Friday, April 25, 2008

Wednesday, April 23, 2008

um pensamento recorrente

se não mudar de direcção, termino exactamente o meu caminho no ponto de partida.

Sunday, April 20, 2008

sound


transformar o mutável.o silêncio em som.os dias fazem se de canções.canções com notas soltas de instrumento nenhum.instrumento chamado vida.um simples suspiro apresenta se sonoro como parte de uma canção.cada lágrima perdida é o intervalo de notas.percurso de um coração.e cada passo dado escreve uma pauta sem fim.ritmo.surge a vontade de mudar de nota, começar outra sequencia,mas ...a música essa continua muitas vezes a mesma.às vezes alterna se o estilo.ainda assim, faz se de si.parte dela mesma.que importa...a escolha do ritmo ou do toque é de cada um.tocar um instrumento.ritmar a vida.ou ouvir!quem sabe apenas...apenas ouvir!

Thursday, April 17, 2008

hoje falo de mim

aqui partilho o que tenho
não como tenho
mas como sou.
hoje falo das borboletas
as borboletas que sinto no estomago,
que fogem para os olhos
e me acariciam a pele,
com os beijos das suas asas.
são assim
as borboletas que sinto no estômago.

aqui partilho o que tenho
não como tenho
mas como sou.
hoje falo do meu sabor
do sabor que me compõe
necessito de mim
preciso do meu paladar
provo-me e
aprovo-me.

aqui partilho o que tenho
não como tenho
mas como sou.
hoje peço te
janela
que espelhes
e espalhes
a minha luz .

Tuesday, April 15, 2008

"principe" parvo

Eu tentei. A serio que tentei, não escrever uma unica linha sobre este puto a quem chamam principe Sonae e a quem eu apenas chamo parvo.Parvo, simplesmente porque não me apetece perder o meu tempo a enumerar os nomes que lhe pudia adjectivar.Não estou para ai virada...
Diz o puto, de dezoito anos, Tomás Azevedo, neto de Belmiro, numa entrevista à Visão, onde é tratado com veneração e principescamente:

''É um menino-prodígio, mas anda de transportes públicos. Não tem a tentação de ir de carro e motorista para a faculdade?
A minha família não sustenta esse tipo de nível de vida. Nunca foi o nosso estilo ter uma vida ostensiva ou muito acima da média. Não vou dizer que a minha vida seja a de um português normal, porque não é. Os portugueses em média são pobres e os menos qualificados da Europa. Não tenho grande contacto com esse Portugal real ou com esse Portugal pobre. Mas sei que ele existe porque os números não mentem. E quando vejo as estatísticas da UE e da Eurostat é inegável que Portugal é um país pobre. Um católico diria que a única coisa que temos a certeza é que vamos morrer. Um cínico diria que vamos morrer e pagar impostos. Eu diria que vamos morrer, pagar impostos e que o dinheiro dos nossos impostos vai ser mal gasto.


Fala muito de ricos e pobres, da exclusão social. Há muitos licenciados que são caixas de supermercado…
Porque a economia portuguesa não conseguiu adaptar-se às exigências do mundo actual e não consegue absorver as pessoas qualificadas. A grande culpa é de quem não soube aproveitar o dinheiro que a EU deu para reconstruirmos a economia com base no conhecimento e não na mão-de-obra barata.

E sabe quanto ganha um caixa de supermercado? Aceitava trabalhar como operador de caixa?
Se me desafiassem para ir conhecer o negócio do retalho como um anónimo que dá o seu contributo e a cara perante o cliente, aceitava o desafio. Mas sinto – e muitos têm o direito de sentir – que posso contribuir mais para a criação de valor do grupo e para o país, se puder usar mais o cérebro e menos o físico. Mas um caixa deve ganhar 600 euros líquidos.

Acha bem?
Nem bem nem mal, é o país que temos, que é mau. No século XXI, numa sociedade civilizada e inserida na UE, 600 euros só se justifica porque a economia tem tanta incapacidade de absorver as pessoas, que há quem aceite trabalhar por 600 euros.

