Sunday, January 25, 2009

2(desafios) e só um(post)!

Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
[Fernando Pessoa]

O que é a Felicidade!? Com esta é que tu agora me lixaste Dias! Acredita que se a pergunta não fosse feita por ti não respondia…(Os meus últimos dias tem sido muito mas muito pouco felizes).

É o que todos queremos, não é???
Não tenho uma resposta concreta a esta pergunta.
Se calhar o que me faz feliz é saber que a felicidade e a infelicidade são estados de espírito que, embora influenciados pelo que me acontece, reflectem o que o de mais profundo consigo ser. O que me faz feliz, mesmo quando estou infeliz, é saber que amanhã é outro dia. E nesses dias que se seguem espero ter paz, que não me chateiem, que o Sol apareça e que os gestos sejam simples mas calorosos.(Mesmo que depois nada aconteça assim...)
E utilizando a tua frase: Não renunciei, apenas me rendi. O dinheiro assenta a felicidade! e eu não tenho dinheiro.


mergulha nos sonhos
ou um lema pode ser teu aluimento
(as árvores são as suas raízes
e o vento é o vento)
confia no teu coração
se os mares se incendeiam
(e vive pelo amor
embora as estrelas para trás andem)
honra o passado
mas acolhe o futuro
(e esgota no bailado
deste casamento a tua morte)
não te importes com o mundo
com quem faz a paz e a guerra
(pois deus gosta de raparigas
e do amanhã e da terra)
[E. E. Cummings-Mergulha nos Sonhos]
A Lita passou-me um desafio que tem a ver com sonhos.Confesso que raramente sonho, porque sempre que o fiz a taxa de sucesso foi sempre muito reduzida e por isso prefiro não fazê-lo, mas como nunca digo que não a quem aqui me faz companhia.
Aqui vai uma lista de 8 coisas que gostava de conseguir em 2009:
- Ser menos ansiosa. Tornar me diariamente paciente.(Sinto que tanta ansiedade me está a matar…);
-Ter mais tempo para fazer o que gosto. Pintura, escultura e fotografia. Exposições, museus, ler e ver cinema;
-Conhecer alguém de quem eu goste e que também goste de mim. (Estou farta de gostar de quem não gosta de mim);
- Pensar menos na vida;
- Organizar melhor as minhas tarefas (especialmente os relatórios das reuniões que tenho com empresas …);
-Continuar a partilhar a vida com a minha família e com o meu Simão;
-De ter tempo e dinheiro para voltar a inscrever me na natação;
-Rir mais e chorar menos
.

Convido quem me visita se quiser a fazer estes desafios…
Ah!Sonhem e sejam felizes!

Friday, January 23, 2009

medo..ou talvez não..vontade...ou talvez não...

se calhar não tem nada a ver......mas desde pequena sempre me perdi nos detalhes...em todos.nunca consegui ver primeiro o todo. ouvi sempre primeiro o tom de voz, a forma como as coisas se dizem, vi os detalhes de como se colocam as mãos, a posição das pernas... parece que os pormenores me completavam.cada detalhe que descubro..me sinto bem menor do que Tudo.com as mãos,descubro linhas no meu rosto que desconhecia.como curvas que se levam nas pontas dos dedos mas que têm cheiro.o meu.esboço um sorriso frouxo.guardo sempre o olhar nas pequenas coisas...assim como fizeram comigo.
sinto me cansada, envergonhada e sem vontade de nada.não me apetece ver tv, estar na cama, ler ou até mesmo chorar.eu que sou uma chorona...

gostava de ser forte mas sou chacota da facilidade com que me magoam e presa fácil da solidão da noite.o amor em mim passou depressa, tão depressa que não me deu tempo para aprender a gostar de elogios...é mais facil ter uma resposta pronta e má, por vezes, do que um abraço.pensar que não aguento mais e querer desistir, imaginar que não existo, invisivel sem valor pode ser o primeiro passo a dar.não se vive com medo...ideias fixas,independemente de quais são, podem destruir ou mudar a minha vida.o modo como vejo as coisas e como me vejo.às vezes um resto de vento derruba me um dia inteiro.o sim, o tom da verdade, pode levar as horas a recuarem, e aí vejo com clareza o que está por trás de todo o mal .é ouvir o que não quero mas fazer o que tem de ser feito.a isso se chama vontade...coisa que não sei se tenho.claro que o tempo passa e a saudade que ainda maltrata, vai transformar se e dar me força.os segundos têm de ser gastos até a última gota.falta me tempo. quero ter vontade para ter desejo de aproveitar os dias sem perder nada.pode ser que o medo não apareça...

Wednesday, January 21, 2009

Simplesmente porque Adoro o Pedro Paixão!

Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que o digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que tenho de voltar a tomar os comprimidos e marcar uma consulta com a minha médica. Mas não vou fazer nada disso. Eu minto-lhe e ela mente-me, dizendo que me vai livrar de todos os meus desordenados pensamentos. Por isso nunca lhe digo que deixei de tomar os comprimidos. Se eles me impedem de pensar, prefiro a minha doença.Fui de férias. Viajei para longe para me esquecer de mim. Não deu resultado. Para onde quer que vá a minha cabeça é a mesma. Não consigo tirar férias de mim. Talvez fosse melhor ser uma pessoa normal, com rotinas, família e coisas dessas. O meu azar é ter fé em coisas utópicas, coisas que não existem. Em nada me sinto segura, ninguém me pode convencer, só eu me posso convencer a mim própria. Há muito que me convenci que não tenho cura e os dias passam sem piedade.Vim de férias.[Os corações também se gastam]

