essas gostavam do seu andar apesar de nunca mais voltarem a ser as mesmas. perdiam uma parte delas mas era como se o andar dela fosse uma caricia.a lagartixa, depois de passar por cada folha, também era diferente, ganhava energia com os pedaços que lhes retirava.
assim a menina passava os dias e passou o primeiro, segundo, terceiro, quarto dia... a menina chegava ao jardim, tirava os sapatos para pisar a relva e sentava se junto das arvores.e esperava a lagartixa.ela apareceu mas também um cortador de relva.a menina passou o tempo todo preocupada com que a lagartixa não fosse atacada pela maquina não tirando por isso os olhos desta...e esqueceu se de prestar atenção ao caminho percorrido pelas perninhas da lagartixa.
no quinto dia,a menina trocou o vestido cor de terra por um amarelo cheio de folhos e correu para a relva descalça mas o seu cabelo hoje não esvoaçava por não haver vento...esperou, esperou E não viu a lagartixa! o tempo parou no espaço. onde estaria a lagartixa?o que passaria a fazer todos os dias a menina?

Thursday, February 26, 2009

para a Maria do Carmo

hoje dedico as minhas letras, palavras, texto e imagem à MC.dou me a mim mesma.é pouco eu sei mas vem cá de dentro, do coração.
quando comecei a trabalhar, conheci a MC, uma pessoa diferente e ainda bem que assim é...sempre esteve muito à frente!felizmente, nesta vida feita de patamares que são necessários alcançar, uns estão uns degraus acima para o bem e não para o mal.
a MC uma Senhora, não que seja velha, nada disso...mas sim porque não é apenas uma colega mas sim um Amiga...no momento certo, ofereceu me sorrisos, limpou me lagrimas e deu me abraços apertadinhos!
a MC vai começar uma nova etapa na sua vida, que vai ser concerteza risonha!eu só quero agradecer por tudo o que me deu..acredite que foi muito e dizer lhe que gosto muito de si!
sim porque ainda sou do tempo em que a MC dizia:"ai! que não estou a perceber nada disto!"

estrelas

as estrelas permanecem.por milhões de anos.

ser estrela.

é

ser luz. calor.vida.

a MC é estrela

os anos passam.

as distâncias surgem,

mas

a marca fica no coração.

as estrelas são como a MC

dão coragem nos momentos de tristeza

distribuem sorrisos nos momentos de alegria.

ser estrela neste mundo

é uma dádiva.

a MC deu muitas vezes calor ao meu coração,

apertado e triste.

a MC é uma estrela que aquece e que como uma Vela jamais se apaga...vive.

um bjo MC

Sunday, February 22, 2009

na noite do Cinema, sentada no sofá cá de casa vi

Após deixarem para trás a cidade de Dogville, Grace e o pai acabam por acaso nos portões de uma quinta em Manderlay, no sul dos Estados Unidos. Ali, Grace descobre uma comunidade de escravos em pleno funcionamento, apesar da escravidão já ter sido abolida há 70 anos. Na quinta, Grace envolve se nas relações entre os empregados negros e patroa, e com a ajuda homens que trabalham para si, decide tomar conta da fazenda, após a morte da dona, com o intuito de entregá-la para os escravos algum tempo depois.

(A semelhança com a política americana no Oriente Médio não é mera coincidência!)

O filme brinca com o conceito que cada um têm da palavra “liberdade”. Mostra que todos os pontos de vista devem ser respeitados. O filme é também um manifesto contra o racismo. A dado momento no filme, um escravo diz que eles não estão preparados para serem livres, pois a sociedade não está preparada para recebê-los. “E não estará daqui a 100 anos”, completa ele. Infelizmente, está correcto.





´

Não devemos ser escravos de um padrão, de uma época, de um costume. Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade.


[Luiz Márcio M. Martins]


mas Janeiro e Fevereiro foram meses de cinema...também vi:



  • Australia- um filme a recordar os de antigamente(Como tudo o vento levou) que se passa na região norte da Austrália num período anterior à Segunda Guerra Mundial.O filme com Nicole Kidman no papel de uma aristocrata inglesa que herda um pedaço de terra enorme e vê sua propriedade ser alvo da cobiça de outros latifundiários da região. Para proteger a terra que herdou ela une forças com um vaqueiro (interpretado por Hugh Jackman) que se tornam um par romântico e claro saem vencedores nesta luta depois de passarem por muitas provações.São 166 minutos de filme, o que não é pouco, mas que eu gostei.