Quando um licenciado aceita ser caixa de supermercado está a fazer pela vida. Ou não?
Com certeza. Tenho imenso respeito pelas pessoas que trabalham. O problema é a quantidade de portugueses que não querem trabalhar. Ainda recentemente uma notícia dava conta de uma empresa em Guimarães [a Amtrol-Alfa, multinacional americana] que não conseguia arranjar trabalhadores. E um licenciado que trabalha por 600 euros/mês, claro que é alguém que faz pela vida. É também verdade que 600 euros pode não ser a remuneração adequada para alguém com qualificação superior. Mas também é verdade que se essa pessoa não estivesse inserida num grande retalhista, como a Sonae ou a Jerónimo Martins, por exemplo, e tivesse, em alternativa, de trabalhar numa mercearia, as probabilidades de progredir na carreira eram muito inferiores. Na Sonae, se for bom e merecer, sobe na hierarquia. Tendo em conta que a geração de valor de um trabalhador da sonae é muito superior ao pib per capita em Portugal,
embora a Sonae pague mal aos seus colaboradores, não paga pior do que os seus concorrentes. E paga melhor do que a média das empresas portuguesas. ''

Se eu fosse tola, ie, não fosse viciada em noticias, estudos e da area de económicas, não tivesse um emprego no qual os dias se fazem em contacto com as PME portuguesas, não soubesse as dificuldades que as familias portuguesas passam e nestas me incluo, a ginastica que faço para chegar ao final do mês, diria que este moço era um verdadeiro génio.
O problema é que os meus dias não se vivem tendo como base a conta bancária deste menino.Em que os pobres apenas se vêm da janela...não...eu todos os dias faço contas, ando na rua e vejo pessoas a dormir na rua, empresas a fechar todos os dias e pessoas a cair no desemprego.
Eu cruzo me com mães que no supermercado dizem aos filhos que não lhe podem comprar uma gelatina porque não tem dinheiro para isso, gente que vai aos caixotes aproveitar o lixo dos outros e miudos que passam os dias sozinhos porque os pais não tem dinheiro para pagar um ATL quanto mais um colégio.
E este miudo é tratado como um ser excepcional uma vez que anda de transportes publicos.Será que esta jornalista ou o jovem Azevedo já andaram de metro de manha ou ao final do dia onde pais viajam com miudos ao colo e outros pela mão e não porque gostem!Sim, estes pais não tem escolha, ou seja, não preferem andar de transportes publicos a andar de motorista como este puto.
Gosto de ouvir falar de pobreza quando se te um rolex de ouro no pulso, se fazem ferias de Inverno e de Verão, se prefere comprar um fato dos bons que ir à Zara afinal não sou eu que digo é ele mesmo..que não tem contacto com esse Portugal real ou com esse Portugal pobre.

E porque já vai longo, e a minha paciência, furia e desilusão com este tipo de gente atinge limites em que fico fora de mim, deixo o melhor para o fim...Pois é a Sonae paga 6oo euros a um caixa, que trabalha sabados e domingos, e paga mal como ele diz, mas o pior é como conclui o sua sabia opinia, dizendo que não paga pior do que os seus concorrentes e que até paga melhor do que a média das empresas portuguesas. Só faltou dizer que o problema é da conjuntura.

Puto podes ser rico, esperto e de certeza que vais ser importante na vida mas por esta entrevista percebe se que és um PARVO!
Ah! E já agora aprende que a culpa não é do país..O país é feito das pessoas que nela vivem e que contribuem para que a vida dos mais desfavorecidos seja menos pesada!A culpa é de pessoas como TU!

Sunday, April 13, 2008

zapping

preciso de um sintoma de liberdade.o som de uma gargalhada.


tenho frio, estou gelada no calor que queria sentir. estou cansada de mais uma noite de domingo. rio me do meu polegar,dos meus zappings.estou gelada.sem o suor da loucura.estou cansada. queria ser uma borboleta, uma girafa ou um animal qualquer, queria mudar apenas mudar.
tenho frio, estou gelada. sei lá, farto-me de rir.gargalhada solta em cada mudança de mais um canal. flashes.flashes da muita luz que me cega, que não me deixa ver, assim como a sombra que me cega o olhar. queria fazer um montão de merdas.tudo num só bocado. mas descobri que o caminho mais curto para fazer muitas coisas é apenas fazer uma só coisa de cada vez. tenho frio, estou gelada de tanto me rir. comando em punho em zappings.embrulho.embrulho me numa manta às bolas. amarelas e laranjas, o fundo branco.conto as bolas num exercicio de cabeça, apenas bolas. rio.o som de mais um sorriso.
tenho frio, estou gelada. sintoma de liberdade ao som de mais uma gargalhada. afinal, com uma gargalhada rasgada vou conseguir acordar os deuses.