Todas as feridas serão material de poemas. Portanto não devem ser evitadas. De preferência mantê-las abertas, até por fim sararem. De outro modo não deixarão outra cicatriz que não seja umas linhas, uma página, no máximo.[Muito, meu amor]
textos de Pedro Paixão
mas que são muito meus

Sunday, January 18, 2009

fecho os olhos e sinto


depois do frio, a chuva.chove muito lá fora.

eu estou sentada.sentada numa cadeira.penso.nos últimos dias. lembro cenas.tentativa de reviver tudo ao que sempre me deu prazer. as células do corpo em ebulição. eu sinto.sinto as células a moverem se.ao centímetro.uma sensação inexplicável, que só eu posso sentir porque aprendi a fazê lo com a maior intensidade possível.

fecho os olhos e sinto...

os meus pensamentos são só meus neste momento.uma espécie de felicidade, um momento radiante, sem receios. dúvidas comuns, verdades adivinhadas, que muitas vezes não entendo mas que neste momento não interessam porque sei tudo. tudo, tudo e tudo.

dentro dos meus olhos está o que eu preciso .. até a minha saída.

as perguntas essas giram sempre à minha volta.

fecho os olhos e imagino, penso no sentimento que está cá dentro. escuto uma melodia.não, não é romantica mas sim forte e traz a vontade de tomar uma atitude.sei lá...arrebatar uma surpresa.

surpresa intensa e íntima. uma intensidade animal, em que se sente a pele molhada de suor.uma intimidade que dá para rir no meio de tudo.um abraço.

fecho os olhos e só consigo pensar que estou apenas comigo. fecho os olhos para pensar em mim.

boa noite, durmo comigo.

Thursday, January 15, 2009

tudo tem o seu tempo e o dia 15 .01.06 foi o MeU


Arrumo a minha casa.
Prego um quadro
na parede amarela.
Olho de perto, de longe
analiso todos os detalhes
com perfeccionismo.
Na parede vazia,
os traços sem nexo limitados
pela moldura da razão
vem correndo o coração
ser o fiel da balança.
Preocupo me com o efeito...
E, se não me agradar a mim,
o que fazer?
Só quero que esta tela
que minha vida revela
não pareça uma natureza-morta!
Quero que o perfume
se desprenda
e sentir o seu cheiro .
Percebo então,
que arrumo minha casa
para agradar aos meus olhos...
não aqueles que me visitam
aqueles que passarão aqui
por um instante
carregando outras paisagens na mente.
E, quando partirem,
deixarão tudo para trás...
sem saber os meus cuidadosos gestos
para mostrar um pouco de minha alma.

3 anos!
faz 3 anos que vivo sozinha com o meu cão Simão.
os dias não são todos fáceis- mas também não são os daqueles que partilham a vida com alguém- e pelo menos nunca me sinto sozinha estando acompanhada.parece que tenho tempo para tudo. outras vezes nada.
Cresci... soltei amarras...aprendi muito mas também fiz muitas asneiras as quais aqui nesta vida se pagam.tenho vivido, sim. sem planos. com algumas culpas ( faz parte de mim...talvez um dia me livre delas!), mas tento não pensar muito (coisa muito dificil para mim sabe quem me conhece). se eu pensasse ainda mais, não fazia metade das coisas que tenho feito. e também deixaria de aprender milhares de coisas. mas se calhar tinha errado também muito menos. hoje conheço vários dos universos que existem em mim e que eu nunca tinha visitado...trago um universo dentro de meu coração. um universo com galáxias, planetas, estrelas, infinito em possibilidades e repleto de cantinhos desconhecidos... a cada dia posso encontrar um novo mundo em mim mesma.e a esperança não vou perder...
agora não me iludo, nem tento iludir, por vezes é estranho não ouvir outra voz em minha casa para além da minha, outros dias jantar apenas com a companhia do telejornal da SIC não é o que mais me apetecia, mas também pode ser agradável ter todo o tempo do mundo para ler, ouvir música ou ver na televisão só o que quero. os meus dias têm dias...tais como os de toda a gente.uns muito bons, outros nim e outros muito maus.
estou a gostar da experiência mas também gostei dos 32 anos que vivi com os meus pais e com o meu irmão.

Sunday, January 11, 2009

a vida, aos poucos, reinventa-se...

a vida, aos poucos, reinventa-se...
justiça.injustiça.dizem
que existem deuses.que às vezes parece que
adormecem.especialmente
quando
desejo muito alguma coisa.tempo do avesso.porquê
que os meus

olhos negam o
que gostaria de mostrar ao mundo, de contar a minha
história, de repartir o
tudo que há para ver. memória e
continuidade,
silêncios e
disfarces. a loucura dos que nada
têm,
dos loucos, dos
insensatos...queria semear eternidades entre os
que amo
para nunca
mais
sentir esta saudade
infinita.saudade que é
capaz de
semear tempestades, erguer
templos, esvaziar a alma.
era
bom.sim era
sim que os deuses
fossem
sábios.eu vou acreditar para que
não permita que
meu mundo

seja apenas
do meu tamanho.
a vida, aos
poucos,
reinventa-se...
hiatos de
recriar e de esperança cada vez mais
raros, a perda
que se faz
inevitável, tudo tão escasso, seco,
contido
nas dores que se
começam
a
estender como se fossem
peças de roupa
no varal.distância
para renúnciar a tudo o que
foi mesmo
antes de ter sido.a
liberdade, a minha e a dos
outros.a história do
mundo
incompleta, as
folhas desfeitas
pelo pisar dos pés, o vento
como música de todos os dias,
o amor
serôdio de uma vida inteira,
perdida nos labirintos de outras
histórias.faltam. eu preciso ainda de aprender a
fazer a
boca soltar
coisas
infindas, lidas, no
silêncio, de uma
voz em carne viva
a vida,
aos poucos,
reinventa-se...
eu quero o afago
de quem me lê.