  • O Estranho Caso de Benjamin Button-Não gostei, Amei!A vida ao contrário..alguém que nasce velho e morre criança. E nem por isso se liberta das inquietações habituais. Uma homenagem ao presente.Adorava viver a experiencia..afinal, assim como assim, todos acabamos de fraldas.

  • A troca- Um filme realizado por Clint Eastwood, com uma interpretação fabulosa de Angelina Jolie, no papel de Christine Collins, mãe solteira, telefonista, que se dedicava com afinco à educação do filho Walter, desaparecido no dia 10 de Março de 1928, um sábado, enquanto ela estava trabalhar para substituir uma colega.A partir daí, Christine torna-se vítima do Capitão J. J. Jones que comanda o poderoso esquema de corrupção policial da cidade, vigorosamente atacado pelo Reverendo Gustav Briegleb,que do púlpito de sua igreja, divulga pelo rádio para a comunidade diversos sermões que são valores universais ajustados não só à triste realidade de Los Angeles na década de trinta, mas também e principalmente aos tempos actuais.Como repete muitas vezes Christine Collins (Angelina Jolie) : Eu tenho esperança!...Adorei o filme e se pudesse dava lhe o Oscar para melhor actriz.

  • Revolutionary Road-Gostei apesar do par Kate Winslet e Leonardo Di Caprio não me convencer muito (2 actores de quem não gosto por ali além).O filme não é mais do que um casal que parece perfeito aos olhos dos outros mas em que ela acha que tem uma vida da treta ainda que confortável, quer ir atrás de um sonho, descobrir aquilo de que é capaz de fazer e em que o ele se acomodou à vidinha.Confesso que passei o filme a recordar outro ...Beleza American, um dos filmes da minha vida e que é bem melhor do que este.No entanto, acho que uma lição deve ser tirada um casal são 2 pessoas e nunca apenas uma, por muita comunhão que haja.

  • Milk- Um filme que retrata a luta sobre os direitos dos homossexuais nos EUA. O actor Sean Penn, activista pelos direitos dos homossexuais, primeiro político americano a assumir a sua homossexualidade, amante, amigo, lutador, herói, está nomeado para o Óscar de Melhor Actor e eu se pudesse oferecia lho. A vida de Harvey Milk mudou a História e a sua coragem mudou vidas.É um filme interessante, importante, que me comoveu às lagrimas e que mostra a tacanhez de espírito que coexistia no mesmo país que estava a passar pelo movimento flower power mas que também mostra que ainda hoje há muito que fazer para sermos todos diferentes mas todos iguais.

