Saturday, November 08, 2008



Mélanie Pain



Nouvelle Vague e Nadeah Miranda


Nouvelle Vague e Mélanie Pain



Nouvelle Vague

É uma fórmula engenhosa aquela a que Marc Collin, mentor dos Nouvelle Vague, deitou mão. Ele garante que o sucesso do primeiro disco o apanhou de surpresa e nada teve de premeditado, mas se tivesse feito de propósito, talvez não lhe saísse tão bem. Nos Nouvelle Vague, dois discos em carteira e um terceiro na calha, Collin encontrou um veículo de regurgitar canções conhecidas de toda uma geração - a que agora tem entre 20 e picos e 40 anos - num formato acessível e confortável. Êxitos do punk, da new wave e do indie oitentista voltam à ribalta e aos palcos não através do enésimo regresso de banda veterana, mas na forma de versões acetinadas, sensuais e invariavelmente femininas. É assim que "One Hundred Years", o portento suicida dos Cure (elogio!) que abriu o concerto de ontem, no Campo Pequeno, se transforma numa canção de charme vaporosa, na voz da irrequieta Nadeah Miranda, ou que "Bizarre Love Triangle", dos New Order, perde em fulgor pop o que ganha em ponderação de bossa nova.

A fórmula, dizíamos nós, é vencedora e bate a todas as portas daquilo que é, em teoria, o gosto adulto médio: música popular brasileira, pop vagamente jazzy, lounge, dub e reggae em lume brando. Em palco, os Nouvelle Vague vivem muito da presença das suas cantoras; depois da partida, mais ou menos definitiva, de Camille, Martina Celeste e Phoebe Killdeer, todas lançadas em carreiras a solo, Marc Collin recrutou a loura Nadeah Miranda, que ontem maravilhou o público com um vestido curtíssimo e algumas incursões espontâneas pela plateia, e a morena Marianne Elise, mais elogiada pela simpatia "latina" e pelas formas curvilíneas.

Se as suas vozes pouco vão além da competência, Nadeah Miranda e Marianne convenceram pela forma como comunicaram com o público ao longo de duas horas e meia de concerto; em "Dancing With Myself" puseram toda a gente a estalar os dedos, com "Fallen In Love With Someone" apelaram à dança, e em "Blue Monday" fizeram sonhar com cocktails que o bar da Praça de Touros não servia (mas fumar fumou-se livremente, e não só tabaco). No entanto, o ponto de viragem do espectáculo terá chegado com "Too Drunk To Fuck": a loucura de Nadeah Miranda, que depois de tanto provocar os espectadores acabou por desaparecer na plateia durante alguns minutos, pôs toda a gente a entoar o refrão da música dos Dead Kennedys, num dos momentos mais acalorados da noite. Curiosamente, os ânimos acalmaram-se logo de seguida com Mélanie Pain, a menina que assegurara a primeira parte do concerto, a tomar conta de "God Save The Queen", dos Sex Pistols, como quem vela pelo sono de um bebé. Angelical no seu vestido branco de "fille française", a cantora convenceu o Campo Pequeno a cantar em coro o verso "no future" ("é aquela cena dos punks", explicava a nosso lado um espectador aos amigos).

Na recta final do espectáculo, que se prolongou durante vários encores, o maior protagonista acabou por ser o guitarrista e vocalista Gérald Toto, que emprestou um toque ligeiramente tribal a "Heart of Glass" e "Sweet Dreams", com uma conclusão festiva a fazer lembrar os Gogol Bordello, e desacelerou até ao absurdo, na última música da noite, "Relax", dos Frankie Goes To Hollywood. Tanto em palco como entre o público, no entanto, a noite às senhoras pertenceu e na memória é mais provável que sobrevivam a prestação naïf de Mélanie Pain em "Teenage Kicks", "Love Will Tear Us Apart" e "In A Manner of Speaking", ou os espasmos vampirescos de Nadeah Miranda no cabaré negro de "Bela Lugosi Is Dead". Emocionados com a resposta do público a um concerto que garantem ter sido "muito especial", os Nouvelle Vague despediram-se com um convite: no próximo dia 17 de Novembro, o outro projecto de Marc Collin, chamado Hollywood Mon Amour, dá um concerto grátis no Casino de Lisboa, anunciou Nadeah. Pela ovação com que a notícia foi recebida, não faltarão espectadores no regresso de Collin a Portugal, dessa feita para reinventar canções de filmes dos anos 80. Na primeira parte do concerto de ontem, Mélanie Pain mostrou que podia ser a quarta voz das Au Revoir Simone, trio feminino de Nova Iorque que, tal como a francesa, aposta tudo na delicadeza de voz e teclados. Com canções em inglês e francês, Mélanie conquistou adeptos e deixou-nos a pensar qual será o superlativo de "coquete". Com os seus modos de princesa e voz sussurrada, é difícil imaginá-la a viver fora de uma caixinha de música.