Thursday, January 08, 2009

ainda se dançam slows?

quem não se lembra deste tipo de música com um ritmo, ou sem ele, ingénuo e vagaroso mas que abre um sorriso no rosto de quem ouve e faz soltar a memória para instantes mágicos.o slow.ou também chamada música para constituir família.uma melodia circular que fazia corar, crescer no estômago um nervoso miudinho, ou seja, momentos de vida intensos.
o slow era pegar ou largar!um ritual meio ridículo que dava a oportunidade de agarrar quem se queria, nem que fosse apenas só por um momento.afinal, nada é eterno....pois é mas o slow está fora de moda.e eu ou estou nostálgica ou completamente doida!
os preconceitos foram sendo abandonados, felizmente, dançar agarradinho ficou fora de moda, infelizmente, e afinal os corpos ainda de atraem mas já não guardam segredos.hoje em dia dançar agarrado diz se ser coisa de velhos.os corpos querem se soltos.
não posso deixar de pensar que um par é sempre um par e se os unir um abraço..melhor ainda!pode ser pirosa a intensidade física com que se dançava um slow mas não será um problema de expressão cada vez maior o facto de nos tocarmos menos?
o slow ''existia'' quando eu era adolescente. e como todos os adolescentes, creio que hoje em dia se passa o mesmo, eu sofria de crises existênciais, o minha casa era o quarto porque estava sozinha no mundo, ninguém gostava de mim como eu queria mas eram também as minhas alterações hormonais vertiginosas, a vontade de libertar energia e a necessidade de encontrar um parceiro para partilhar as mesmas historias e ter consolo.o slow era a banda sonora de um namoro.
afinal o ano mudou e o mundo também, mas os desejos se calhar são sempre os mesmos, ter alguém completamente avassalador e cúmplice de coisas maravilhosas.e com satisfação ao ouvir determinada música lembrar que foi com aquele som que se começou a gostar.
mas se evoluímos assim tanto no tempo, pergunto eu:

porquê que hoje as pessoas dançam muito menos?
porquê que não se soltam?
e será que ainda se dançam slows?(não te esqueças de clicar para ouvires a musica)


E é tão difícil dizer amor,

É bem melhor dizê-lo a cantar.

Por isso esta noite, fiz esta canção,

Para resolver o meu problema de expressão,

Pra ficar mais perto, bem mais de perto.

Ficar mais perto, bem mais de perto.

[Problema De Expressão-Clã]

Tuesday, January 06, 2009

Saturday, January 03, 2009

ready to go?


procuro outro caminho

apaixonadamente lucido

disponivel para desordenar.

conquisto espaço

protego o conhecimento

e transformo a dimensão


com


lirica unica

guardo o que vale a pena

ignoro barreiras

abraço culturas.


em


estado liquido

acredito em milagres

como um desenho a 3 dimensões

real=virtual.

mudo os sentidos

novas ideias.

aqui pratico o olhar sonhador!


Thursday, January 01, 2009


2009

entrou sem pedir licença

e não há outra forma de o encarar

que não seja de frente!

o amanhã acontece sempre.

e,

quer queiramos quer não,

será melhor do que o ontem,

porque nos torna mais fortes.

depois e muito importante,

existe o hoje,

o aqui e agora que é preciso não deixar de viver.

quanto mais não seja porque

é uma estupidez morrer de véspera!

Tuesday, December 30, 2008

Feliz Ano Novo!



No dia em que a solidão é anunciada como a maior doença do século.
Eu não consigo ficar indiferente..sinto me SÓ e não falo de notas musicais mas de abraços....
Afinal não nos sentiremos todos um pouco sós?!






Desculpem mas não quero brindar ao Novo Ano...





quero dar vos as mãos ...






... ver as estrelas ...




e esperar por 2009! Estamos quase lá...


Feliz Ano Novo!

Monday, December 29, 2008

E viva 2009!_Adolfo Luxuria Canibal(Mão Morta)


Chegamos a esta altura tão enfastiados de festas, de familiares, longinquos que se encontram uma vez por ano, de gastos estupidos e superfluos só porque fica mal não dar presentes, de noite mal dormidas por excesso de doces no estomago, que acabamos invariavelmente por enfiar neste fastio o ano que finda.E enchemo nos de uma esperança infantil de que o proximo vai ser melhor, de que o Mundo vai mudar, de que nós vamos mudar, só porque o calendário altera um algarismo...E obrigamo nos a divertir nos para comemorar essa quimera e fingirmos acreditar que nos divertimos e entramos no novo ano ainda mais enfastiados e ressacados do que estavamos no anterior, já esquecidos dos desejos que acompanham as uvas-passas que simbolizam a esperança de mudança.
Isto se formularmos realmente esses desejos- eu, por exemplo, nunca consegui pensar em mais do que um, que repetia 12 vezes, e era directamente influenciado pela presença feminina que se encontrava no mesmo espaço.É verdade que algumas vezes o desejo formulado se concretizava mas era logo na própria noite, e não creio que as uvas-passas tivessem nisso qualquer influencia, mesmo simbólica.
Senão, porque que se concretizava sempre?Tanto mais que ficavam 365 dias para isso acontecer...Mas, apesar de na vespera o ter repetido 12 vezes, no dia seguinte o desejo era outro:que me dessem um "guronsan", que me deixassem dormir, sobretudo, que não me dissessem que tinha o novo ano todo pela frente!E que me contassem como me havia divertido, como tinha sido divertido, e como para o ano nos iriamos divertir de novo- mas dessa vez eu vou lembrar me, juro, prometo!
Mas este foi desejo ainda não concretizado:ou não me lembro, ou se me lembro, não me diverti!
Mas há esperança, vem aí 2009!