  • Dúvida- A história passa se no ano de 1964, em uma escola católica no Bronx onde a directora (Meryl Streep) é uma dura freira que acusa publicamente de pedofilia um padre popular (Philip Seymour Hoffman). O filme aborda as questões de religião, autoridade e moralidade mas a dúvida instala-se e vai dividir irremediavelmente a comunidade.Em mim ficou a dúvida se aquele padre apenas por ajudar um menino que era diferente[as suas preferências sexuais era homossexuais], por lhe dar mais atenção e se lhe oferecer como um pai, já que o dele o trata mal e não o aceita, não foi condenado apenas por aceitar a diferença.Por mim o Óscar de melhor actor secundário iria para Philip Seymour Hoffman, talvez porque o filme valha por ele.Gostei.
  • Frost/Nixon- O filme conta a história de um apresentador de tv britânico David Frost, que conseguiu fazer com que Richard Nixon admitisse publicamente, numa série de entrevistas que lhe fez, que tinha abusado do poder enquanto presidente e sabia do escândalo de Watergate.É uma história muito americana - a busca da redenção - e ao mesmo tempo muito "morganiana" na medida em que se torna impossível quer a Nixon quer a Frost divorciarem as suas opções da sua personalidade. Para Morgan, quando se está numa posição de responsabilidade, é impossível divorciar quem se é do que se faz, e de nada serve lutar contra isso: é isso que torna o confronto entre Frost e Nixon tão estimulante.Neste filme, há uma frase dita por Nixon, que perdura na cabeça de quem o vê:"I'm saying that when the President does it, that means it's not illegal!"A ambição pode fazer uma pessoa não valer nada!Quanto ao filme não se perde nada em vê-lo.
  • Quem Quer Ser Bilionário?-É o regresso de Danny Boyle à ribalta, voltando a realizar um filme de culto, feito que já não conseguia desde o clássico dos ninetties Trainspotting.Jamal Malick é um jovem de 18 anos que cresceu nos bairros de lata de Bombaim, órfão, que chega à pergunta final do concurso de televisão Quem Quer Ser Milionário indiano. A motivação que o levou a concorrer não foi porém o dinheiro que poderia conseguir, mas a esperança de ao aparecer na televisão, ser visto pelo seu amor de infância e há muito perdido, Latika.Jamal vai acertando nas respostas às perguntas que lhe vão sendo colocadas porque cada uma delas o remete para um flashback da sua vida, onde o telespectador vai sendo confrontado com a guerra, a exploração infantil, a marginalidade ou a fome. Nos flashbacks da infância, vemos Jamal a brincar com o seu irmão mais velho, Salim, nos bairros de lata, a assistirem ao assassinato da mãe, a serem explorados por um suposto benfeitor de um orfanato. Os dois crescem, mas como dois ramos da mesma árvore, em sentidos diametralmente opostos. Ao chegar à final, Jamal consegue uma proeza que não está ao alcance dos mais entendidos em cultura geral e o próprio apresentador do concurso resolve denunciá-lo à polícia, acusando-o de fraude. Só assim, um "pobre"chegaria à fase final de um concurso daquele género.Na verdade, "Quem Quer Ser Bilionário?" é um filme muito inglês, no modo como resume tudo a uma questão social, de classe e mobilidade, em que o preconceito marca novamente a vida de uma pessoa(Jamal).Um filme que mostra como o destino não é mais do que uma série de consequências, consequências estas que também não passam de consequências. E assim sucessivamente. Como uma reacção química em cadeia.Este mostra também que o caminho para a felicidade, o objectivo último de qualquer ser humano, se pode percorrer por várias vias. E nem sempre os atalhos levam a lado algum.E sim, foi dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.

Friday, February 20, 2009

parabéns


Parabéns a Vocês que aqui passam e me mantêm a arder ,

porque Amizade é a distância, o intervalo entre nós e o seu centro. ficamos longe como um planeta que roda à volta do sol...na amizade a orbita é menor que a força. estamos em órbita para seguir o ritmo, não para ditá-lo. no momento em que sentimos que somos amigos, o melhor é caminharmos lado a lado... para não perturbar a órbita.
é tão fácil...e tão dificil...não são as velas como a vida? que se consomem até ao fim como a vida o faz a cada um de nós a cada dia que passa? até à ultima gota de sangue que ainda nos corre nas veias...e que quando balançamos a vela acontece ficarmos sempre a perder neste jogo da vida...
Hoje faço 3 anos mas não vou apagar as Velas ...vou deixá-las arder até ao fim!

Wednesday, February 18, 2009

arrumação de sentimentos demasiado confusos

sou difícil.se fosse um peixe seria uma raia.escorregadia e sempre a correr.sou complicada.pergunto me muito.
estranhamente hoje sinto me calma.apesar de não me consigo achar, pensar e acreditar em quase nada. tenho pouco materialmente.no peito, tenho sentimentos.é sempre difícil sentir.
deitada no sofá de forro vermelho, olho para dentro de mim e digo tudo o que sinto. e respondo:mas é isso que sentes??
eu que me achava incapaz de sentir. e hoje finalmente sinto. é bom nem sempre sentir o mesmo.não sentir nada, estar longe e não sentir saudade. poder estar com outra pessoa e não me sentir a apenas mais uma. já vivi assim...e até parecia que gostava de não ser ningúem para o outro alguém.
quero deixar de viver sem um arame farpado a rasgar o meu coração.
gostava de saber ser assim...descomplicada. apenas ver ou saber de coisas e não me entristecer, não viver os meus sofrimentos e os dos outros.sem me sentir egoista.
penso muito e nem sempre o mais certo.sou muito racional.às vezes uma voz de dentro de mim grita:mas porquê que és assim??descontrai!!!
a minha vontade hoje é acabar com a racionalidade, porque eu também gosto de atenção. de saber que os outros se importam comigo. e não são raras as vezes mas muitas...
mas também sei que neste momento é demais ter duas pessoas. talvez porque eu ainda não saiba lidar com ao menos uma delas.EU.

Monday, February 16, 2009

hoje joguei o

na RTP.