Texto de Lia Pereira Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos in Blitz

Tuesday, November 04, 2008

pensamentos espelhados e confusos

eu perco me em conceitos .muitas vezes vejo me criança, mas sei me mulher. sou muito mais corajosa que a criança-menina, outras muito mais fraca que a mulher-criança.esqueço me de mim , se sou para os outros o que esperava ser, sem ao menos saber o que realmente sou.criança madura.mulher infantil.
no quarto, escrevo estórias a giz, nas paredes, com os dedos dos pés e dou por mim a rir como se me fizessem cócegas na alma dolorida. invento palavras que até me esqueço da esperança, sabe-se lá de onde....

cada livro cá em casa, conta um pedaço da minha vida. mas nenhum, ou todos eles, sei lá... revelam que também eu já fui menina com sonhos e mágoas. para que serve o amontoado de livros que as estantes carregam?talvez para me lembrar que existo. mas é certo que vivem.comigo. porque a vida não é construída diariamente só de boas coisas, bons pensamentos e bons sentimentos.

o que eu gostava de ter um bom espelho. na porta da minha vida. para quem no meu mundo quisesse entrar com más intenções, ter de se olhar primeiro, depois abrir o trinco e as malícias que o acompanhavam entrarem como palavras...sábias.


Monday, November 03, 2008

6ª feira ...Lá vou eu ter que ir!!!!!

Cara leitora

Parabéns! Você foi uma das vencedoras do Nouvelle Vague voltam a Portugal... quer ir ver? , no site da VISÃO.



Em breve, receberá na morada que nos indicou dois convites para o concerto do próximo dia 7, no Campo Pequeno, em Lisboa.

Divirta-se!









Entretanto, os convites já chegaram a minha casa!

Thursday, October 30, 2008

cada qual vê o que quer


obstáculo
fim de viagem
ou
nova oportunidade de crescer.
irritação
uma tragédia
ou
prova de paciência.
morte
fim
ou
começo de uma nova etapa.
ignorância.
teimosia.
compreeender as limitações ,
percebendo que caminhamos ao nosso próprio passo
e que é inútil querer apressar o passo dos outros,
ou andar num passo que não é o nosso.
cada qual vê o que quer.
eu sou do tamanho que vejo, e não do tamanho da minha altura.
Poema de Fernando Pessoa adulterado por mim

sugestão para o fim de semana


Lisboa vai acolher 2 iniciativas que juntam a diversidade dos sabores gastronómicos à degustação vínica, entre 31 de Outubro e 03 de Novembro.
As acções Encontro com o Vinho/Encontro com os Sabores 2008 (ECV/ECS) e o Gosto de Lisboa decorrem no Centro de Congressos de Lisboa (ex-FIL), sendo que no Domingo, dia 02, pelas 15h, o enólogo da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Bruno Almeida, orienta uma prova de Vinhos Verdes intitulada “100 anos da Região Demarcada dos Vinhos Verdes em Corpo Fresco, Espírito Jovem”.


O Encontro com o Vinho/Encontro com os Sabores 2008 é uma feira de vinhos e gastronomia, que de 31 de Outubro a 02 de Novembro se dirigida aos consumidores e no último dia, aos profissionais da área.


Simultaneamente, decorre a primeira edição do Gosto de Lisboa, um evento gastronómico que reúne dez restaurantes de Lisboa, onde cada um apresenta propostas gastronómicas para degustação a preços de venda ao público entre os 5 e os 15 euros. Cervejaria Ramiro, El Corte Inglês, Eleven, Gemelli, Japa, Na Ordem com Luís Suspiro, Solar dos Presuntos, Terreiro do Paço, Vírgula e XL são os restaurantes convidados para a iniciativa.

A entrada para os dois eventos tem o valor único de 10 euros.