Friday, December 26, 2008

Quero apaixonar-me!

Que estranho destino é o meu que apenas me consente paixões ardentes e me faz esgotar em amores improváveis.

[Aos olhos de deus/José Manuel Saraiva]



dois corpos esmagados.contra a parede.neste momento só existe o número 2.as bocas seladas no beijo.os corpos que não se separaram porque não querem.
saudades do tempo em que estou apaixonada. dos olhos a brilhar por alguém. de os fechar e de mesmo sem ter esse alguém ao lado senti lo. recordar momentos passados há 5 minutos atrás. de achar que a vida é linda porque gosto.


casar nunca fez nem faz parte dos meus pensamentos...viver com alguém não é um projecto...talvez inconscientemente tenha vontade de viver um sonho,já que a maioria dos meus relacionamentos foi longe disso. mas qual..não sei...

ou pode ser só a vontade de uma menina normal, de estar com alguém especial, de me sentir importante...Quero apaixonar-me!

Monday, December 22, 2008

é Natal!

o açúcar dos sorrisos mistura-se
com o sal das lágrimas!

é Natal!

é natal mais uma vez. mas este período para mim é melancólico ou menos feliz, um pouco vazio, talvez por ficar perplexa por ver tanta gente a tentar comprar alegrias. o tempo esse é inflexível, tanto dá tristezas como felicidades. mas, é natal e a data é divina. desejo vos um feliz dia de Natal divinamente comum.

Friday, December 19, 2008

O Natal e as famílias_Isabel Leal

O Natal acaba por ser um tempo de confrontação. Confrontação com a falta de família, com os conflitos de família, com os assuntos pendentes na família, com os limites da família...
Com a aproximação do Natal aumenta o bulício das ruas e as preocupações das gentes.
Independentemente de tudo o que o Natal já foi, e ainda é para grupos restritos de pessoas, temos que, hoje em dia, o Natal é, de facto, a festa da família. Uma festa em que é suposto a família reunir-se, comer guloseimas e trocar prendas.
A primeira e grande questão é mesmo a que resulta do facto das famílias que temos se afastarem bastante das famílias idealizadas que o marketing todo-poderoso não se cansa de promover. Como a distância entre as famílias reais e essas outras que vamos interiorizando que deviam ser é enorme, o Natal acaba por ser um tempo de confrontação. Confrontação com a falta de família, com os conflitos de família, com os assuntos pendentes na família, com os limites da família e também com famílias de que não gostamos ou que não gostam de nós.
Vivemos num tempo de famílias muito pequenas. São muitos os filhos únicos e as famílias à beira da extinção pela não reprodução. São poucas as crianças em fase de fazer do Natal o tempo mágico que se gostaria que fosse. São mais os idosos que os jovens e são muitas as separações e divórcios em todas as gerações.
O simples facto de um casal jovem de filhos únicos, por exemplo, ter que rodar por casa dos respectivos pais, já implica que cada família de origem fique com a sensação de que tem um Natal coarctado. Se este mesmo casal jovem tiver um dos pais em segundas núpcias, a complicação agudiza-se, porque fica logo com dois dias para estar com três famílias. Se, por acaso, um deles tiver um filho de uma anterior relação, o drama instala-se, porque a separação das pessoas mais significativas é incontornável.
Acresce a esta realidade complexa a obrigação de trocar prendas. E as prendas são, como se sabe, uma demonstração, não só do próprio estatuto, mas da importância que se concede aos outros, do cuidado que se colocou na escolha, da atenção que se prestou ao gosto ou às necessidades de quem vai receber.
Por tudo isto, o tempo de Natal é um tempo de teste às famílias. A que normalmente se sobrevive sem grandes recordações nem decepções.

Wednesday, December 17, 2008

prenda minha


Je suis d'un autre pays que le votre, d'un autre quartier, d'une autre solitude.

Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse.

Je ne suis plus de chez vous, j'attends des mutants.

Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie: je pisse, j'éjacule, je pleure. Il est de toute première instance que nous faconnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés.

Je suis pret à vous procurer les moules.

Mais, la solitude.

Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis.

Ils ont été coulés demain matin.

Si vous n'avez pas dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée,

il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour.

Et la solitude.

Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues,

soient aussi imperturbables que les feux d'arret ou de voie libre.

Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez etre votre conscience

et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau.

Et pourtant la solitude.

Le désespoir est une forme supérieure de la critique.

Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur",

les mots que vous employez n'étant plus "les mots" mais une sorte de conduit à travers lequels,

les analphabètes se font bonne conscience.

Mais la solitude.

Le Code civil nous en parlerons plus tard.

Pour le moment,

je voudrais codifier l'incodifiable.

Je voudrais mesurer vos danaides démocraties.

Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit,

le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité.

La lucidité se tient dans mon froc...