O programa vai para o ar dia 23 .03.2009.
Do trio final do qual eu fazia parte apenas havia mulheres.Os 2 homens foram corridos!
Para quem não vê este jogo de cultura geral , o truque é saber e ser um bom "bluffer", uma vez que cada jogador apenas sabe o que esta a ganhar e não faz a minima ideia dos valores que os outros jogadores já amealharam (apenas se sabe quando se sai do jogo) e que o momento da verdade é o do botão vermelho!Carregar ou não...eis a questão!Eu carreguei..Ganhei 1500 euros!
Pontuação:
Concorrente 1- 1700€
Concorrente 2- 1500€
Concorrente 3- 1100€
Ok...tinha ido à final...mas 1500€ já cá cantam daqui a 90 dias!
Se quiserem ficar a conhecer me é só ver o programa quando der na televisão...Vão perceber logo quem eu sou...

Saturday, February 14, 2009

o que é o silêncio?

É uma voz que, como todas as outras, não tem olhos e, por isso, sozinha, não sabe exactamente onde está.
José Luís Peixoto

gostava de ter escrito esta frase!

simplesmente o silêncio...é mesmo isto...

Thursday, February 12, 2009

obrigada SOL

de olhos fechados
não te vejo
mas sinto.

de olhos fechados
quero te
muito mais.

de olhos fechados
ainda que insegura
asseguro que me aqueces.

de olhos fechados
ou
de olhos abertos
só consigo gostar de ti.
obrigada
SOL.

Tuesday, February 10, 2009

talvez não ter caminho é tê-lo concluido

definitivamente não sei. não encontro os limites entre o meu espaço e eu, estamos longe, parece me que muito longe. afastados nos sentimentos. acho que já não me permito tentar ter compreensão.absoluta. tenho ossos, carne, boca, tenho desejos, medos e alguma coragem.pouco ou nenhum carinho. e porque me sobra alguma coragem, vou.a passagem a escorrer pelos meus dedos. mas não compreendo.
continuo a procurar. tipo subtilmente ou desinteressadamente.eu sou intermitente. sempre com sono dentro do corpo buliçoso. mutação. procuro e nela muitas sensações se afastam de mim como contradições. quero um tecto sobre a minha cabeça.absorver. quero um. mas eles caem à minha passagem.
sinto me essencialmente desconfortável dentro da minha cabeça. uma louca vontade de bater ao murro no mundo que não se cansa de andar à roda na minha cabeça. ainda tenho tanta coragem e, no entanto, que fazer com ela? no dia a dia, uso máscaras como ponto de apoio mas que mal chego a casa deito fora e limpo, não, melhor ainda, esfrego a cara até ficar vermelha e me conseguir ver.a fragilidade em choque com a força.
um dia,serei capaz de colocar a minha coragem bem dobradinha numa mala de viagem ou levo a mesmo na mão. logo vejo quando chegar a hora de partir.ou se calhar, deixo ficar arrumada e não vou a parte nenhuma.porque mexer com as pessoas por dentro é para os fortes.eu não sou forte.a mim, a indefinição.como um compasso de pernas tortas e indefinidas.
talvez não ter caminho é tê-lo concluido. talvez não ter caminho é tê-lo concluido. a repetição da frase conforta me. e eu preciso de conforto. de tortos caminhos sei eu.

Sunday, February 08, 2009


hoje precisava de cortar a minha pele para saber se ainda estou viva...
e palavra nenhuma me serve para o sentir.

Friday, February 06, 2009

taras e manias

boca,tens boca para me saborear?
olhos, tens olhos para os meus afagos?
ouvidos,tens ouvidos para os meus murmurios?
mãos, tens mãos para recompor ternura?
e sol, tens sol eterno?

eu sou a cera que se derrete
nesta mente agitada
que se torna cúmplice numa ousada caminhada
mas que arde sempre até ao fim.

A minha querida Vida de Vidro quer que exponha em público, algumas das minhas taras e manias. Com não digo que não a um jogo de verdades, aqui escrevo algumas particularidades confessáveis.