Monday, October 27, 2008


queria palavras para fazer explodir o infinito.
não sinto a luz.os sentidos faltam, não permitindo que beije a cor das folhas caídas deste Outono. não sinto doce há tanto tempo...
falta razão.sinto a loucura, tateio a vida, tropeço em erros, desfaço sonhos e escorrego em ilusões...às vezes.
a sensibilidade não me foge mas queimo me com ferro quente e apanho rosas picando me nos espinhos.um dia furo e sigo.
erro.sei que a minha intensidade mata.tanto caiu às gargalhadas, como contruo um mar de lágrimas, rebento o coração, entrego a alma.sem tostão.
falta me o empurrão.sigo arrastada, suporto o mundo nas costas e dou os braços à solidão .peso de toda a decepção.
sigo alienada, sem olhar o objectivo do ideal, admirando o inútil e convivendo com a carência.às vezes.
ando sozinha, sem pressa, olho para dentro, oiço os meus próprios problemas, controversos, procurando soluções.às vezes. a amizade.é só saudade.desconforto. o contacto com o colo dela ou o ombro dele.estranha companhia.
queria sentir me segura e calma.às vezes.talvez seja o amor que me falta, mas há que confiar no acaso.

Wednesday, October 22, 2008

um poeira 2002

silêncio.na mesa uma quietude.triste e frouxa.o primeiro copo bebido foi de cerveja. uma espécie de cimento fresco para o ardor de quem gosta de vinho. saí. está tudo muito cheio.de gente.de vazio. o ar não se respira.nas mesas, o vinho tinto encorpado é de um escuro sólido. o vinho branco, cristal na transparência verde da uva. a água, essa condensava, sem piada e pesada.
lá fora corre o tempo de um outro mundo.um mundo que não quero meu. daqui onde estou vejo olhares vagos. não há sorrisos. as bocas não têm expressão nenhuma. os gestos são cenas do cinema mudo. fazem-se movimentos com os lábios. pessoas abrem os braços. asas inúteis para voar.
vejo o silêncio.incolor.vou para casa.
na minha sala abro um Poeira de 2002.pego na rolha de cortiça e levo ao nariz a sentir o vinho. tinto.sinto o aroma azedo de madeira molhada.uma cor rubi, corpo redondo e consistência aveludada na boca. pela maciez e suavidade, diria que fora convenientemente envelhecido.guloso.belissimo. os meus olhos brilham. um abrir-e-fechar de olhos.
e bebo.bebo, bebo, bebo.....
agora sim consigo ouvir me respirar.bebo.




“Dá-me vinho, porque a vida é nada"
Fernando Pessoa

Sunday, October 19, 2008

mulher


"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem."
Lya Luft

Friday, October 17, 2008

ao meu cão Jimmy(12.07.1990-17.10.2004)

Descansa. Dorme. Que levo o teu nome no espaço do meu nome. Descansa. Não vou deixar que te aconteça mal. Não devia ter deixado que te acontecesse mal. Uma semana. A semana. Mas havia esperança (qual?! pergunto-me agora). A esperança. Só a esperança. Nada mais. Chega-se a um ponto em que só há ela e então...temos tudo. Depois não temos nada. Mais nada. Não te aflijas, sou forte, sou capaz. Sou mesmo. Reconheço-te, porque não te esqueci. O tempo é novo sem ti e sempre contigo. Não te preocupes, eu oriento-me. Gostava que agora, apenas uma pena inconsequente parasse a olhar para dentro de mim e após olhar....segui-se em frente. Mas não. ONDE ESTÁS? Que me deixaste a gritar, onde estás? Só! Estar só é muito mais do que conseguir dize-lo. Só. Gostava de te ver. Precisava de te ver. Mas não. Nunca mais. Nunca mais. Dorme. Foste tanto. Dorme. Eras um pouco imenso em mim. Descansa. Ficou a tua vida em mim. Ficaste todo em mim. Nunca esquecerei.
Texto copiado de Dorian Gray

Sunday, October 12, 2008

estou como o dia...está negro.


farta de mim
e
cansada dos dias.
se me olhar ao espelho acho que sou capaz de me bater.
a cabeça pede,
a alma também
um pouco mais de calma.
eu sei
que a vida não pára,
não pára!