La Solitude Léo Ferré
[Sou de um outro país que não o vosso, de outro quarteirão, de outra solidão. Invento-me hoje em atalhos. Já não faço parte da vossa casa, estou à espera de mutantes. Biologicamente, acomodo-me com a ideia que faço da biologia: mijo, ejaculo, choro. É fundamental que moldemos as nossas ideias como se tratasse de objectos manufacturados. Estou pronto para vos arranjar os moldes.
Mas a solidão...
Os moldes são de uma textura nova, aviso-vos. Foram fundidos amanhã de manhã. Se não tiverem desde esse dia o sentimento relativo da vossa duração, é inútil olhar à vossa frente porque de frente é por trás, a noite é o dia.
E a solidão
É fundamental que as lavandarias automáticas, à esquina das ruas, permaneçam tão imperturbáveis como os sinais vermelhos ou verdes. Os ''policias'' do detergente indicar-vos-ão o compartimento onde vos será permitido lavar o que creis ser a vossa consciência e que não passa de uma dependência do computador neurófilo que vos serve de cérebro.
E, apesar disso a solidão...
O desespero é uma forma superior da crítica. De momento, chamá-la-emos de “felicidade”, as palavras que utilizam já não são “as palavras”, mas uma espécie de canal através do qual, os analfabetos se mantêm de consciência tranquila.
Mas...a solidão...
Do Código civil falaremos mais tarde. De momento, queria codificar o incodificável. Queria medir as vossas democracias impossíveis. Queria inserir-me no vazio absoluto e tornar-me o não dito, o não acontecido, o não virgem por falta de lucidez. A lucidez agarra-se às minhas calças …]
Dsc esta minha a tradução que pode não ser a melhor...

Saturday, December 13, 2008

eu sou uma menina

eu sou uma menina.a menina que chora mas também ri.que está em pedaços ou inteira.a menina que cai e como uma mola se levanta.que não consegue. mais vai e tenta outra vez.
eu sou uma menina.a menina que acorda todos os dias. sonha com a realidade. voa.a menina que faz tudo estranho. e igual.renasce e recria no silêncio. compreender me para quê? o sangue escorre. o amor também. escrevo.leio.canso me.trabalho.penso de mais. quero de menos.mas o quê? nada de mais. tudo de menos. gostava de ser uma grande menina pequena. para isso precisava de gostar mais de mim. ter olhos brilhantes. riso descontrolado. chorar para limpar a alma.
irra! preciso de aprender a dizer: "Eu quero mais".

eu sou uma menina.que gostava de ser uma grande menina pequena. para isso vou lutar por ter um história para contar. uma tela a pintar. um coração a bater. um sorriso para dar. uma lágrima que cai. um estranho a conhecer. amigos que revê. uma familia que ama.mas a menina pequena para ser grande precisa também de ter um buraco para se esconder. agora eu tenho o depois de amanhã. o hoje já se foi. o meu tempo já teve vez. eu tenho uma vida para viver..."Eu quero mais".

Sunday, December 07, 2008

afectos


Não se pode viver sem pensar e não se pode pensar sem palavras. Mas as palavras, quando despojadas da vida são a hemorragia, o esvaziamento da alma. A hemorragia das palavras, está a perder a nossa civilização. Os homens e as sociedades estão a esvaziar-se. Vivemos uma existência anêmica porque abusamos das palavras. Os discursos não param. Perdemos a nossa vida em discussões, e em confissões públicas, e em debates, em processos. [...]vamos passar a história com a idade dos processos. Estamos a ser sangrados pelas palavras.

Os nós e os laços
António Alçada Baptista(1927-2008)

Thursday, December 04, 2008

2 sugestões

Que será isto, pensou, e de súbito sentiu medo, como se ele próprio fosse cegar no instante seguinte e já o soubesse. Susteve a respiração e esperou. Nada sucedeu. Sucedeu um minuto depois, quando juntava os livros para os arrumar na estante. Primeiro percebeu que tinha deixado de ver as mãos, depois soube que estava cego.
Ensaio sobre a Cegueira [José Saramago]




Li o livro e vi o filme. Gostei do segundo e adorei o primeiro.
O Ensaio sobre a Cegueira talvez seja o livro que li mais triste, inquietante, cruel mas também feliz. É simplesmente uma obra que voltarei a ler pela minha vida fora porque nunca deixará de ser actual. Infelizmente é um prenúncio do futuro...
O que é a cegueira? De causas médicas não sei mas também não é disso que o livro trata mas sim da interpretação da sua origem..O mundo atravessa uma crise financeira gravissima, a humanidade cega a tudo o resto e vê apenas o valor da sua vida diminuir. Sente se no mundo de hoje o cheiro fétido que nos toca ao longo do livro e que o filme tão bem retrata.
Quantos de nós já estão cegos desta cegueira branca e quantos sobreviverão à epidemia. A que distância estamos do dia em que alguém gritará “Eu vejo” e se alguém será poupado à cegueira geral para ser o olhar que precisamos para viver..
Este livro já me passou pelas mãos e os meus olhos já o beberam…Espero que passe pelas vossas em breve. Acaso não ceguem antes....para o amor ao próximo.







O tema é a própria Arte, ou a Representação da vida pela Arte. Como nas Seis Personagens à Procura de Autor trata-se de Teatro dentro do Teatro e também da relação do teatro com o público. É uma estranha companhia de teatro quem chega à mansão onde vive refugiado o mágico Cotrone com os seus “azarentos” e todos estão sob a ameaça desses ocultos gigantes da montanha. Uma obra chave da dramaturgia do autor e um fascinante ponto de partida para muita reflexão sobre as artes do espectáculo. Disse Pirandello sobre o seu texto que era “a tragédia da Poesia neste brutal mundo moderno”.