Thursday, April 10, 2008

"Então expliquei-lhe que o lavagante é principalmente um animal de tenebrosa memória, paciente e obstinado, e terrível nos seus desígnios. Contei-lhe como ele serve o safio que está nas tocas submersas levando-lhe comida a todas as horas, e como a sua existência anda presa a essa serpente estúpida de grandes sonos, vendo-a engordar, engordar, até saber que a tem bloqueada, incapaz de sair do buraco porque o corpo cresceu demais, enovelou-se e não cabe na abertura por onde podia libertar-se. Nesse momento, fica sabendo, o lavagante servil aparece à boca da toca do safio mas já não traz comida. Vem de garras afiadas devorar o grande prisioneiro que alimentou durante tanto tempo”.[Lavagante, José Cardoso Pires]

todos os dias me cruzo com pessoas assim.a alma desta gente é uma folha manchada de café. aquela gota negra sugando a alvura da textura seca do papel. suja.a lógica passa a ser guiada pelos interesses.e as emoções? contrastes!a força do grito e a suavidade dos lábios. a fragilidade da pele e a inquietude da pulsação. o sol rende se à lua.


que a paz invada a violência. é preciso ver com o coração e não com olhos. ver gente diferente e melhor...mas o caminho é rodeado de seres híbridos. será que um dia o ser vencerá o parecer???

Monday, April 07, 2008

castelo de nuvens


sou futuro, passado e presente!

eu sou a proxima onda que rebenta na praia.

sou futuro, passado e presente!

eu sou nuvem passageira que com o vento se vai.

sou futuro, passado e presente!

eu sou como um cristal bonito que se quebra quando cai.

não adianta escrever o meu nome numa pedra pois essa pedra vai transformar se em pó.

sou futuro, passado e presente!

aprendi que a vida corre contra o tempo...

e que sou um castelo de nuvens à beira do mar!

Friday, April 04, 2008

uma pequena estória simples

gestos.ele fazia pequenos gestos para que ela reparasse nele
olhares.ela pensava no porque dele não olhar para ela.
ele tentava chamar a atenção dela. ela não procurava atenção, afinal já tinha a dele.
ele tentava arrancar lhe um sorriso sem que ela percebesse.mas não conseguia reparar nas expressões do seu rosto controladas pela sua timidez.
ambos pensavam simplesmente em estar juntos.mas sentiam-se tão afastados ao mesmo tempo. entristeciam.
nenhum dos dois percebia que suas mentes pensavam em uníssono.
que as suas almas sentiam o mesmo calor.. .um do outro.
meses, dias, horas.
talvez, simplesmente,ainda não fosse a hora certa.
talvez devesse ser tudo tão mais simples.
mas quem disse que existem coisas simples?
ele odiava a dificuldade.
ela achava graça e um tanto excitante tudo isto.
ele jurava que se declararia da próxima vez.
ela prometia fazer se dificil.
a hora certa chegaria,
paciência.
confiança.
certas coisas não têm motivo ou razão
apenas acontecem.
mas no fim,
bem no fim..
ele não avançou e
ela não disse que“sim”.

Wednesday, April 02, 2008

Sunday, March 30, 2008

porque

eu sonho com o impossível,
eu sou a que sempre espera
a que se alegra com nadas
que o mundo ignora.
Eu
estou inevitavelmente
desamparadamente
confusa ...
por isto
ou por aquilo...
por muitas coisas.
talvez,
porque está calor...
porque choveu hoje.
porque em casa não tenho nada para fazer...
porque na rua não me apetece estar,
e porque isso nem é novidade.
porque eu não canto
porque eu não danço.
sim,
porque as vezes eu penso em cada coisa....
mas nem sempre é fácil arriscar.
na verdade existem
na minha cabeça
porquês infinitos...
ao contrário das respostas.

Thursday, March 27, 2008

portishead @ coliseu de lisboa




«Esteja alerta para a regra dos três, o que você dá retornará para você. Essa lição você tem de aprender. Você só ganha o que você merece»


Gostei muito mas muito mesmo!




Maariah este momento é para ti.(Tu sabes porquê.)

Viva o teatro!