Thursday, October 09, 2008

tic tac


eu...

será que amo? sinto raiva? rio ? choro ? penso? desejo?
eu...

tenho medo ?sinto me sem rumo ?passo o tempo a adiar a felicidade ?

eu...

e os meus sentimentos ?será que ponho debaixo do tapete as angustias ?

será que ignoro os momentos bons?

o meu tic tac consome o eu.

o eu que ainda tenho.

será que sei o que me faz feliz ?prefiro ouvir ? ou falar?
eu...
a querer mudar

e a não conseguir ser de outra maneira.

eu...
a certeza de que devo arriscar...
a dúvida se será sempre assim a minha vida .

o meu tic tac consome o eu.
o eu que ainda tenho.

incertezas...certezas...

tic-tac, tic-tac,
o tempo não para...
tic-tac, tic-tac,
o tempo não para...
eu...

tenho que ser feliz entre as brechas do tempo...
terei tempo ?
o meu tic tac consome o eu.

o eu que ainda tenho.



porque deixo de ir, porque os dias se sucedem, porque volto, porque tenho surpresas tristes, porque sinto, porque não tenho intenção de me magoar, rsrrsrss......

Tuesday, October 07, 2008

atchimmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

Tenho febre, dor de garganta, a cabeça pesa e o nariz não para de pingar...

Remédios caseiros como chá de limão ou aguardente com mel (claro que prefiro esta ultima...ups...o álcool, o álcool) fazem bem a estes estados gripais mas custa me tanto levantar do sofá, onde estou enroladinha numa manta, para ter que fazer qualquer coisa...

Amanhã volto...
Espero que melhor da gripe....
Espero que com melhor cara
Espero que mais feliz.
Amanhã volto...

Monday, October 06, 2008

2 em 1!


Hoje é segunda-feira e o Sporting perdeu...



Viva o Sporting !! E a mim que o continuo a apoiar!!

Friday, October 03, 2008

J de irmão

Claro que não beijei mas sabes que beijei: és o meu irmão João. Aquele a quem me une um silencioso princípio de vasos comunicantes. E com que alegria repito isto dentro de mim: o meu irmão João. O meu irmão João para sempre.
[Visão_António Lobo Antunes Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008]




Li , como faço sempre a crónica de ALA na Visão e emocionei me. Na sorte que é ter um irmão mas dos bons. Assim como eu tenho, um irmão presente, critico mas incondicional. Ah!E o meu mano também é J!
Nem todos tem essa sorte, uns porque os têm mas não sabem por onde andam, outros porque são únicos.Não invejo nenhuma das sortes...
Ao ter o MEU irmão sei que nunca estarei sozinha.Sei que tenho alguém que gostará sempre de mim. (Devem estar a pensar..também é irmão dela se ele não gostar quem é que gosta?!..)
Neste amor, o único no qual acredito em que há almoços de borla,onde existe quem nos quer ver bem se possivel melhor do que a si próprio e pelo qual eu morria.
Não trocava o meu irmão por nada nem por ninguém.
O meu irmão é quem eu mais gosto no mundo!
Não sei porquê mas tinha de escrever este texto...há coisas que têm que ser ditas
.

Tuesday, September 30, 2008

esquisitices

estou inteira.
inteira mas feita de água.
caí de dentro de mim. como um copo. entornado, esperando que o vento apareça para me secar.
inteira mas nervosa.
uma água revolta.
revolta em mim. como as ondas a quebrar na areia.debato me.
inteira mas a gritar.
por dentro.grito para que me deixem ser. quero a minha espontaneidade, a fala solta.o direito de ser. livre.
inteira mas retorcida.
a engolir em seco. a verter água pelos olhos. libertando o imenso mar que existe dentro de mim.
inteira mas com saudades de colo.
um gritinho emudecido escondido pela rouquidão.
estou inteira
mas sou uma tonta.

"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."
Clarice Lispector.

Monday, September 29, 2008

Friday, September 26, 2008

os canários são calmos, mas algumas aves podem ser mais agitadas

"A dor é bactéria, cuspo viral, réptil viscoso que faz ninho.Assim que nos entra, nunca mais nos deixará. Mastiguemos ambas as palavras:nunca mais.Invade nos silênciosa.Mistura se com todo o sangue e tripas que há em nós, comanda nos sem se deixar ver.
...Julgamos, muitas vezes, que a dor já lá não ha de estar, confiantes no grande remédio que nos ensinam cura tudo.
O tempo.
E contudo há sempre um dia, um acontecimento, uma conversa, uma situação que observamos, ou esse tal objecto insignificante que reencontramos.
E a serpente morde nos outra vez os tendões."
[Canário_Rodrigo Guedes Carvalho]