"Como podemos nos entender (...), se nas palavras que digo coloco o sentido e o valor das coisas como se encontram dentro de mim; enquanto quem as escuta inevitavelmente as assume com o sentido e o valor que têm para si, do mundo que tem dentro de si?"
[Luigi Pirandello]
Não será a vida uma infinidade de absurdos que nem sequer precisam de parecer verosímeis porque são verdadeiros??

Monday, December 01, 2008

à procura do Sol


a cidade

toda cinza
encapuzada de chuva.

ai que saudade do sol...

paro

tiro o capuz!

são os passos frios da cidade.

tudo chega,

tudo parte,
e sobra
apenas a sombra
do ontem.

chuvoso.
cinzento.

o que fazer??
a mim
apetece me

uma longa espreguiçadeira
e olhar
com saudades
o sol.

acredito

que se nascesse outra vez

seria gaivota.

porque gosta de azul

e sabe voar.

viaja sem por os pés no chão.
e

é Sol...

até quando chove!

Monday, November 24, 2008

Aqui está um desafio que a Gémea me lançou e ao qual não fui capaz de resistir.


Regras:
I. colocar uma foto individual nossa;
II. escolher uma banda/artista;
III. responder às questões somente com títulos de canções da banda/artista escolhido;
IV. escolher 4 pessoas que respondam ao desafio, sem esquecer de avisá-los.




I. Foto:

II. A banda escolhida (minha favorita):U2

III. As respostas:

3.1. És homem ou mulher?Miss Sarajevo

3.2. Descreve-te:Even Better Than The Real Thing

3.3. O que as pessoas acham de ti?If God Will Send His Angels

3.4. Como descreves o teu último relacionamento:Xanax And Wine

3.5. Descreve o estado actual da tua relação com a tua namorada ou pretendente:I Still Haven't Found What I'm Looking For

3.6. Onde querias estar agora?New Year's Day

3.7. O que pensas a respeito do amor?Love Is Blindness


3.8. Como é a tua vida? Stranger In A Strange Land


3.9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo?The Sweetest Thing

3.10. Escreve uma frase sábia: Pride In the Name of Love…One man be trayed with a kiss.

IV. Escolher 4 pessoas:

PavlovDoorman

Poca

Maariah

Dias

Thursday, November 20, 2008


dormir.
antes de dormir
tento imaginar que minha cama não é tão grande
que só cabe uma respiração.
às vezes espero que fique pequena
o suficiente.
ideia fixa.
engraçado é como uma ideia fixa,
pode mudar a vida
ou o modo como a vejo.
para que a falta que sinto
seja dividida por dois
e não acumulada tão grande dentro de mim.
sim.
conheço o sim
o tom da verdade nas horas
que vêm de trás
de tudo de mal que possa haver.
o importante é a vontade
é ouvir
mesmo o que não se quer.
é a palavra certa,das pessoas certas
apesar de todo o resto.
e fazer o que tem de ser feito.

Sunday, November 16, 2008

é inevitável...

calçar os meus sapatos e sair
pode acontecer.
para pisar a relva
e descobrir o seu delicado aroma
de flores rasteiras.
com elas fazer tinta
imprópria para papel
e pintar.
abstracto.
traçar novas linhas
com estas mesmas mãos
em novos chãos.
solos insólitos.
pode acontecer,
pode mesmo acontecer
calçar os meus sapatos
e sair por aí.
é inevitável...

Tuesday, November 11, 2008

aos amigos


passo por um momento de reflexão.não sou forte e não sei deixar de ser chorona.lembro me dos dias do meu aniversário, relembro me das viagens que fiz e não esqueci,dos livros que li, reli e adorei, dos amigos (alguns...) perdidos e outros achados... penso nos que amo e se me amarão da mesma forma.mais ou menos intensa. se as pessoas que quero, me querem sem barreiras; se as pessoas que realmente considero, ao menos olham para mim .... com algum sentimento.

não consigo fugir. uma cabeça à toa... à roda!uma vida inteira de sorrisos e lágrimas, feitos e desfeitos, enlaces e desenlaces, e de tantas companhias diferentes...

ao conhecer alguém, como saber se essa pessoa estará ao meu lado para sempre? como encontrar a genialidade que torna única cada ser humano?não estou a falar de amor, ou pelo menos apenas...estou a falar de pessoas, aquelas que aparecem na minha vida.vêm sem nada nas mãos mas de repente há uma partilha e o amor ou amizade, chamem lhe o que vos apetecer, passa a incondicional.

não são assim os grandes amores e as grandes amizades da vida? nos momentos da minha vida, alegres ou tristes, intensos ou delicados, dramáticos ou de morrer a rir (lembro me sempre da cena de estacionamento das Amoreiras), sempre tive pelo menos 2 grandes amigos ao meu lado, sem contar com a família.

a curiosidade mata.e não deixo de pensar em quem, dos meus amigos, estará comigo daqui a 10 anos. mas sei que gostaria de agarrar cada um deles e atá-los a mim, para que ficassem a vida inteira comigo...

Sunday, November 09, 2008

sinto me no mundo assim...

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem sorte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte,
Sou a crucificada...a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca, Livro de Mágoas
[Parece que o meu mundo está cada vez mais ao contrário....que ninguém me encontra...]