O actor acende a boca.
Depois os cabelos.
Finge as suas caras nas poças interiores.
O actor pôe e tira a cabeça
de búfalo.
De veado.
De rinoceronte.
Põe flores nos cornos.
Ninguém ama tão desalmadamente
como o actor.
O actor acende os pés e as mãos.
Fala devagar.
Parece que se difunde aos bocados.
Bocado estrela.
Bocado janela para fora.
Outro bocado gruta para dentro.
O actor toma as coisas para deitar fogo
ao pequeno talento humano.
O actor estala como sal queimado.
....
Ninguém ama tão publicamente como o actor.
Como o secreto actor.
Em estado de graça.
Em compacto
estado de pureza.
O actor ama em acção de estrela.
Acção de mímica.
O actor é um tenebroso recolhimento
de onde brota a pantomina.
O actor vê aparecer a manhã
sobre a cama.
Vê a cobra entre as pernas.
O actor vê fulminantemente
como é puro.
Ninguém ama o teatro essencial como o actor.
Como a essência do amor do actor.
O teatro geral.
O actor em estado geral de graça.

[Herberto Helder]

Wednesday, March 26, 2008

Lá, onde estás, não ouves.
Lá, onde estás, só podes ler sinais nos meus lábios.


Presta atenção. Mesmo os mortos, continuam a viver.

Nestes textos que te estou a ler,soletrando,deixo cair imagens.
Sim, sim, podem ler-se. Não te vou dizer quais, ou talvez, lá longe, acabe por...


[Um beijo dado mais tarde Maria Gabriela. Llansol]




Sinto me tonta.
Sinto me só.
Sinto me triste.

Sunday, March 23, 2008

ás de copas já saiu e é a minha vez de jogar

ás de espadas é morte

ás ouros é sorte

ás de paus é horror

ás de copas é amor.

o baralho da vida

no jogo

contra ou favor

do encontro,
onde
o nascimento é vida
e
a despedida é dor.

no começo tudo é poesia:

magia,

todas as cartas são brancas!...

Friday, March 21, 2008

delicioso

Qual a cor do céu?
Como se explica que numa noite de estrelas haja quem não queira olhar o céu...?
Talvez porque só possamos tocar nas feridas quando alguém se deixa tocar.
Todos somos imperfeitos, mas aí é que reside o belo, pois são essas imperfeições que nos tornam seres únicos.
Conversas íntimas, entre mulheres, que gozam de uma liberdade neste cabeleireiro que não têm no mundo exterior.Um filme delicioso e com uma banda sonora belissima.




Dia da Poesia! Viva os poetas!

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. -
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito?Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado?
Sem dúvida...
Tenho um presente?
Sem dúvida...
Terei um futuro?
Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...
[Alvaro de Campos]

Thursday, March 20, 2008

o meu cão é que sabe!

Acreditem nisto que vos vou dizer:o meu cão é que sabe!


Eu vivo com um cão. Simão de Mello Breyner de seu nome. O meu melhor amigo é muito protectore ciumento em relação aos rapazes.Acho normal, afinal somos só 2 para o que der e vier.O veterinário também diz que é na cabeça dele tem que me proteger ...Macho protege fémea!Até aqui tudo bem!
Os meus amigos vêm cá a casa, no inicio é muito chato mas depois acaba por saltar, brincar e dormir no colo deles.Adora o Tiago, o Paulo, o Hugo, o Nuno...com alguns deles ficou amigo logo à primeira.(Com as amigas é um doce...digam lá que não é espertalhão??)
No entanto, à pouco tempo conheceu o D. e a situação agravou-se, muito antes da nossa amizade passar a um relacionamento (vou chamar lhe assim...)curto. O Simão detesta-o.Queria morde-lo, não o suportava!O D .disfarçava mas percebi que para além de ter medo não gostava dele.
O Simão esse não ia mesmo à bola com ele...nem quando ele lhe trouxe um osso... olhou o com desprezo!
O D.revelou-se uma desilusão.Rapaz interesseiro e mentiroso.Eu perdi o meu tempo(e paciência) mas o que mais me chateia é não ter percebido os sinais do meu cão.O Simão não gostava dele!Os animais percebem muito bem as pessoas e quando não gostam delas é porque elas não merecem ou não são de confiança!




Aprendi por mim a lição que o meu cão é que sabe !
Afinal tenho um anjo da guarda!

Tuesday, March 18, 2008

sonhar, despertar

noite.noites em que a cabeça permanece desperta. esperando o cessar fogo. depois das três, nunca antes das seis, geralmente quando os galos já cantam. dia. dias cada vez mais pesados. parar para pensar seriamente. nadar no mar, atravessar o rio, cruzar a avenida e procurar outro lugar. escuro.nenhum buraco é suficientemente largo para me esconder por muito pequena que seja.um corpo inteiro. porque quando a barriga doi, as pernas tremem, as mãos suam, os olhos ardem e a garganta consegue abafar os gritos, torna-se impossível dormir. quem dera sonhar, quem dera despertar.