  • Só gosto de dias de SOL! Daí a minha cor ser o amarelo!
  • Ler livros, revistas e jornais (neste último mês não tenho tido cabeça para o fazer) compulsivamente e ver sempre o telejornal da SIC;
  • Apenas tenho molas da roupa de 2 cores e sempre que tenho que estender a roupa lavada para secar nunca coloco molas de cor diferentes na mesma peça de roupa;
  • Medo de uma guerra, de ficar presa em casa ou no trabalho, sei lá eu...Só sei que o frigorífico, a despensa e uma gaveta de secretária no escritório estão recheados de comida;
  • Combino sempre as cores dos sapatos com a mala, a mala com cinto se o estiver a usar nesse dia e se chover a cor do chapéu de chuva com a cor predominante que trago vestida;
  • Adoro filmes do realizador espanhol Pedro Almodóvar ...tanto que colecciono todos em dvd!

Monday, February 02, 2009

confissões

para todos os que lêem o as velas ardem sempre até ao fim, vou responder uma pergunta, já que percebi que preocupo muitos dos que aqui passam com meu estado de espírito.A pergunta é:
os textos escritos neste espaço virtual são verdadeiros?



SIM, por isso escrevo na primeira pessoa porque é uma forma de intimidade.de mim para ti que estás do outro lado. passo a verdade ou pelo menos um estado de espirito quanto à minha realidade, como a consigo perceber....e no fim eu até gosto desta partilha, até da incerteza que provoco em quem me lê.
escrevo sobre o que observo e sobre a minhas vivências, misturadas com alguma dor ou prazer e que são transformadas em textos de puro eu.eu sou uma diversidade de sentimentos.
SIM, posso estar mais desanimada nestes ultimos dias (a ajudar chegou também uma gripe no domingo...), dominada por uma dor que me percorre as veias da vida, sem que isto me torne uma pessoa fraca.
momentos de tristeza são momentos de tristeza e isto não invalida a força de um carácter.
todos nós podemos ter estes momentos... quem nunca perdeu o rumo por uma frustração. quem nunca achou que não valia a pena amar mais. quem nunca chorou atrás de um sentimento. quem nunca depositou no vida toda a sua percepção de felicidade. quem nunca construiu histórias e percebeu que estava sozinho e ficou sentado na beira do mar . quem nunca ouviu Maria Bethania e se identificou com a canção. será que isto tudo nos torna tolos? fracos ? dependentes ? ou apenas humanos?
posso dizer que a vida não faz sentido, neste momento, porque uma sensação suficientemente forte a que se chama dor está a tomar conta dela, porque a memória desta se fez mais presente neste instante.mas é também humano renascer das cinzas, aproveitar a força do tempo para voltar à tona, sacudir a poeira e dar a volta por cima... mas é preciso tempo!


enfim sou eu, literalmente nos posts, mas também quem mais se quiser confessar .... somos nós todos , mesclados no sentido maior da humanidade : ser um Universo de sentimentos numa só Pessoa. assim somos nós.

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
Como quereis o equilíbrio?(David Mourão Ferreira)
eu não tenho vergonha das minhas fraquezas, esquecimentos, inseguranças e muitas vezes descontrolos porque no fim o tempo vai me trazer a força e eu vou conseguir ser ...
completem vocês...

Friday, January 30, 2009

Wednesday, January 28, 2009

Viver na rua_Inês Pedrosa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
[Álvaro de Campos-Poema em linha recta]