Saturday, November 08, 2008

ontem à noite no Campo Pequeno

Nouvelle Vague e Mélanie Pain





Nouvelle Vague e Nadeah Miranda



Mélanie Pain



Nouvelle Vague e Nadeah Miranda


Nouvelle Vague e Mélanie Pain



Nouvelle Vague

É uma fórmula engenhosa aquela a que Marc Collin, mentor dos Nouvelle Vague, deitou mão. Ele garante que o sucesso do primeiro disco o apanhou de surpresa e nada teve de premeditado, mas se tivesse feito de propósito, talvez não lhe saísse tão bem. Nos Nouvelle Vague, dois discos em carteira e um terceiro na calha, Collin encontrou um veículo de regurgitar canções conhecidas de toda uma geração - a que agora tem entre 20 e picos e 40 anos - num formato acessível e confortável. Êxitos do punk, da new wave e do indie oitentista voltam à ribalta e aos palcos não através do enésimo regresso de banda veterana, mas na forma de versões acetinadas, sensuais e invariavelmente femininas. É assim que "One Hundred Years", o portento suicida dos Cure (elogio!) que abriu o concerto de ontem, no Campo Pequeno, se transforma numa canção de charme vaporosa, na voz da irrequieta Nadeah Miranda, ou que "Bizarre Love Triangle", dos New Order, perde em fulgor pop o que ganha em ponderação de bossa nova.

A fórmula, dizíamos nós, é vencedora e bate a todas as portas daquilo que é, em teoria, o gosto adulto médio: música popular brasileira, pop vagamente jazzy, lounge, dub e reggae em lume brando. Em palco, os Nouvelle Vague vivem muito da presença das suas cantoras; depois da partida, mais ou menos definitiva, de Camille, Martina Celeste e Phoebe Killdeer, todas lançadas em carreiras a solo, Marc Collin recrutou a loura Nadeah Miranda, que ontem maravilhou o público com um vestido curtíssimo e algumas incursões espontâneas pela plateia, e a morena Marianne Elise, mais elogiada pela simpatia "latina" e pelas formas curvilíneas.

Se as suas vozes pouco vão além da competência, Nadeah Miranda e Marianne convenceram pela forma como comunicaram com o público ao longo de duas horas e meia de concerto; em "Dancing With Myself" puseram toda a gente a estalar os dedos, com "Fallen In Love With Someone" apelaram à dança, e em "Blue Monday" fizeram sonhar com cocktails que o bar da Praça de Touros não servia (mas fumar fumou-se livremente, e não só tabaco). No entanto, o ponto de viragem do espectáculo terá chegado com "Too Drunk To Fuck": a loucura de Nadeah Miranda, que depois de tanto provocar os espectadores acabou por desaparecer na plateia durante alguns minutos, pôs toda a gente a entoar o refrão da música dos Dead Kennedys, num dos momentos mais acalorados da noite. Curiosamente, os ânimos acalmaram-se logo de seguida com Mélanie Pain, a menina que assegurara a primeira parte do concerto, a tomar conta de "God Save The Queen", dos Sex Pistols, como quem vela pelo sono de um bebé. Angelical no seu vestido branco de "fille française", a cantora convenceu o Campo Pequeno a cantar em coro o verso "no future" ("é aquela cena dos punks", explicava a nosso lado um espectador aos amigos).

Na recta final do espectáculo, que se prolongou durante vários encores, o maior protagonista acabou por ser o guitarrista e vocalista Gérald Toto, que emprestou um toque ligeiramente tribal a "Heart of Glass" e "Sweet Dreams", com uma conclusão festiva a fazer lembrar os Gogol Bordello, e desacelerou até ao absurdo, na última música da noite, "Relax", dos Frankie Goes To Hollywood. Tanto em palco como entre o público, no entanto, a noite às senhoras pertenceu e na memória é mais provável que sobrevivam a prestação naïf de Mélanie Pain em "Teenage Kicks", "Love Will Tear Us Apart" e "In A Manner of Speaking", ou os espasmos vampirescos de Nadeah Miranda no cabaré negro de "Bela Lugosi Is Dead". Emocionados com a resposta do público a um concerto que garantem ter sido "muito especial", os Nouvelle Vague despediram-se com um convite: no próximo dia 17 de Novembro, o outro projecto de Marc Collin, chamado Hollywood Mon Amour, dá um concerto grátis no Casino de Lisboa, anunciou Nadeah. Pela ovação com que a notícia foi recebida, não faltarão espectadores no regresso de Collin a Portugal, dessa feita para reinventar canções de filmes dos anos 80. Na primeira parte do concerto de ontem, Mélanie Pain mostrou que podia ser a quarta voz das Au Revoir Simone, trio feminino de Nova Iorque que, tal como a francesa, aposta tudo na delicadeza de voz e teclados. Com canções em inglês e francês, Mélanie conquistou adeptos e deixou-nos a pensar qual será o superlativo de "coquete". Com os seus modos de princesa e voz sussurrada, é difícil imaginá-la a viver fora de uma caixinha de música.

Texto de Lia Pereira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos in Blitz

Tuesday, November 04, 2008

pensamentos espelhados e confusos

eu perco me em conceitos .muitas vezes vejo me criança, mas sei me mulher. sou muito mais corajosa que a criança-menina, outras muito mais fraca que a mulher-criança.esqueço me de mim , se sou para os outros o que esperava ser, sem ao menos saber o que realmente sou.criança madura.mulher infantil.
no quarto, escrevo estórias a giz, nas paredes, com os dedos dos pés e dou por mim a rir como se me fizessem cócegas na alma dolorida. invento palavras que até me esqueço da esperança, sabe-se lá de onde....

cada livro cá em casa, conta um pedaço da minha vida. mas nenhum, ou todos eles, sei lá... revelam que também eu já fui menina com sonhos e mágoas. para que serve o amontoado de livros que as estantes carregam?talvez para me lembrar que existo. mas é certo que vivem.comigo. porque a vida não é construída diariamente só de boas coisas, bons pensamentos e bons sentimentos.

o que eu gostava de ter um bom espelho. na porta da minha vida. para quem no meu mundo quisesse entrar com más intenções, ter de se olhar primeiro, depois abrir o trinco e as malícias que o acompanhavam entrarem como palavras...sábias.