Sunday, March 16, 2008

e lá vem mais uma 2ª feira

Gostava de conseguir estar aqui todos os dias. Não sei o que ando a fazer com o tempo ou o que o tempo anda a fazer comigo, mas não consigo parar todos os dias por alguns minutos que seja e passar aqui um bocadinho comigo e escrever...Pergunto me "o que andas tu a fazer??Respondo, levanto me as 7h, vou para o duche, tomo o pequeno almoço e levo o Simão à rua, chego ao parque de estacionamento junto ao metro às 8h e já não tenho lugar para estacionar o carro, sobra me o passeio, 8.30h estou no escritório, com direito a uma pausa para almoço da 13h às 14h, mais umas horas entre reuniões ou visitas a empresas, tentar sair as 18h para chegar casa às 19h e aindar dar explicações de matemática, segue se o jantar ao mesmo tempo que vejo o noticiário, o passeio do cão Simão e quando dou por mim é meia noite e eu a roncar toda torta no sofá onde me sentei para leu um bocadinho....O que é certo é que estou acordada à dezassete horas e pouco tempo dediquei a mim.Raio de vida!
Conclusão: eu trabalho demais, moro numa cidade que não gozo, leio muitíssimo pouco, não escrevo tanto como gostaria no Velas, vejo muito pouco meus amigos (alguns não vejo desde o Natal...), não descanso como devia e não assisto aos filmes que desejo.

Os fins de semana passam a correr... Como seria bom simplesmente sentar me no banco de jardim e ficar saboreando o não ter "nada" para fazer!
Mas será que ainda sei não fazer "nada"??Às vezes tenho medo que nesta cidade, cada vez mais louca, já esteja acostumada com o facto de que o tempo deixou de existir que quando me deparar com ele fique assustada, por mais que passe os meus dias atrás dele.

Espera me mais uma 2ª feira ...esmagadora!(Desculpem o desabafo.)

Boa semana! (esta mais curta...Yes!)

Wednesday, March 12, 2008

o tom

a suavidade do tempo


ou mesmo do contratempo.


mãos que dedilham,


em busca de sonoridade.


Acordes da vida,


harmonia.


música...


claves muitas,


mas quantas notas se perdem,


ao toque mais suave,


fazendo descobrir e sentir


tons que arrepiam.


Oiço,

sons


sempre em consonância com o tempo...


certo.


compassos, bemóis...
vibratos e sustenidos.


por vezes,
pausas


na dissonância


em que perco o tom.


versos em fios submersos


na ascensão


das notas dadas em tantas noites.


e

na partitura da saudade


o meu alento


é o ritmo que me embala.


busca diária

da
melodia distante


presente nos sonhos,


na musicalidade de novamente


me encontrar no tom!

Monday, March 10, 2008

Queres vir comigo?

Nascemos no mar, mas a dada altura somos lançados num aquário, muitas vezes sem nos darmos conta disso. A minha água vai se misturando aos poucos com a tua e quando percebemos não vemos mais nada.Toda aquele imensidão de água com seus inúmeros caminhos.
Onde todos os peixinhos que nadavam comigo e contigo sem se preocuparem com os tubarões? Ou será que não sabiam que os taburões existiam?? Onde estão os peixinhos que nos ajudavam a escapar da rede, a rede que é sempre lançada pelos que se julgam mais espertos? Seja no mar ou no aquário, a rede vem, presa a uma mão, louca para nos pescar. No mar é mais fácil mas no aquário somos menores para dela fugir.
Se eu ainda fosse um peixinho e me lembrasse como nadar, saltava do aquário e atirava me ao mar!


Queres vir comigo? Todos! Creio que ainda podemos.

Wednesday, March 05, 2008


sou eu.sou eu a que se perdeu.ausente mas sempre aqui.aparentemente presente. não sou eu a que me veem.mas a sombra, o esboço, o rastro.ou talvez apenas um reflexo nas aguas de março. da que fui quando a primavera era ainda uma provavel e longinqua possibilidade.a espera da esperança.passa vagarosamente em rio de ilusões.a minha mente é uma nuvem clara. mar azul.ave rara.voar!voar!bem aqui junto a mim.