É fácil chegar à rua para por lá ficar. Costuma dizer-se: cair na rua. Mas quem costuma são os que estão em casa, os que sempre estiveram em casa e por isso não imaginam a facilidade com que as paredes se desfazem. Não são só os drogados, os alcoólicos, enfim, os viciados. Há tantos vícios dentro de portas. Às vezes é isso o que empurra as pessoas para a rua: o álcool excessivo de um pai, de um marido. A necessidade de encontrar um sítio onde a nossa cabeça não vá, noite após noite, bater nas paredes até sangrar. Outras vezes fugimos para a rua para não enlouquecer de desalento, para aprender a não esperar mais nada de ninguém, para nunca mais voltarmos a desesperar por amor de alguém. Estes são os casos ditos mais difíceis, resistentes às assistentes sociais, aos lares, aos 'projectos de vida', à chamada 'reintegração'. Estúpida palavra, absurda, cheia de gelo e fealdade - reintegração. Todos os reintegradores acabarão um dia, um dia não muito longe, reintegrados na terra. Ou no fogo. Isto, os que vivem na rua sabem-no melhor do que todos os outros. Têm a fortuna imensa de já não ter nada a perder - por isso, podem dar-se ao luxo de ficar um dia inteiro a olhar para o rio, de manter esse rito infantil do deslumbramento sem horários nem causas ou consequências. Os que vivem na rua podem cair em buracos, passar fome e frio, estender a mão à má consciência alheia, mas as grilhetas da subserviência e da vaidade não lhes atrapalham os passos. Não dobram a espinha a cargos ou mordomias. Olham as pessoas nos olhos para perceber de que são feitas. Podem pedir, mas não se vendem - quantos dos que vivem dentro de portas conhecem esta dignidade?
Para desgosto dos altos desígnios do turismo nacional, os que vivem na rua gostam de lugares bonitos. Gostam do Terreiro do Paço, por exemplo. Um desassossego. "Tirem-nos daqui! Tirem-nos daqui!", bradava há meses uma figura do efémero poder, agoniada. Enxotam-nos e eles voltam, como gaivotas, para a beira rio. Indiferentes à repulsa dos outros, ao medo, que já não sabem o que é. Querem metê-los em camaratas, fechá-los no recato da caridade com uma sopa e um catre - e eles continuam a fugir para dormir sobre cartões num passeio da cidade. Porquê? Porque têm as estrelas a seu favor, e a solidariedade dos que, como eles, desistiram da vida dos cartões e dos deveres e da concorrência. Na rua ninguém pergunta, ninguém pede contas, não é preciso dar resposta. Na rua pode-se chorar sem ter de dizer porquê, sem termos de recordar porquê.
Há apaixonados que encontram na rua a casa que não podem ter. O caso de uma cigana e um cabo-verdiano, juntos contra o perigoso séquito da família dela, que só na rua encontraram casa para o seu amor. Ou o caso da mulher fugida à violência do seu homem que se apresenta no escritório diariamente e esconde que já não tem casa. A mulher que diz que nos amigos da rua encontrou o carinho que nunca conheceu na família.
Quando a temperatura de Lisboa desceu a zero, a Câmara Municipal, em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia, montou uma tenda de apoio aos que vivem na rua, uma tenda aquecida, com sopas quentes, sandes e distribuição de roupas e cobertores. Havia também uma televisão na tenda, e as pessoas ficavam por ali, no calor do convívio, a conversar, a olhar para o ecrã, a ler. A ler livros, sim. A escrever poemas à amada distante. Ou apenas a sentir o consolo da presença dos outros. Quando a notícia da tenda correu pela cidade, apareceram também outros: o velho que vive sozinho com uma reforma baixa, a adolescente que se sente a mais no mundo, gente com tecto mas a desabar por dentro, parede a parede. Vieram as câmaras das televisões e dois homens foram reconhecidos e resgatados, um pela família, outro pelo antigo patrão.
Histórias que sossegam e aquecem, durante um par de dias. A vereadora Ana Sara Brito e as equipas de rua que ela coordena conhecem bem cada uma destas pessoas, percorrem a cidade todas as noites do ano para os ouvir e lhes dar conforto, procurando ajudar, compreender cada história e cada alma, sem sermões nem ordens de "reintegração". É um trabalho lento, doloroso, discreto, contínuo, sem a visibilidade pimpona das obras de cimento, que dão votos. É o trabalho do amor, aquele que nunca está completo e que sempre nos fere.
Sem-abrigo somos todos nós, e muito mais os que vivem sob o tecto do êxito obrigatório e agarrados às paredes do poder do que os que vivem na rua, sem nada e sem medo.

Sunday, January 25, 2009

2(desafios) e só um(post)!

Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
[Fernando Pessoa]

O que é a Felicidade!? Com esta é que tu agora me lixaste Dias! Acredita que se a pergunta não fosse feita por ti não respondia…(Os meus últimos dias tem sido muito mas muito pouco felizes).

É o que todos queremos, não é???
Não tenho uma resposta concreta a esta pergunta.
Se calhar o que me faz feliz é saber que a felicidade e a infelicidade são estados de espírito que, embora influenciados pelo que me acontece, reflectem o que o de mais profundo consigo ser. O que me faz feliz, mesmo quando estou infeliz, é saber que amanhã é outro dia. E nesses dias que se seguem espero ter paz, que não me chateiem, que o Sol apareça e que os gestos sejam simples mas calorosos.(Mesmo que depois nada aconteça assim...)
E utilizando a tua frase: Não renunciei, apenas me rendi. O dinheiro assenta a felicidade! e eu não tenho dinheiro.