Monday, November 03, 2008

6ª feira ...Lá vou eu ter que ir!!!!!

Cara leitora

Parabéns! Você foi uma das vencedoras do Nouvelle Vague voltam a Portugal... quer ir ver? , no site da VISÃO.



Em breve, receberá na morada que nos indicou dois convites para o concerto do próximo dia 7, no Campo Pequeno, em Lisboa.

Divirta-se!









Entretanto, os convites já chegaram a minha casa!

Thursday, October 30, 2008

cada qual vê o que quer


obstáculo
fim de viagem
ou
nova oportunidade de crescer.
irritação
uma tragédia
ou
prova de paciência.
morte
fim
ou
começo de uma nova etapa.
ignorância.
teimosia.
compreeender as limitações ,
percebendo que caminhamos ao nosso próprio passo
e que é inútil querer apressar o passo dos outros,
ou andar num passo que não é o nosso.
cada qual vê o que quer.
eu sou do tamanho que vejo, e não do tamanho da minha altura.
Poema de Fernando Pessoa adulterado por mim

sugestão para o fim de semana


Lisboa vai acolher 2 iniciativas que juntam a diversidade dos sabores gastronómicos à degustação vínica, entre 31 de Outubro e 03 de Novembro.
As acções Encontro com o Vinho/Encontro com os Sabores 2008 (ECV/ECS) e o Gosto de Lisboa decorrem no Centro de Congressos de Lisboa (ex-FIL), sendo que no Domingo, dia 02, pelas 15h, o enólogo da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Bruno Almeida, orienta uma prova de Vinhos Verdes intitulada “100 anos da Região Demarcada dos Vinhos Verdes em Corpo Fresco, Espírito Jovem”.


O Encontro com o Vinho/Encontro com os Sabores 2008 é uma feira de vinhos e gastronomia, que de 31 de Outubro a 02 de Novembro se dirigida aos consumidores e no último dia, aos profissionais da área.


Simultaneamente, decorre a primeira edição do Gosto de Lisboa, um evento gastronómico que reúne dez restaurantes de Lisboa, onde cada um apresenta propostas gastronómicas para degustação a preços de venda ao público entre os 5 e os 15 euros. Cervejaria Ramiro, El Corte Inglês, Eleven, Gemelli, Japa, Na Ordem com Luís Suspiro, Solar dos Presuntos, Terreiro do Paço, Vírgula e XL são os restaurantes convidados para a iniciativa.

A entrada para os dois eventos tem o valor único de 10 euros.

Monday, October 27, 2008


queria palavras para fazer explodir o infinito.
não sinto a luz.os sentidos faltam, não permitindo que beije a cor das folhas caídas deste Outono. não sinto doce há tanto tempo...
falta razão.sinto a loucura, tateio a vida, tropeço em erros, desfaço sonhos e escorrego em ilusões...às vezes.
a sensibilidade não me foge mas queimo me com ferro quente e apanho rosas picando me nos espinhos.um dia furo e sigo.
erro.sei que a minha intensidade mata.tanto caiu às gargalhadas, como contruo um mar de lágrimas, rebento o coração, entrego a alma.sem tostão.
falta me o empurrão.sigo arrastada, suporto o mundo nas costas e dou os braços à solidão .peso de toda a decepção.
sigo alienada, sem olhar o objectivo do ideal, admirando o inútil e convivendo com a carência.às vezes.
ando sozinha, sem pressa, olho para dentro, oiço os meus próprios problemas, controversos, procurando soluções.às vezes. a amizade.é só saudade.desconforto. o contacto com o colo dela ou o ombro dele.estranha companhia.
queria sentir me segura e calma.às vezes.talvez seja o amor que me falta, mas há que confiar no acaso.

Wednesday, October 22, 2008

um poeira 2002

silêncio.na mesa uma quietude.triste e frouxa.o primeiro copo bebido foi de cerveja. uma espécie de cimento fresco para o ardor de quem gosta de vinho. saí. está tudo muito cheio.de gente.de vazio. o ar não se respira.nas mesas, o vinho tinto encorpado é de um escuro sólido. o vinho branco, cristal na transparência verde da uva. a água, essa condensava, sem piada e pesada.
lá fora corre o tempo de um outro mundo.um mundo que não quero meu. daqui onde estou vejo olhares vagos. não há sorrisos. as bocas não têm expressão nenhuma. os gestos são cenas do cinema mudo. fazem-se movimentos com os lábios. pessoas abrem os braços. asas inúteis para voar.
vejo o silêncio.incolor.vou para casa.
na minha sala abro um Poeira de 2002.pego na rolha de cortiça e levo ao nariz a sentir o vinho. tinto.sinto o aroma azedo de madeira molhada.uma cor rubi, corpo redondo e consistência aveludada na boca. pela maciez e suavidade, diria que fora convenientemente envelhecido.guloso.belissimo. os meus olhos brilham. um abrir-e-fechar de olhos.
e bebo.bebo, bebo, bebo.....
agora sim consigo ouvir me respirar.bebo.




“Dá-me vinho, porque a vida é nada"
Fernando Pessoa