Acabei de ler Canário do Rodrigo Guedes Carvalho e não gostei, simplesmente adorei. É um livro de afectos, desejos, ambições e medos, uns exteriorizados, outros escondidos, porque socialmente é melhor parecer do que ser.Várias histórias paralelas e que descobrimos unirem se num só ponto.Histórias que a determinada altura se unem por uma coincidência que se vem a verificar não ser feliz.
Geraldo, um jovem preso que viu a sua vida desmoronar se no dia em que mata o amante da mãe depois de este a ter agredido mais uma vez.Maria Antónia,mulher de um escritor famoso, que se anulou voluntariamente por de um amor desgastado e vazio de afectos, uma familia que considerava imaculada.Camila, filha do escritor, mulher fragil, com um pai ausente e uma mãe mal amada. Impotente perante um filho autista e a dor de um casamento que acabou por ter um marido fraco incapaz de lidar com o desequilíbrio que a doença de Pedro provocou na conjugalidade.Alexandre, escritor famoso e consagrado, como tal egocêntrico e obcecado por ser criativo em cada livro que cria. Toda a sua vida feriu emocionalmente os que o rodeiam anulando as suas identidades e revelando o seu profundo narcisismo. É ele o ponto comum de todo o livro.
Ao longo do livro, vivemos imposições sociais e conflitos emocionais a que não escapamos incólumes, ou por vivermos entre grades de uma cela, ou porque algemas invisiveis nos prendem as mãos.Algemas que herdamos, da familia e da sociedade, e que no fundo, bem lá no fundo até alimentamos com mais ou menos luta numa sociedade, que nos rouba os afectos. Paradoxalmente, os mesmos afectos que todos precisamos, procuramos e resgatamos de quando em vez. Afinal, todos somos também canários…

Wednesday, September 24, 2008

Parabéns Papá e Mamã!

Descalça vai para a fonte

Leonor pela verdura;

Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,

O testo nas mãos de prata,

Cinta de fina escarlata,

Sainho de chamelote;

Traz a vasquinha de cote,

Mais branca que a neve pura.

Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,

Cabelos de ouro entrançado

Fita de cor de encarnado,

Tão linda que o mundo espanta.

Chove nela graça tanta,

Que dá graça à fermosura.

Vai fermosa e não segura

Uma bébé é sempre uma alegria! Fiquei tão feliz!

L,
Meu querido Amigo,
Hoje há uma estrela muito brilhante no Céu que sorri.
Sorri. Solta gargalhadas.Sorri!
Sorri porque vê o seu menino feliz! Muito feliz!
O seu menino muito feliz com menina dele.
E uma Mãe gosta sempre de ver o seu menino feliz!
Eu acredito, Papá!

Saturday, September 20, 2008

Wednesday, September 17, 2008

Será que as coisas podem realmente mudar? Não sei...

núvens negras
chuva miudinha.
o passado,
presente
e futuro.
núvens negras
o horizonte
apenas
núvens negras
olhei para trás.
estou de costas
não para o que fui
mas para o que sou.
é tudo o que tenho.

Saturday, September 13, 2008


eu acho que posso alcançar as nuvens.mas muitas são as vezes em que me deixo queimar pelo sol.cinzas espalhadas pelo chão.


sem asas e sem penas, sou um pássaro no vôo da inocência.

deixo me seduzir pelo espelhos
e ficar: não pela verdade da imagem
mas pelos voos razantes que me fazem sentir viva.

entro.pela janela.

a lua assombra

e faz me rir.

rir e rir.



Amanhã será outro dia... alegre!








"o meu único desejo é conversar.

conversar com alguém que ainda sabe sorrir."

José Manuel Saraiva

Wednesday, September 10, 2008

eu sei

Eu sei
Eu sei que vivo e
porque sei que vivo
acredito.

Eu sei
Eu sei que tenho medo do escuro e
porque sei que tenho medo do escuro
apaguei as luzes.

Eu sei

Eu sei que existem farsas e
porque sei que existem farsas
luto.

Eu sei
Eu sei que sabia e
porque sei que sabia
não sabia de nada.

Eu sei
Eu sei que vou morrer e
porque sei que vou morrer
desprezo os abismos.