Sunday, March 02, 2008

não sei

não sei
eu não sei
onde está o meu princípio
não sei
onde está o meu fim
eu não sei
onde começo a ser eu
em contrapartida
eu sei
que me vejo todos os dias ao espelho
e que este reflete uma imagem desconhecida
mas tão parecida comigo mesma
parece tão fácil
não sei

Friday, February 29, 2008

O mar, o cacto, o sol, os pombos

"...De algumas oiço-lhes a voz. Olá a todos, deixem-se estar aí. Embora finja que não, necessito tanto de companhia. Um estar aí que é já muito. E daqui a nada noite e eu dissolvido nela. Dissolvido nela. Até não me ficar nem uma ideia de quem sou. Cavalheiro sem carta de ligeiros e pesados procura senhora nas mesmas condições, quer dizer sem uma ideia de quem é. Se abrir a torneira ouvirei o ruído do mar? Em pequeno, na cama, as ondas chegavam até mim, uma após outra, misturadas com o vento nos pinheiros e o imenso mistério da vida. Escutava-as na certeza de ser feliz e eterno. Amanhecia e o mar calava-se. Via-o da janela no mesmo sítio, em silêncio, ele que no escuro encostava a cabeça aos caixilhos para me ver dormir e me seguia com aqueles olhos que o mar tem, ao mesmo tempo zangados e cheios de lágrimas e, no corredor da casa, os passos da insónia, tac, tac, tac. .."

"...Agarra-te ao teu fiozinho de esperança, experimenta. Começa a preparar a mão, coisa que contigo leva tempo. Tenta que aquilo que existe em qualquer parte tua caminhe na direcção certa onde as palavras te esperam, adormecidas. Acorda-as devagarinho, não escutes os passos da insónia, tac, tac, tac, no corredor. Tens 10 anos, 20 anos, tens todas as idades ao mesmo tempo, estás cheio de medo mas começa. O mar, o cacto, o sol, os pombos."

[António Lobo Antunes -Agora que já pouco te falta]
BFS

Wednesday, February 27, 2008

ilusão


ser fogo quando quando se quer ser água,
ser gélido quando se quer ser incandescente,
ser nascente quando se quer ser poente
cuidado, muito cuidado
que representar é uma forma de se iludir a vida
e de ilusão, pouco se vive.

Monday, February 25, 2008

O pimento é feliz

O pimento é feliz.

Os pimentos verdes são verdes.
Depois há os pimentos vermelhos que são vermelhos e todos os amarelos que são amarelos mas todos se misturam bem e resultam numa bela salada.
Os pimentos são pimentos. Felizes e pronto! Mais nada! Simples.
Vamos lá à definição:
"Pimento-Capsicum é o genero de plantas, cujos frutos mais conhecidos são as variedades doces: pimentos ou pimentões e as variedades picantes: as pimentas, também chamadas piri-piri ou malaguetas."

O aparência não é a mesma mas será que interessa??!!

Se pararmos e pensarmos... mas pensarmos mesmo a ponto de acreditarmos, que o nosso corpo pode simplesmente parar neste momento. O coração pode falhar, o cérebro parar, os pulmões rebentarem, as pernas e braços imobilizarem-se.
Face a realidade de todos falhamos um dia, será assim tão importante sermos do grupo dos verdes, dos amarelos ou dos vermelhos?Não será o recheio do pimento o mais importante?
A resposta é simples. Basta ser o que se é.

Saturday, February 23, 2008

6 canções

Pois é, o Jotabê desafiou me a revelar 6 das canções que se revelem marcantes na minha vida. Desafio aceite! Difícil… Muito dificil escolher apenas 6!( O esforço que fiz para não colocar aqui 6 musicas dos U2)
Com estas músicas (outras mais, muitas mais) continuo a matar saudades, chorar, pensar, sorrir … Viver!



One - U2




Grito de Alerta - Maria Bethania




Claire de lune - Debussy





Rosa - Rodrigo Leão




Nothing Compares 2 U - Sinead O Connor



I Don't Want To Grow Up - Ramones



Mas como não gosto de cantar sozinha…Vai daí gostava de ouvir estas vozes:

BFS

Wednesday, February 20, 2008

2 anos

Nunca são as coisas mais simples que aparecem

quando as esperamos. O que é mais simples,

como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se

encontra no curso previsível da vida. Porém, se

nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos

nos empurrou para fora do caminho habitual,

então as coisas são outras. Nada do que se espera

transforma o que somos se não for isso:

um desvio no olhar; ou a mão que se demora

no teu ombro, forçando uma aproximação

dos lábios.
[Nuno Judice]

as velas ardem sempre até ao fim fazem 2 anos!