mergulha nos sonhos
ou um lema pode ser teu aluimento
(as árvores são as suas raízes
e o vento é o vento)
confia no teu coração
se os mares se incendeiam
(e vive pelo amor
embora as estrelas para trás andem)
honra o passado
mas acolhe o futuro
(e esgota no bailado
deste casamento a tua morte)
não te importes com o mundo
com quem faz a paz e a guerra
(pois deus gosta de raparigas
e do amanhã e da terra)
[E. E. Cummings-Mergulha nos Sonhos]
A Lita passou-me um desafio que tem a ver com sonhos.Confesso que raramente sonho, porque sempre que o fiz a taxa de sucesso foi sempre muito reduzida e por isso prefiro não fazê-lo, mas como nunca digo que não a quem aqui me faz companhia.
Aqui vai uma lista de 8 coisas que gostava de conseguir em 2009:
- Ser menos ansiosa. Tornar me diariamente paciente.(Sinto que tanta ansiedade me está a matar…);
-Ter mais tempo para fazer o que gosto. Pintura, escultura e fotografia. Exposições, museus, ler e ver cinema;
-Conhecer alguém de quem eu goste e que também goste de mim. (Estou farta de gostar de quem não gosta de mim);
- Pensar menos na vida;
- Organizar melhor as minhas tarefas (especialmente os relatórios das reuniões que tenho com empresas …);
-Continuar a partilhar a vida com a minha família e com o meu Simão;
-De ter tempo e dinheiro para voltar a inscrever me na natação;
-Rir mais e chorar menos
.

Convido quem me visita se quiser a fazer estes desafios…
Ah!Sonhem e sejam felizes!

Friday, January 23, 2009

medo..ou talvez não..vontade...ou talvez não...

se calhar não tem nada a ver......mas desde pequena sempre me perdi nos detalhes...em todos.nunca consegui ver primeiro o todo. ouvi sempre primeiro o tom de voz, a forma como as coisas se dizem, vi os detalhes de como se colocam as mãos, a posição das pernas... parece que os pormenores me completavam.cada detalhe que descubro..me sinto bem menor do que Tudo.com as mãos,descubro linhas no meu rosto que desconhecia.como curvas que se levam nas pontas dos dedos mas que têm cheiro.o meu.esboço um sorriso frouxo.guardo sempre o olhar nas pequenas coisas...assim como fizeram comigo.
sinto me cansada, envergonhada e sem vontade de nada.não me apetece ver tv, estar na cama, ler ou até mesmo chorar.eu que sou uma chorona...

gostava de ser forte mas sou chacota da facilidade com que me magoam e presa fácil da solidão da noite.o amor em mim passou depressa, tão depressa que não me deu tempo para aprender a gostar de elogios...é mais facil ter uma resposta pronta e má, por vezes, do que um abraço.pensar que não aguento mais e querer desistir, imaginar que não existo, invisivel sem valor pode ser o primeiro passo a dar.não se vive com medo...ideias fixas,independemente de quais são, podem destruir ou mudar a minha vida.o modo como vejo as coisas e como me vejo.às vezes um resto de vento derruba me um dia inteiro.o sim, o tom da verdade, pode levar as horas a recuarem, e aí vejo com clareza o que está por trás de todo o mal .é ouvir o que não quero mas fazer o que tem de ser feito.a isso se chama vontade...coisa que não sei se tenho.claro que o tempo passa e a saudade que ainda maltrata, vai transformar se e dar me força.os segundos têm de ser gastos até a última gota.falta me tempo. quero ter vontade para ter desejo de aproveitar os dias sem perder nada.pode ser que o medo não apareça...

Wednesday, January 21, 2009

Simplesmente porque Adoro o Pedro Paixão!

Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que o digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que tenho de voltar a tomar os comprimidos e marcar uma consulta com a minha médica. Mas não vou fazer nada disso. Eu minto-lhe e ela mente-me, dizendo que me vai livrar de todos os meus desordenados pensamentos. Por isso nunca lhe digo que deixei de tomar os comprimidos. Se eles me impedem de pensar, prefiro a minha doença.Fui de férias. Viajei para longe para me esquecer de mim. Não deu resultado. Para onde quer que vá a minha cabeça é a mesma. Não consigo tirar férias de mim. Talvez fosse melhor ser uma pessoa normal, com rotinas, família e coisas dessas. O meu azar é ter fé em coisas utópicas, coisas que não existem. Em nada me sinto segura, ninguém me pode convencer, só eu me posso convencer a mim própria. Há muito que me convenci que não tenho cura e os dias passam sem piedade.Vim de férias.[Os corações também se gastam]