Saturday, September 06, 2008

gostava de ver para lá do que os meus olhos vêem. gostava de sentir a cor das almas.
de ter em mim uma janela com vista para dentro. toda branca e infinita para colorir e montanhas de guaches faber-castell novinhos em folha. pintar uma aguarela leve como o amor.

e o amor?passa o seu fôlego sobre o nada.a este sopro fez do nada o verbo amar.liberte-se o amor.que não fique apenas o verbo.permaneçam os sorrisos livres.o amor não se preocupa com os muros que o abrigam nem com os abanões de quem o fez tremer .sabe-se ventura.surpreende o mundo novo.e prossegue como se fosse o único. sem palavras.





Nao importa o que se ama.
Importa a matéria desse amor.
As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são um principio - nem sequer o principio. Porque no amor os principios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma historia que continua para la dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o espero, o macio, a falha, a persistencia.
[Ines Pedrosa]

Wednesday, September 03, 2008

antes que me gritem, grito eu!

olhos nos olhos.um brilho a queimar a alma.sem palavras.intensos instantes acontecem.tantas e tantas vezes a morder o lábio.como quem faz dele culpado dos meus males. até que dou conta de que tenho desejos.ao sentir o sangue quente na lingua.
sei o que quero.ver a lua transformar se em sol.ardente.à meia noite.e acreditar que tudo é verdade.
dizem me que é loucura sentir o que sinto.
mas não, loucura é nada sentir.


antes que me gritem
vozes
grito eu!

Monday, September 01, 2008

wake me up when september ends


é setembro
a luz é sorriso
e a chuva choro

Friday, August 29, 2008

o homem

O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.[O Encontro Marcado, Fernando Sabino]

Friday, August 22, 2008

vinho tinto

Falo de vinho.Tinto.
Gosto do sabor e do tom vagoroso que impõe às conversas.Do descompasso que confere ao andar, do bafo quente na boca e dos impulsos lentos que me provoca no coração.
Gosto da cor.Rubra no copo e rosa nas bochechas.Gosto do salivar que me leva a viajar no torpor lucido do despudor.
Gosto da companhia.Calada, forte, amarga e viril.Não cria barreiras, não impõe limites, não faz frio, cria calor e faz rodopiar sem sair do lugar.Um voar sem levantar os pés do chão.
Falo de vinho.Tinto.
Gosto do vinho e o vinho gosta de mim.Um prazer bom mesmo que feito a um.
"o vinho é poesia engarrafada."
Robert Louis Stevenson

Thursday, August 14, 2008

lost


PERDI-ME dentro de mim porque eu era labirinto e hoje quando me sinto, é com saudades de mim ... [Mário de Sá Carneiro]


um dia
vou sem destino
para ver

o fim desta estrada
de rotas

rôtas.


e então
sem nome,

poderei chorar
em silêncio
as palavras
que não foram ditas.
explosão
rebelde contra o
esquecimento.

Sunday, August 10, 2008

sonhos

há sempre sonhos


voar.


vida


há sempre vida


ilusão.


desejo


há sempre desejo


atrevimento.


pego na caixa de tintas


aponto o azul


para me colorir.

Thursday, August 07, 2008

as mulheres têm fios desligados


Está cá tudo escritinho nesta magnifica crónica! Será assim tão dificil dizer:
Já não gosto de ti?
Ou será realmente muito mais fácil manter falsas expectativas e ser desonesto, ao dizer:
Preciso de tempo?
Uma certeza porém...
Merecemos sempre melhor que alguém que não gosta de nós.

Tuesday, August 05, 2008

Intervalo

Achei piada a este Intervalo! É dos Per7ume, um projecto musical de alguns ex-membros dos Ornatos Violeta e dos Blunder.Aqui vai a musica com a participação do Rui Veloso!







Vida em câmara lenta
8 ou 80
Sinto que vou emergir
Já sei de cor
Todas as canções de amor
Para à conquista partir

Diz que tenho sal
Não me deixes mal
Não me deixes

No livro que eu não li
No filme que eu não vi
Na foto onde eu não entrei
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu

Vida à média rés
Levanta os pés
Não vás em futebóis
Apesar do intervalo
Que é quando eu falo
Para não me incomodar

Diz que tenho sal
Não me deixes mal
Não me deixes

No livro que eu não li
No filme que eu não vi
Na foto onde eu não entrei
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu

Não me deixes
Na história que não terminou
Não me deixes

No livro que eu não li
No filme que eu não vi
Na foto onde eu não entrei
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu

Wednesday, July 30, 2008

"A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é, e é difícil explicar a alguém quanto isso me integra, quanto isso me basta. Basta existir para ser completo." [Alberto Caeiro]

abro


abro aspas


e a loucura entra em mim
e nunca


nunca mais as fecharei
nunca mais.