Parabéns a Vocês que aqui passam e me mantêm a arder ,

porque Amizade é a distância, o intervalo entre nós e o seu centro. Ficamos longe como um planeta que roda à volta do sol...na amizade a orbita é menor que a força. Estamos em órbita para seguir o ritmo, não para ditá-lo. No momento em que sentimos que somos amigos, o melhor é caminharmos lado a lado... para não perturbar a órbita.

Sunday, February 17, 2008

...

vou lavar
o meu sangue.
trocar de genes
limpar a derme
descontaminar a alma.
para tentar viver
sem desabar,
prosseguir sem me repetir,
caminhar em frente
sem voltar atrás.
renascer.
esquecer de me lembrar.
partir
e só
levar de mim
o que escolher.

Friday, February 15, 2008

o espanador


violência.a violência tem cúmplices.os que se fazem surdos.os que nunca se manifestam.aqueles que podem e nada fazem.ou os que matam por coisa nenhuma. os que negam liberdade.aqueles que sofrem desamparadamente por não terem apoio.violência.a violência tem cúmplices. os que se fazem mudos.os que se congratulam com a infelicidade dos outros. aqueles que preferem a inconsciência colectiva.mas a culpa essa é tua e minha.que deixamos cair a emoção e autenticidade.que ao bem querer da canção permitimos que ganhassem os discursos como balas perdidas. já não se canta o amor.já não cobramos a ninguém os nossos direitos.já deixamos que a canalhice se tornasse legal.mas a culpa essa é tua e minha.demos cobertura a uma politica desleal e desigual em que o pó se acumulou. eles e seus narizes cheios de pó.não sentem nada.não querem sentir.não sabem de nada.não querem saber.não tem espanador para varrer o pó.e não querem ter.

Wednesday, February 13, 2008

Talvez seja tempo de parar de guardar recordações e deixar cair as que levo nos bolsos.

Sunday, February 10, 2008

uma gota de água

sou
uma gota de água,
um sopro de vento,
uma sensação,
um tormento.
sou
uma gota de água,
um lamento,
uma onda.
sou
uma gota de água,
uma pequenina parte,
mas juntando as partes posso navegar
e ver que é de gota em gota que se enche o mar.
sou
uma gota de água ,
com cor e forma,
tão simples.
sou
uma gota de água ,
que cai no chão
trazendo nela o universo
emoção e razão
o sim e o não,
o verso e o reverso.
sou
uma gota de água
a delicada fragilidade do ser,
a força de persistir
no olhar de quem me quiser ver.
sou
uma simples gota de água,
que ao mundo grita:
sou lágrima, rio e todo o mar!
continuo a ser apenas e só...
uma gota de água.

Friday, February 08, 2008

apetecia ter saudades..a perfeita confusão da minha cabeça

Sem perceber tomei uma decisao: partilhar a minha vida com alguém que tinha que procurar ou encontrar,ou ficar comigo e o meu espaço, optei pela 2ª inconscientemente.Não sei se foi a melhor opção, se calhar nunca vou saber...Se me arrepender ninguém é culpado.Tambem sei que não se vive sem amor, a começar pelo próprio, coisa que não tenho muito e preciso de aprender a ter, se ainda tiver tempo... Mas tenho saudades de ter saudades...Se tivesse saudades de alguem era porque alguem estava presente na minha vida e eu não me sentiria tão só.Mas sou tão complicada!Tenho dias de extrema ansiedade, gosto de tudo no lugar porque tenho lugar para tudo, não gosto que me façam perguntas..................
Já sei que todos os portugueses tem saudades...que é uma palavra apenas portuguesa, tralalalalalal....Recordo me das coisas boas e das más que já vivi mas não se vive do passado e também não gosto muito de pensar no futuro.Tenho medo.Tento viver só o presente.Apetecia me ter saudades ...de qualquer coisa, de alguem, de ...Alguem que goste de mim, que não tenha medo de sentir e de mostrar o que sente, que me dê atenção, que não se esqueça de me dar um beijo de boa noite...Tudo o que já tive e perdi ! A vida é um caminho que se segue em frente mas sempre tive dificuldade em fazer aquilo que para os outros é o mais fácil.Apetecia ter saudades... mas não vou dar um tiro neste sentimento tão portugues!Vou procura lo e tentar matar saudades.
Talvez o que precise é de''Beber o mundo como um mata borrão..."[Antonio Lobo Antunes] porque isto de estar vivo não acaba bem!!!




Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser

Há-de ser luz do Sol em tardes quentes;

Nos olhos de água clara há-de trazer

As fúlgidas pupilas dos videntes

Há-de ser seiva no botão repleto,

Voz no murmúrio do pequeno insecto,

Vento que enfurna as velas sobre os mastros!...

Há-de ser Outro e Outro num momento!

Força viva, brutal, em movimento,

Astro arrastando catadupas de astros!

Florbela Espanca

Wednesday, February 06, 2008

para ouvir e sentir

não posso deixar que te leve
o castigo da ausência,
vou ficar a esperar e vais ver-me lutar
para que esse mar não nos vença.
não posso pensar que esta noite
adormeço sozinho,
vou ficar a escrever,
e talvez vá vencer
o teu longo caminho.
quero que saibas
que sem ti não há lua,
nem as árvores crescem,
ou as mãos amanhecem
entre as sombras da rua.
leva os meus braços,
esconde-te em mim,
que a dor do silêncio
contigo eu venço
num beijo assim.
leva os meus braços,
esconde-te em mim,
que a dor do silêncio
contigo eu venço
num beijo assim
não posso deixar de sentir-te
na memória das mãos,
vou ficar a despir-te,
e talvez ouça rir-te
nas paredes, no chão.

não posso mentir que as lágrimas

são saudades do beijo,

vou ficar mais despido

que um corpo vencido,

perdido em desejo.

quero que saibas

que sem ti não há lua,

nem as árvores crescem,

entre as sombras da rua.

leva os meus braços,

esconde-te em mim,

que a dor do silêncio

contigo eu venço

num beijo assim.

leva os meus braços,

esconde-te em mim,

que a dor do silêncio

contigo eu venço

num beijo assim.

leva os meus braços,

esconde-te em mim...



Sunday, February 03, 2008

pff vento!

"E aqui anda a noite à roda, à roda e eu com ela como um papelinho com que o vento brinca, apanha-me, larga-me, empurra-me, corre, mais adiante, a prender-me nos dentes, esquece-se de mim, torna a lembrar-se, poisa-me uma pata em cima, vai-se embora. O vento."[António Lobo Antunes]
deixo a porta entreaberta.não sei se a abro, ou se a fecho depressa,para não desistir de mim.não sei do meu tempo.não quero perguntar por ele.abro?e se ao abri-la novamente e totalmente, volto a perceber que o que vejo são diferenças.algo que nunca bate certo.falho.fecho? e se na atitude de fechar, acabo em desencanto. dói.viro as costas, quem sabe se o vento não se encarrega de resolver por mim,assim pelo menos uma vez, deixo as preocupações para tras.
não quero saber.mais nada.nem vontades.suspeitas de verdades. omissões.mentiras.quero um mundo só meu.sem direcçao, em que me atiro para qualquer lado.sei que caiu sempre.e nem sempre de pe.desencanto.indiferença.por uma vez. pff vento, só uma vez!deixa me viver em linhas curvas, desenhadas por mim, numa folha de papel.se me perder, rasgo me.até quando eu puder.até querer.deixas???

Friday, February 01, 2008

deve ser por isso que não bebo água...

Um koala estava sentado numa árvore, fumando um charro...
Uma lagartixa que passava, olhou para cima e disse:
-Olá Koala...Está tudo bem? O que estás a fazer?
O koala disse:
- Curtindo uma ganza. Sobe, pá...
A lagartixa subiu à arvore e sentou-se ao lado do koala, curtindo alguns charros. Após algum tempo, a lagartixa disse:
- Porra, Koala, tenho a boca seca, vou beber água ao rio....
A lagartixa, desorientada com o fumo, inclinou-se muito e caiu directamente no rio.
Um jacaré, quando a viu cair, nadou até ela, ajudando-a a subir para a margem e perguntou:
- Então, lagartixa? O que aconteceu?
A lagartixa explicou que estava curtindo umas ganzas com o koala numa árvore, ficou azambuada e caiu no rio.
O jacaré disse que ia verificar esta historia e, entrando na floresta, encontrou o koala sentado num galho, todo ganzado.
O jacaré olhou para cima e disse:
- Ei! Tu aí em cima!

O koala olhou para baixo e disse:
- 'DÂSSSS, Lagartixa. Quanta água é que tu bebeste?!!



Bom fim de semana!