Todas as feridas serão material de poemas. Portanto não devem ser evitadas. De preferência mantê-las abertas, até por fim sararem. De outro modo não deixarão outra cicatriz que não seja umas linhas, uma página, no máximo.[Muito, meu amor]
textos de Pedro Paixão
mas que são muito meus

Sunday, January 18, 2009

fecho os olhos e sinto


depois do frio, a chuva.chove muito lá fora.

eu estou sentada.sentada numa cadeira.penso.nos últimos dias. lembro cenas.tentativa de reviver tudo ao que sempre me deu prazer. as células do corpo em ebulição. eu sinto.sinto as células a moverem se.ao centímetro.uma sensação inexplicável, que só eu posso sentir porque aprendi a fazê lo com a maior intensidade possível.

fecho os olhos e sinto...

os meus pensamentos são só meus neste momento.uma espécie de felicidade, um momento radiante, sem receios. dúvidas comuns, verdades adivinhadas, que muitas vezes não entendo mas que neste momento não interessam porque sei tudo. tudo, tudo e tudo.

dentro dos meus olhos está o que eu preciso .. até a minha saída.

as perguntas essas giram sempre à minha volta.

fecho os olhos e imagino, penso no sentimento que está cá dentro. escuto uma melodia.não, não é romantica mas sim forte e traz a vontade de tomar uma atitude.sei lá...arrebatar uma surpresa.

surpresa intensa e íntima. uma intensidade animal, em que se sente a pele molhada de suor.uma intimidade que dá para rir no meio de tudo.um abraço.

fecho os olhos e só consigo pensar que estou apenas comigo. fecho os olhos para pensar em mim.

boa noite, durmo comigo.

Thursday, January 15, 2009

tudo tem o seu tempo e o dia 15 .01.06 foi o MeU


Arrumo a minha casa.
Prego um quadro
na parede amarela.
Olho de perto, de longe
analiso todos os detalhes
com perfeccionismo.
Na parede vazia,
os traços sem nexo limitados
pela moldura da razão
vem correndo o coração
ser o fiel da balança.
Preocupo me com o efeito...
E, se não me agradar a mim,
o que fazer?
Só quero que esta tela
que minha vida revela
não pareça uma natureza-morta!
Quero que o perfume
se desprenda
e sentir o seu cheiro .
Percebo então,
que arrumo minha casa
para agradar aos meus olhos...
não aqueles que me visitam
aqueles que passarão aqui
por um instante
carregando outras paisagens na mente.
E, quando partirem,
deixarão tudo para trás...
sem saber os meus cuidadosos gestos
para mostrar um pouco de minha alma.

3 anos!
faz 3 anos que vivo sozinha com o meu cão Simão.
os dias não são todos fáceis- mas também não são os daqueles que partilham a vida com alguém- e pelo menos nunca me sinto sozinha estando acompanhada.parece que tenho tempo para tudo. outras vezes nada.
Cresci... soltei amarras...aprendi muito mas também fiz muitas asneiras as quais aqui nesta vida se pagam.tenho vivido, sim. sem planos. com algumas culpas ( faz parte de mim...talvez um dia me livre delas!), mas tento não pensar muito (coisa muito dificil para mim sabe quem me conhece). se eu pensasse ainda mais, não fazia metade das coisas que tenho feito. e também deixaria de aprender milhares de coisas. mas se calhar tinha errado também muito menos. hoje conheço vários dos universos que existem em mim e que eu nunca tinha visitado...trago um universo dentro de meu coração. um universo com galáxias, planetas, estrelas, infinito em possibilidades e repleto de cantinhos desconhecidos... a cada dia posso encontrar um novo mundo em mim mesma.e a esperança não vou perder...
agora não me iludo, nem tento iludir, por vezes é estranho não ouvir outra voz em minha casa para além da minha, outros dias jantar apenas com a companhia do telejornal da SIC não é o que mais me apetecia, mas também pode ser agradável ter todo o tempo do mundo para ler, ouvir música ou ver na televisão só o que quero. os meus dias têm dias...tais como os de toda a gente.uns muito bons, outros nim e outros muito maus.
estou a gostar da experiência mas também gostei dos 32 anos que vivi com os meus pais e com o meu irmão.