Friday, July 25, 2008


de madrugada acordei.não sei se o silencio se o agitar do meu corpo.

procurei um lapis.um papel.

tentei coordenar ideias gigantes.deconexas.

roubar palavras.colorir pensamentos.

da minha insonia tentei fazer um rascunho...não consegui.

nasci assim.

para dizer o que sinto.mesmo quando não sinto.

sem dedos apontados.

dizer o que penso.sem medos.sem culpas.

transcrever sentidos.afagar entrelinhas.

um ponto final é sempre um ponto final.

uma virgula em mim não faz muito sentido.

Monday, July 21, 2008

quero
simplicidade.um aceno.um até logo.um beijo.o rosto corado.um abraço apertado.o sabor de um desejo.quero qualquer coisa.assim.tão coisa nenhuma.saltar o chão que piso sem cair nas indecisões ou tropeçar nas filosofias.uma vontade louca de correr.para mim.

quero
olhar sempre em frente.sem esquecer o que lá está atrás.porque sou capaz. por muito indecente que seja.ser repetitiva.nas palavras.dizer o que simplesmente quero.(re)buscar rimas.alternativas.cantar.versos pincelados de amarelo.

quero

um dia simples.

Friday, July 18, 2008

Tuesday, July 15, 2008

para mim

Havia um gajo
Anormal como os outros
Monthy?
Não sei.
Seria o seu nome?
Não sei.
Vendia prazer?
Não sei nada.
Alugava uma casa.
Também não sei.Nada.
Ajudava à arte que queria
Plantava coentros
Não sei se os fumava
Mas voava
Sobre o ar quente .
Com uma vela
Rumo a oriente

Quando era mais fácil o ocidente
E por ele víamos
Africa.
À noite tínhamos vacas voadoras
Ruminantes a descolar
Rastejantes a aplaudir
Uma osga clara na parede branca a assistir
Era assim
Simples
Existir
E lá está.

Saturday, July 12, 2008

simplesmente um poema lindo(12.07.1990-17.10.2004)

lembra-te
que todos os momentos

que nos coroaram
todas as estradas


radiosas que abrimos
irão achando sem fim

seu ansioso lugar
seu botão de florir



o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa



não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro

vividos.


[Mário Cesariny]

Monday, July 07, 2008


escadas.hoje não consegui descer as escadas. parei. a metade parei e sentei me no degrau. simplesmente não conseguia.deixava me cair. fiquei a olhar o nada e a pensar na minha vida.na vida dos outros.nos males do mundo. nas alegrias do coração.e fiz me tantas perguntas..... de facto o mundo dá muitas voltas, afinal não para de girar.um pensamento recorrente. o que acontece enquanto o mundo dá voltas e voltas e se continua a andar em linha recta??? sim, porque é assim que eu ando. em linha recta. sem ficar parada. tempo depois, conclusões definidas e cabeça erguida consegui me levantar e continuar a descer as escadas. e quando estava quase no fim percebi que não era para descer. eu precisava era de subir novamente os degraus. porque é de cima que se vê a vida.se assiste as melhores partes do espectáculo. em linha recta.só assim se pode ver a beleza da vida....

Friday, July 04, 2008



Disse te
Morde,
Sim, morde me!
Enquanto há tempo.
Enquanto há sangue
Quando acabar, acabou.
Agora eu pulso, pulso e pulso.
A vida transborda
E eu bebo a liquida.
Beijo o asfalto e
Sorrio com a cara toda.
Grito
Leva me daqui!
Quero comer o silêncio!

Tuesday, July 01, 2008

cor de dentro

só sinto, não compreendo.
sinto o calor do sol
fecho os olhos e sinto o gosto.
ser livre e voar no azul do céu
sem me prender aos preceitos do mundo.
de instantes…
de momentos…
de loucuras...
de recordações.
ousei
deliciar-me com as minhas sensações...
multipliquei-me
em sentir
extravasei...
diluí me.
da janela infinita de mar
arrisquei
pintar os céus
com os meus sonhos azuis.
e enquanto o dia
se vestia de noite,
as chamas devoravam-me.

Parabéns Sportingggggggggggggggggg!!!!!!!!!!!!